Há lugares que esquecemos e outros que ficam na memória. Surf, altas ondas, visuais de tirar o fôlego, atmosfera zen, gente feliz de cabeça aberta.
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Quem passa uma temporada em Byron Bay não reclama, não esquece. Os surfistas dos anos 60, os hippies da década de 70 e abertura da sociedade local para estrangeiros “mais alternativos” carimbaram a atmosfera psicodélica que predomina até hoje.
Um estilo de vida sossegado no qual a maioria da galera trafega com suas bicicletas e kombes vintage nas ruas sem semáforos, e não se vê ninguém vestindo terno e gravata no stress de trabalho.
Sentam na grama limpíssima ou na areia em suas cangas super coloridas e fazem piqueniques no final de tarde ao som dos berrantes “rainbow birds” e de violões das turmas vizinhas. Saboreiam suas comidinhas orgânicas ou o kebab comprado na esquina e tomam a cerveja ou o vinho escondidos em papel kraft – na Austrália é proibido beber na rua – enquanto a policia finge que não vê.
E assim curtem o surf old-school dos tiozões de longboard em The Pass ou em The Wreck com a nova geração mais atirada. Isso é só um pouquinho de Byron. Não foi a toa que a lenda Bob Mctavish escolheu a região pra viver e instalar sua fábrica de pranchas.
We are from Brasil Para o brasileiro que está ganhando um bocadinho a mais de dinheiro nessas épocas de crescimento econômico e tem vontade de surfar, de aprender inglês e trabalhar em terras desconhecidas, Byron pode ser uma alternativa, bem alternativa… Morar ali, estudar e participar do cotidiano como cidadão temporário é uma experiência interessante.
Vários mundos em um lugar tão pequeno. Estudantes e jovens mochileiros de todas as partes trocam culturas e fazem a festa. Centenas de turistas compram artigos dos velhos hippies, o vai e vem “levitante” da trupe da yoga nos parques e nas calçadas.
Surfistas carregam suas pranchas nas bicicletas e skates retrô por todos os lados. Aliás, é muito fácil comprar uma bike usada decente por US$ 40 ou US$ 50.
E a mania de ir ao supermercado no final de tarde e ver um universo de coisas acontecerem até o pagamento nos caixas automáticos que falam com você, sem auxilio de atendente. Está aí uma coisa louca pra quem é brasileiro: você passa as suas compras sozinho, põe a mercadoria nas ecobags no geral – a consciência ambiental impera no lugar- paga e vai embora.
Não dá pra ser desonesto nem dar o jeitinho brasileiro de economizar com tanta confiança depositada. A próxima parada do dia é na liquor store pegar algumas cervejas, Stone Wood e Little Criatures são boa pedida, depois curtir o céu estrelado.
Um susto de vez em quando com a passagem dos morcegos gigantes – um batman na real – e terminar a noite tranquilos para o surf do dia seguinte da aula.
Pra quem não quer “a zero horinha e prefere curtir a balada, às quintas-feiras do Cheeky Monkey’s -Restaurant & Party Bar é o lugar pra dançar, paquerar e ver a tal competição de peitinhos das gringas da Camiseta Molhada. Depois da votação comandada pela galera, a vencedora leva pra casa US$ 300. Tudo pela diversão.
Acima de tudo, para aproveitar o investimento de quem decidir ter essa experiência aonde até os tubarões são zen, e ganhar uma bagagem cultural de verdade, há que respeitar as severas regras australianas e das escolas, consequentemente. O visto de estudante é perdido rapidinho e volta deportado pro Brasil quem não atende o número de presença exigido que no geral é 80%.
Aos surfistas “turma do fundão”, vale ressaltar a dedicação aos estudos porque até é legal na busca de um emprego melhor pra fazer um pé-de-meia, já que ali se paga muito bem mesmo. Aí sim: surfar todas as ondas e curtir sem peso na consciência.
O paulistano Paulo Guima que hoje trabalha em um grande agência de viagens especializada em Austrália e Nova Zelândia, diz que achou a cidade perfeita para aprender inglês já que tudo acontece ao ar livre e o contato com pessoas locais, turistas e estudantes é inevitável. Dentro da água, na areia, nos pubs da cidade. As escolas de inglês promovem partidas de beach vôlei, Rúgbi, aulas de surf e kitesurf, passeios de caiaque, mergulho, trilhas nos parques, fatos que nos obriga a interagir e praticar o idioma todo momento.
