Billabong Pro Tahiti

Bruninho dá a letra

Bruno Santos atende os fãs depois de vencer o Billabong Pro Tahiti. Foto: Aleko Stergiou.

Depois da histórica vitória de Bruno Santos em Teahupoo, o day after do campeão foi de trabalho, sendo muito requisitado para dar entrevistas e autógrafos, fazer fotos e atender aos amigos. Atleta de Niterói patrocinado pela Rip Curl, Bruninho, com a mesma simplicidade de sempre deu um tempo para atender a reportagem do site Waves e conta como foi surfar de prancha emprestada em plena final.
 
Comente a sua performance nas triagens.
Desde o ano em que a triagem foi aberta venho disputar em Teahupoo, este foi um objetivo que tracei. No ano passado consegui a vaga também, mas não me dei bem no ct. Este ano o mar estava incrível, com altas ondas, foi a melhor triagem aqui até hoje. Na semifinal do trials me machuquei numa vaca, fiz um corte grande  na perna e tive que surfar assim mesmo, com a perna sangrando. Fiz um curativo, mas não segurou. Isso não afetou minha performance na

Bruno Santos pegou uma coleção de tubos para vencer o WCT em Teahupoo. Foto: ASP Kirstin / Covered Images.

final, mas a bateria com o Jamie O’Brien foi casca. O importante é que eu consegui a vaga para o evento principal.
 
Como foi a busca de motivação depois da derrota na estréia?
Eu fiquei meio preocupado na primeira bateria. Cai bastante nas ondas, estava sem o “time” da onda porque fiquei 15 dias sem surfar por causa do corte na perna. Foram 15 pontos na região da coxa. E na bateria contra o Mick Fanning também cai bastante e fui pegando o ritmo. Depois dessa bateria troquei de prancha e aí fiquei tranquilo. A instigação era a mesma.
 
Qual foi o adversário mais difícil?
Todos são difíceis. WCT não tem jeito, tem que botar pra baixo. Wildcard já pega adversários fortes desde o início, então nem fiquei me preocupando muito cotra quem eu ia surfar. Pensava que ia encarar quem quer que fosse. Com preocupação já entraria derrotado logo de cara. O lance é matar um gigante de cada vez.
 
Nas quartas contra o Mineiro você aliviou no finalzinho?
Eu vacilei. Achei que a onda era ruim e não remei. Quando vi o Mineiro entrando na onda bateu aquela preocupação. Mas não aliviei não. Ele quase virou. Foi um erro de estratégia, mas graças a Deus deu tudo certo.
 
Fale das pranchas que trouxe para o Tahiti.
Eu só trouxe quatro pranchas do shaper Joca Secco – 5″11, 6″1, 6″3, 6″7. Quebrei a 5″11 no trials. No dia que deu o marzão e que a galera estava fazendo tow-in, peguei umas ondas iradas com a 6″7 e o mar estava com séries de 18 pés. Peguei umas intermediárias grandes também, aí, no dia seguinte ela quebrou. Na real, a única prancha que sobrou foi a 6″3.
 
E na final com que prancha você surfou no mar pequeno?
Quando ia olhar o mar todo dia pela manhã, eu via um cara passando com uma pranchinha que só de ver fiquei amarradão. O cara tava fazendo a transmissão em hebraico para o webcast. Na final, como o mar tava marola, bati ali na casa do cara e pedi a a prancha emprestada, uma 5″9. Estreei ela na bateria e foi show. Ela me deu sorte, ainda bem! (risos)

Na final como foi a pressão de surfar contra o local?
Eu nem liguei pra aquilo. Já tinha chegado até ali e logo no início peguei uma onda que foi média. Na de trás o Manoa caiu. Então, fiquei com a prioridade. Queria trocar a minha nota, só que não entrava mais onda. Fiquei 20 minutos com a prioridade. Aí, no final peguei aquela onda do aerial. Foi show e eu também tinha minha torcida, que fez bastante barulho também. Toda a galera estava lá.
 
O que você tem a dizer sobre o comentário de Léo Neves publicado na Fluir a seu respeito?
Léo é meu brother, a gente se fala direto. Aqui mesmo no Tahiti ele estava torcendo. Isso é coisa da mídia.

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