Stephanie Bruna Schmitz chegou lá! Muitos nem sabem que este é o primeiro nome da surfista paranaense de 18 anos que acaba de se classificar para a elite do surf mundial.
Desde cedo já tinha decidido quais nomes queria usar, e isso é apenas uma mostra da personalidade desta atleta. Uma competidora nata que no início disputava campeonatos contra os garotos por não ter meninas da sua idade para competir.
Ao final da última das 14 etapas do WQS 2008, nesta quinta-feira, Bruna comemorou a classificação. ?Eu fui para água sabendo que não estava classificada. Não queria ficar esperando se uma vaga iria sobrar do World Tour. Ainda tem duas etapas e eu vim ao Hawaii conseguir a classificação por mim?, disse, por telefone, direto da casa onde está hospedada, com vista para o a praia da competição em Haleiwa.
E foi em Haleiwa que ela teve a sua melhor participação em etapas havaianas. Ao lado de Silvana Lima, foi a brasileira melhor colocada, chegando até as quartas-de-final e terminando com a nona colocação.
?Eu sabia que chegando em nono não poderia mais ser alcançada. Agora sim sei que terminou. Estou muito feliz?, vibrou a surfista de Matinhos que, mesmo nova ,tem experiência.
Esta é a quinta temporada da paranaense no arquipélago. Ela já estava lá aos 13 anos, quando foi sozinha depois de ganhar a passagem pela vitória no ?Circuito a Onda dos Sonhos? e a etapa do Pro Junior, disputados em Maresias, em 2003.
Com o resultado, ela termina o ano com 7.300 pontos, na sexta colocação final. Silvana e as australianas Rebecca Woods e Jessi Miley-Dyer hoje também estão entre as Top 10 do World Tour e por isso Schmitz é a terceira colocada no ranking de entradas do WQS, devendo ganhar a posição de 13ª melhor surfista profissional do mundo.
World Tour já em 2008 – Ainda como prêmio pela bela campanha no ano, seu patrocinador, a Quiksilver, deu uma vaga nas triagens do Roxy Pro, a penúltima etapa do World Tour deste ano, que acontece em Sunset, a partir do próximo dia 24.
?Fiquei feliz também por ter esta oportunidade. Vai ser legal se eu conseguir chegar ao evento principal e já poder sentir como é participar?, comentou a paranaense que ano que estará de volta também na última, na Ilha de Maui.
Há cinco anos ela estava lá. Mas, sentada no canal de Honolua Bay, como caddie de Jacqueline Silva e a sua prancha reserva durante o Billabong Pro. Era a sua primeira temporada no Hawaii sem direito a Natal e Ano Novo com a família, que ficou em Matinhos. ?Eu gosto daqui. No Hawaii só aconteceram coisas muito boas pra mim?, confessa Bruna.
A classificação – Para quem acompanha de perto o mundial de surf feminino, a classificação de Bruna Schmitz não é surpresa. Mesmo sendo apenas seis vagas em disputa, ela esteve entre as classificadas da primeira a última etapa.
Logo na primeira, em Phillip Island, Austrália, foi vice-campeã do 6 estrelas Roxy Pro Womens Surfing Festival. No segundo 6 estrelas da temporada, em Newcastle, chegou às quartas-de-final. Quando o circuito chegou à África do Sul, Bruna foi buscar um lugar na semifinal do tradicional Mr. Price Pro em Durban.
E pra não fazer feio em casa, somou mais alguns pontos importantes com a quinta posição no Billabong Ladies Pro, em Santa Catarina. Com estes resultados ela embarcou para o Hawaii precisando apenas confirmar a sua vaga. E foi com a nona colocação no Reef Hawaiian Pro que a sua primeira jornada chegou ao fim.
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Nada é por acaso – Grandes vitórias e aproveitamento das oportunidades foram os motivos que levaram a paranaense da pequena cidade de Salto do Lontra, no interior do estado, para a elite do surf mundial.
?A Bruna começou a surfar no verão de 1999 / 2000. Incentivada pelos irmãos entrou para escolinha da Federação. Mais de 100 meninos e meninas participaram, mas chegou o inverno e quase todo mundo sumiu?, conta Rodrigo Tusca, manager da atleta.
?Das meninas só sobrou ela. Com uma prancha maior do que devia, enfiada numa roupa de borracha por onde entrava mais água do que protegia. Eu pensei: esta é guerreira, vale apostar, merece oportunidade?.
Equador aos 11 anos – A primeira viagem internacional foi para o Equador em 2002. Durante a temporada de um mês aproveitando a passagem do fenômeno ?El Niño? ela teve o primeiro contato com ondas de qualidade.
Campeã Pro Jr aos 13 – Maresias, 2003. Bruna vence a etapa brasileira em Maresias e ainda leva a disputa amadora. De prêmio uma passagem para o Hawaii. Sozinha, foi com seus 13 anos e só voltou depois de sentir e surfar o arquipélago. Não se intimidou e não deixou mais de treinar lá todos os anos, retornando em 2005, 2006, 2007 e 2008, sempre em longas temporadas, nunca menores do que dois meses.
Bicampeã Sub-16 – O Rip Curl Grom Search é a mais importante e incentivadora competição amadora do País. E Bruna levou o título duas vezes, em 2004 e 2005. O prêmio? Passagem para Austrália, curso de inglês com intercâmbio cultural e vaga na final do Mundial Sub-16.
A paranaense não teve problemas para se adaptar às casas de famílias australianas, seguia todos os dias para escola aprender inglês e treinar à tarde. Voltou ainda com a terceira colocação na grande final já na sua primeira participação. No ano seguinte venceu novamente a seletiva brasileira e seguiu novamente para mais 40 dias na ?terra dos cangurus?. Aos 16 anos já falava inglês e hoje estuda também francês.
Profissionalização aos 15 anos ? Mal começou a temporada de 2005 e Bruna Schmitz chegou do Hawaii, embarcou para Torres, no Rio Grande do Sul, e venceu a primeira etapa do Brasileiro de Surf Profissional. Com a premiação investiu numa filmadora para a mãe poder filmá-la nos treinos em Matinhos. Ao final do ano estava classificada para a elite do surf brasileiro.
Revelação do SuperSurf ? No ano de estréia surpreendeu ao chegar ao pódio em duas das cinco etapas, pulando para o ?Top 5? e recebendo o troféu de revelação do circuito.
Quatro convocações ? Bruna Schmitz esteve com a equipe brasileira de surf da CBS na conquista da medalha de bronze no ISA World Junior no Tahiti, em 2003, prata na Califórnia em 2004 e também em Portugal, no ano de 2005. O ouro veio no Pan-Americano de Surf no Peru em 2006.
Volta ao mundo ? A experiência de Bruna Schmitz pode ser calculada por suas milhas. Há sete anos na estrada, em viagens pelo Brasil e pelo mundo, ela já esteve em mais de dez países. Além das temporadas havaianas e australianas, já surfou e competiu na África do Sul, Indonésia, Nova Caledônia, França, Portugal e Espanha; além de presença constante na Califórnia.
É com esta bagagem toda que a paranaense vai estrear na elite mundial em 2009. E mesmo os 18 anos de idade não vão iludi-la de que conseguiu. Bruna não vai deixar de comemorar, mas sabe que quando a nova temporada começar, um novo capítulo precisará ser escrito.