“De maio a novembro no geral é ondulação atrás de ondulação, picos diversos em toda região, praias desertas, crowd intenso, ondas tubulares, rampas manobráveis, mas se for para eleger um é Lennox Head que não tem crowd. The Pass, em seus dias clássicos tem uma onda democrática, drop vertical no pico, seguido de um tubo seco, abrindo para uma seção mais cheia ótima para manobras onde você encontra profissionais, iniciantes e crianças. Nestes dias você sai nas ruas e encontra a população em êxtase com o sorriso largo”, diz Paulo.
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I‘m an australian citzen Michael O’grady é músico, surfista e dono de uma das escolas de inglês mais legais de Byron qual recebe gente do mundo inteiro. Ele fala um pouco da vida que leva e dá dicas pra os brazucas interessados em trocar o corre-corre pelo sossego.
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Qual é o diferencial de estudar e morar em Byron Bay em comparação com outras cidades australianas?
O lugar e o estilo de vida que as pessoas levam aqui e como elas aprendem no geral. Essas duas coisas fazem total diferença no comportamento dos alunos, funcionários e professores. As pessoas em sua maioria são felizes e se sentem bem quando vivem rodeadas de tanta coisa deleitosa. Fica mais fácil aprender qualquer coisa assim.
Grandes cidades possuem semáforos, ônibus e trens lotados, poluição. Aqui é surf, ar puro, povo alto-astral, bicicletas e caminhadas e alugueis mais baratos.
Qual é o seu ponto de vista sobre os estudantes brasileiros e quais dicas para aprender inglês?
Temos todos os tipos de brasileiros aqui. Alguns são muito esforçados e focados nos estudos. Entretanto há outros priorizam muito mais o surf do que as aulas e precisam melhorar as suas competências linguísticas. Entretanto os brasileiros mais espertos conseguem ter o melhor de ambas as coisas e se dão bem! Boas ondas e inglês na ponta da língua.
Sobre dicas para aprender inglês, definitivamente colocar-se em situações aonde se obriga a usá-lo a maior parte do tempo. Faça amizade com pessoas de diferentes países, não apenas ficar próximo a conterrâneos. O surf, a TV, o rádio e música também são meios bons para melhorar.
Por que você decidiu abrir uma escola de inglês? Qual a relação disso com o surf e música?
Também estudei francês e latim no colégio. Eu também estudo música e descobri que tenho um bom ouvido. Música e idiomas são a mesma coisa – são sons!
Amo surfar, pois é uma das melhores coisas que a natureza pode te dar. O surf combina o exercício físico, o equilíbrio do ser-humano e a amizade. Eu já surfei em muitas partes ao redor do mundo e descobri excelentes lugares e pessoas grandiosas.
Porém agora eu não ando tão interessado em viajar já que tenho uma família linda e achei meu lugar: Byron Bay é o melhor. São eternas as lembranças das tardes com o pôr-do-sol em matizes rosa e lilás e o reflexo da cor céu no oceano lisinho, sem vento. Surfar as ondas daqui e fazer parte desse cenário é surreal.
Minha escola nada mais é que uma combinação de minhas experiências de vida. Eu comecei a escola no “boom” da internet e fui estudando e colhendo informações sobre o potencial dessa grande ferramenta e o que ela pode fazer por escolas, alunos e pelo aprendizado. Uso isso.
E minha paixão pela música trouxe um bônus bacana para os estudantes que além de estudarem, compartilham seus talentos musicais. Nossas noites de “jam sessions” e festa na varanda da escola – onde os alunos também têm aula em dias bonitos – são sempre surpreendentes .
Quais são seu picos de surf preferidos?
Broken Head e The Pass são minhas favoritas, mas por aqui qualquer lugar com boas ondas é bom! Ao lado de “Sucks Rocks”, The Pass tem uma direitona com fundo de areia e rochas que dá para percorrer centenas de metros até Clarkes Beach.
Surfar ali na caída da tarde com o sunset é o surf original. A esticada à Broken Head vale a pena. É outra onda com fundo de areia, mas com bastante pedras. Grandes tubos que funcionam muito bem no inverno e 80% do tempo os golfinhos te fazem companhia.
E sobre os temidos tubarões?
Até hoje só vi tubarão em aquário. Acho que há mais chance de ser atropelado por um ônibus do quer ser atacado por um! Eu não me preocupo com eles. Confira o formato da linha de costa no Google Earth. Você vai ver porque o surf é tão popular em Byron Bay. E depois de um bom surf, boa comida e música em um lugar maneiro, fazem o dia perfeito. Aloha!
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Hospedagem curto-prazo e diversão The Arts Factory Lodge Byron Bay
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