
Quatorze anos de idade e quatro viagens internacionais na bagagem. A surfista paranaense Bruna Schmitz embarca no próximo domingo (20/3) para a Austrália e será a única representante brasileira na decisão do título mundial amador feminino sub-16.
A vaga foi conquistada por Bruna na seletiva 2004, disputada nas praias de Florianópolis, Barra da Tijuca e no Guarujá. A pequena surfista deixou para trás outras vinte atletas de todo o país.
Esta será a primeira vez que o título do Rip Curl Grom Search será disputado e o local é perfeito para as garotas.

“Será em Bells Beach, a praia do sino em Victória, Melbourne”, informa Schmitz, de apenas 14 anos, que garante não estar preocupada em enfrentar as surfistas mais velhas.
“Sei que tem atletas com 16 anos, mas eu sempre competi contra surfistas mais velhas. Vai ser legal ir para Austrália, quero ver muitos cangurus e coalas, e tirar muitas fotos também”.
Bruna nasceu em Salto do Lontra ? interior do Paraná ? e com oito anos foi morar em Matinhos. Aos dez já fazia escolinha de surf . No mesmo ano participou da sua primeira competição e aos onze iniciou a carreira internacional.
Foi para o Equador, onde ficou um mês treinando e produzindo reportagens. Aos 13 conquistou o título de Campeã Brasileira Pro Júnior e, além do dinheiro, ficou com a passagem para o Hawaii. Viajou sozinha, treinou e acompanhou a decisão dos títulos mundiais masculino e feminino.
Ano passado foi a quarta colocada no ranking brasileiro sub-18 e foi convocada para fazer parte do time brasileiro no mundial júnior da ISA disputado no Tahiti. O Brasil ficou na terceira colocação e Bruna subiu ao pódio para receber a medalha de bronze junto com toda a delegação.
Nova contratada – Agora Schmitz parte para outro campeonato mundial e desta vez vai sozinha. Sem equipe, sem treinador. “Vai ser a experiência mais importante da minha vida” acredita.
Além da competição, que dura uma semana, Bruna vai fazer intercâmbio, produzir reportagens e ser apresentada ao seu novo time internacional. Ela acaba de ser contratada pela Roxy, a linha feminina da Quiksilver, maior empresa de surf wear do mundo.
“Os australianos da Quiksilver ficaram muito felizes com a contratação dela, vão dar todo suporte e levá-la na fábrica para pegar todas as roupas, acessórios e neoprenes que ela precise. Por isso tudo vamos aproveitar e deixá-la mais tempo por lá”, revela Felipe Motta, diretor de markenting da empresa no Brasil.
Com uma carreira curta, mas recheada de acontecimentos, Bruna vê sua estrela brilhar ainda mais com esta participação. O evento será paralelo à segunda etapa do Circuito Mundial WCT e a surfistinha, além de competir, poderá ver de perto os melhores surfistas profissionais do mundo em ação.
“Além de ver o Kelly Slater, a Jaqueline Silva e outros surfistas vai ser bem legal porque a onda de Bells Beach é muito parecida com Matinhos, onde treino todos os dias”, diz Bruna, que pesquisou tudo sobre o evento. “Lá é bem melhor do que aqui. A onda tem mais de 400 metros e a água é bem gelada”.
Califórnia – E se com 14 anos a pequena já tem quatro viagens nas costas, com 15 pode chegar a seis viagens. Este ano Bruna conquistou o bicampeonato do Rip Curl Grom Search e será novamente a representante brasileira na segunda edição do título mundial, também na Austrália, em 2006.
Além disso, o prêmio deste evento, além da passagem e da vaga, é um curso completo de intercâmbio cultural com um mês de aula numa escola australiana, estadia e alimentação.
“Nem acredito que ganhei novamente. Agora a Austrália ficou ainda mais importante, pois ano que vem vou estudar lá e preciso entender pelo menos um pouco de Inglês”.
E antes de repetir a dose na terra dos cangurus, Schmitz pode fazer uma parada na Califórnia, onde em outubro acontece o ISA Games 2005, as olimpíadas das quais participam mais de 30 países do mundo. O Brasil levará quatro atletas com até 18 anos e a paranaense já está em quarto lugar no ranking deste ano.