Burle esquenta a chapa em Teahupoo

Carlos Burle é o cara. Campeão mundial de ondas grandes em 98 no México e do XXL em 2002, este pernambucano radicado no Rio de Janeiro mostra que não basta ter talento e determinação para alcançar o sucesso.

 

O fator sorte, ou ter o famoso “pé quente”, também conta muito. Na última viagem que fez ao Taiti, ele errou nas previsões e surfou um mar de apenas 6 pés na temida onda de Teahupoo.

 

Mas, sua estrela acabou brilhando e um mega swell entrou de surpresa, proporcionando altas ondas para o big rider no último dia 11 de setembro, em que ele pegou tubos de tirar o chapéu na famosa esquerda, em uma data marcada pela tragédia dos atentados terroristas em 2001.

 

Confira o relato de Burle sobre o episódio.

Como foi armada essa trip?

 

Na verdade estou planejando essa viagem ao Taiti desde a última temporada no Hawaii. Fiquei em contato com o local Raimana Von Bastolear, meu companheiro de equipe na Red Bull, para definir a data ideal. Durante o evento do WCT, em maio, ele estava muito atarefado, mas me escreveu dizendo que eu poderia ir no próximo swell. O tempo foi passando e poucas ondulações entraram, mas vi um bom swell antes da feira da Califórnia e resolvi ir. Chegando lá constatei que era só uma ondulação de 6 seis pés e fiquei chateado por ter errado na previsão, mas peguei boas ondas na remada. O Raimana foi para a Califórnia e me pediu para não usar o jet-ski em ondas pequenas por ser proibido. Foi aí que um grande swell apareceu no mapa e acabou dando tudo mais do que certo. Raimana voltou e me colocou em um segundo jet-ski com o havaiano Jamie Stearling, também atleta da Red Bull, e fizemos uma dupla.

 

Você foi muito pé quente, em?

 

Fazia muito tempo que não rolava onda no Taiti. Estava dando muita onda na Indonésia e as pressões não deixavam o swell subir para o Pacífico. Foi um swell e tanto, varreu casas, choveu muito e na verdade o vento não estava perfeito.

 

##

 

Como você descreve a onda de Teahupoo nessas condições?

 

Pôxa, você não vê aquela ondulação gigante que estamos acostumados a ver em Jaws ou Maverick’s. A vibração é outra. Ela entra de repente e o impressionante não é o tamanho da ondulação, mas como a crista da onda cresce. Joga muito para frente e a onda fica sem base. Ela é curta também, mas muito intensa.

 

Como é a puxada na onda, sendo ela tão rápida?

 

Não rola aquela puxada longa vinda do fundo como em Cortez, Jaws ou Maverick’s. Fica todo mundo perto e rola tudo bem rápido. Existe o lance de prioridade e tal, e não rola tanta onda grande como estamos acostumados. Rolam muitas intermediárias, mas gigantes são poucas.

 

Você viu a onda do Shane Dorian? É inevitável a comparação com a do Laird Hamilton.

 

A onda do Laird foi incrível. Marcou, foi eleita a onda do século, mas já faz algum tempo. Desde então a performance ali evoluiu. O Shane ficou totalmente dentro do tubo e o Laird na verdade ficou encoberto pela baforada e sumiu. As pranchas estão menores e os surfistas estão ficando muito dentro do tubo.

 

Que prancha você usou?

 

Uma Picollo 6’0 pés. E por incrível que pareça ficou grande. A galera usa entre 5’2 e 5’8, com boa curva na rabeta. Ali a prancha fica apontando o tempo todo para a praia, ela não pode ser reta de curva como em Jaws, por exemplo.

 

Eu vi a filmagem do seu tubo. A prancha embicou lá dentro e você consertou na última hora, colocando as costas na onda, tipo lay back. Foi impressionante, lá dentro mesmo, nada de boca de tubo.

 

Foi survival. Coloquei a experiência de toda minha carreira ali, em centésimos de segundo. Era minha sobrevivência que estava em jogo.

 

Parabéns!

 

Valeu Mauka.

 

Clique aqui e confira a galeria de fotos da session de Carlos Burle em Teahupoo.

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.