América Central

Bulhões e o swell salvador

Amigos há muitos anos, eu e o longboarder profissional Marcelo Freitas tivemos a chance de conhecer um pouco mais da América Central, mais precisamente o já bem famosinho pico de El Sunzal, El Salvador.

 

Como é a primeira vez que tenho a oportunidade de escrever uma matéria, sinto-me no dever de dividir com outros sonhadores o fascínio que tive ao vislumbrar pela primeira vez aquele outside, já que meu parceiro de viagens já está habituado com essa sensação devido às suas conhecidas surf trips com grupos de longboarders.

 

Ao citar especificamente os “sonhadores” refiro-me aos simples mortais que, como eu, devaneiam seus pensamentos ao folhear uma revista de surf ou acessar uma matéria no Waves e ver fotos de diversos picos. Entretanto, depois de conhecer outras ondas, como por exemplo, Chicama, achei que jamais fosse possível encontrar algo tão maravilhoso e encantador.

 

Cheguei ao país no início de maio. Cansado, com fome, mas morrendo de vontade de empurrar água deitado no meu pranchão. Depois de sentar e pedir algo para comer, eis que surge um camarada torrado de sol, rindo, andando em minha direção. Era ele, Marcelo Freitas, que sem nenhuma formalidade foi logo dizendo: “se prepara, tá subindo, acho que amanhã vai estar grande!”.

 

Nessa hora, cansado, com fome e depois de ter saído todo moído da minha poltrona super confortável na classe econômica, respondi: “não vai nada, aqui é só marola e água quente”. Essa era a tentativa de disfarçar a ansiedade, todavia, não obstante dos meus olhos a água subia e agredia cada vez mais as escadas do hotel.

 

No dia seguinte, por volta das 5 horas da manhã, o sujeito levanta da cama e, não satisfeito, me acorda e pergunta: “tá ouvindo? É o barulho do mar!”. Abri os olhos e vagarosamente fui à varanda. Pronto! Meu pesadelo concretizado! E para corroborar, aquela boca grande do Marcelo Freitas que dizia: “num falei, subiu e ainda vai subir mais”.

 

Tirei lentamente minhas duas pranchas da capa, ou seja, uma biquilha e um longboard de isopor – que pesava menos que a primeira. Assim sendo, não teve outra maneira, a não ser surfar. Caminhamos ainda no escuro pela praia, chutando pedras e mais pedras que rolavam com a força das ondas.

 

Entramos no mar, o que foi relativamente fácil, pois aquela bancada foi algo feito por Deus no dia que ele decidiu surfar. Remamos tranquilamente em direção ao outside e ao chegarmos, nos deparamos com ondas que facilmente ultrapassavam os 2 metros, medindo pela frente, por trás, na diagonal, de baixo para cima ou pelo lado que o ilustre leitor quiser escolher.

 

A previsão era continuar subindo durante o dia e por volta das 10 horas já havia até 3 metros de onda. Timidamente remei na primeira e tive a nítida sensação de estar descendo a Imigrantes num belo caminhão sem freio.

 

Portanto, caros amigos, encerro este meu primeiro relato para o site Waves com a firmeza de ter surfado as melhoras ondas da minha vida, ao lado de uma excelente pessoa e exímio surfista, como pode ser comprovado por algumas fotos que selecionei.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.