Neste ano, novamente organizei uma barca – junto com uma turma de profissionais liberais – rumo ao Sul do Peru. A base da surf trip foi na Praia de Punta Hermosa, na Pousada da Família Luisfer, que nos recebeu com a habitual hospitalidade “Natalina”. A nossa intenção inicial era ir rumo ao sul da região de Punta Hermosa.
No time: eu, Plácido Trigueiro, professor; Sueldo Soares, petroleiro e músico; Dr. Ricardo Maia, oftalmologista; Hilmar Carioca, aeroportuário; Jr. Primata, professor da UFRN e músico; Marcel Dore, empresário e também músico; Hysaac Spencer, advogado; Ricardo (Parna), aeronáutico; Miguel Bessa, empresário; e Tobias Navarro, engenheiro.
Logo que chegamos à pousada, o Mestre Luisfer nos avisou que nesta época do ano havia muita corrente marinha ao Sul. Diante da informação, prestada por um dos que mais entende do mar peruano, resolvemos que o ideal era ficar no trecho entre Cerro Azul e La Isla.
Escrever algo sobre as “trips” e “olas” peruanas é muito fácil. Um exemplo disso é que o título desta matéria, “Carrossel Peruano”, se deu em razão da praia de nome Cerro Azul. O point levou nosso grupo ao delírio. Não só pela beleza do lugar ou pelo tratamento de primeira no Restaurante Juanito, mas principalmente pelo Netuno Inca. Ele nos recebeu com um swell de até 2 metros nas séries. Foram quatro dias de surf em excelentes condições.
Para os que já tiveram a oportunidade de estar lá, só para se ter uma idéia das ondas que encontramos, as três sessões funcionavam. A primeira iniciava lá fora, na linha do morro, corria a baia e beirava o píer até a areia. As maiores da série faziam a grata gentileza de abrir por fora do píer e entravam na baía do outro lado. Resultado: aproximadamente 500 metros de extensão. Entenderam agora o termo “carrossel”?
Todos que desfrutaram deste ”parque de diversão“ pareciam crianças andando de volta para o pico. Sorrisos largos e abertos estampavam os rostos. Para completar, ainda tivemos o privilégio de surfar o dia inteiro com a família Luisfer (o próprio Luisfer, Flavia, José, Luisinho e agregados). Fica o nosso especial agradecimento a essa família que é um exemplo de amor ao surf.
Dos dez surfistas, só três tinham experiência no Peru. Os demais eram novatos. Então fomos ao batismo. Desta vez, na velha La Isla. Estava nervosa, com séries de 2 metros. Para não faltar nada, a onda balançava e a corrente puxava para baixo do pico. Diante dessa recepção, todos ficaram assustados. Aos poucos se adaptaram com a roupa de borracaha, a água fria, o volume, a força e a massa d’água. Para minha surpresa, a galera mostrou muita disposição e surf.
Fizemos duas caídas perfeitas na majestosa Punta Rocas. Cada onda surfada pelo grupo me fazia sentir uma satisfação imensa. Era como se fosse eu que estivesse ali. Mas não fiquei só olhando, tive o prazer de passar pelo píer de Cerro e surfar uma nova onda. Os locais apelidaram o point de Kombito (Pico Altito).
Parna demonstrou tranquilidade e surfou muito bem de fun. Ele desceu sua maior onda em Pico Altito na sua 6’8, com direito a torcida e tudo mais e foi muito bem na Punta Rocas.
Dr. Ricardo mostrou-se completamente à vontade e preparado fisicamente. Principalmente no carrossel de Cerro Azul, que ele mesmo adotou como sua ”Disney”. Também teve tranquilidade em Rocas e La Isla. No Pico Altito, deu um drop no vácuo, lá de cima.
O experiente Hilmar Carioca, estudava as condições e se posicionava sempre a espera das rainhas. Pegou ótimas ondas principalmente em Puerto Viejo, onde foi fotografado numa das maiores da trip.
Nosso prodígio, Hysaac, surfista de muita explosão e radicalidade, fez sua primeira caída em Punta Rocas. Demonstrou tanta intimidade com as ondas que impressionou os presentes.
O caçula Tobias Navarro, acima de tudo, teve tranquilidade e encarou todos os picos. Estava sempre sereno e procurando se posicionar no outside. Andou bem em Cerro Azul e dropou sua maior onda em Pico Altito.
Marcel Dore demonstrou atitude em todas as sessions. Desbravamos o Pico Altito com muita adrenalina. Ficamos bem em baixo do pico. Muitas vezes dropamos por traz dele.
Jr. Primata, embora preparado fisicamente, chegou meio encabulado, com uma tal de fun que só tinha dado duas caidinhas em Natal (RN). Mas logo na primeira bateria mandou ver numa direita daquelas. Surfou com muita segurança e atitude.
Outra surpresa – pela disposição e atitude – foi Miguel, que não se intimidou com as ondas e sempre procurou ficar lá fora para pegar as maiores. Estava sempre no line up dos points: Pico Altito, Punta Rocas ou La Isla.
Agora é a hora da revelação da trip. Um tal “Tranquilo Style”, seu nome verdadeiro: Sueldo Soares. Com apenas quatro anos de surf ele não amarelou. Com ajuda e torcida da galera, botou literalmente para baixo em todos os points. Andou muito e começou seus primeiros passos para manobrar com seu estilo “style”. A galera pirou ao ver ”nascer um novo surfista”.
Mas com tanto músico e não rolou um som? Sim, rolou um som bem brasileiro. Nossa galera mandou ver e deixou os peruanos com os olhos bem abertos e os ouvidos atentos.
Para finalizar, agradecemos ao Deus Inca pelas inesquecíveis ondas. Somos gratos por seus filhos mais próximos, os peruanos, que nos receberam com toda gentileza. Fomos muito bem tratados dentro e fora d’água. De volta ao Brasil, fica a certeza que em breve voltaremos.
Nós, que viajamos nessa inesquecível surf trip, gostaríamos de exteriorizar o mais sincero agradecimento ao amigo Plácido Trigueiro, que de forma ímpar organizou toda esta surf trip desde o início e nos orientou nos mais diferentes aspectos: do costume local até o cuidado em alguns picos. Parabéns amigo e muito obrigado.
Confira acima a galeria de fotos da galera na barca peruana. Para obter mais informações sobre o surf no Peru, acesse Luisfer Surf Camp.









