Realizado anualmente desde 1963 em Virginia Beach, Virginia, o East Coast Surfing Championship é o evento mais tradicional dos Estados Unidos.
É o segundo evento de surf mais tradicional do mundo, superado apenas pela prova do circuito WCT realizada todos os em Bells Beach, Austrália.
Este ano o evento contou com a participação de mais de 980 inscritos nas diversas categorias, entre elas, uma etapa do nível 2 estrelas do WQS 2, uma seletiva da ASP North America no Pro Junior, além das categorias Open e Júnior, as mais fortes do surf amador.
Para esta edição, Paul West, organizador do evento, convidou os brasileiros Jadson André, 17, atual campeão mundial Junior, e Miguel Pupo, 15, para participarem da competição, além de Marcos Bukão para ser diretor de prova.
A competição teve inicio no dia 22 de agosto, sempre com dois palanques de julgamento.
Acompanhado pelo técnico e manager Luiz Pinga, Jadson e Miguel representaram o Brasil da melhor maneira possível.
Jadson venceu a categoria Júnior e ficou em segundo no WQS. Já Miguel Pupo venceu as categorias Open e Pro Júnior.
Os dois mostraram um surf altamente competitivo e passaram todas as baterias nas categorias Júnior e Open em primeiro lugar até a final.
Com notas acima na maioria das vezes acima de 8.50 pontos, os dois não deram chance aos adversários.
Na final da Pro Júnior, com um surf de veloz e manobras fortes, Miguel dominou praticamente toda bateria. Autor de notas 7.17 e 8.83, Miguel teve apenas que administrar a vitória.
Em segundo lugar ficou o havaiano Sebastian Virz, os norte-americanos Blade Jones e Phillip Gold terminaram na terceira e quarta colocação, respectivamente.
“Este resultado é muito importante para mim, pois é um evento muito importante aqui nos Estados Unidos e reúne toda mídia e mercado. A bateria foi muito boa, mas logo consegui pegar uma boa onda e isto me deu mais confiança para voltar para o pico e pegar mais uma. Depois foi só me posicionar bem e administrar”, comenta o sebastianense Miguel Pupo.
A final do WQS foi marcada por uma situação muito desagradável. Logo depois que Jadson pegou duas ondas boas e se distanciou na liderança da bateria, o floridiano Aaron Cormican e o californiano Adam Virs, passaram a ofender o brasileiro com palavras racistas e ameaças de agressão física dentro da água.
Adam Virs praticamente desistiu da bateria para ficar o tempo todo em cima do brasileiro. Com isto, Cormican aproveitou a liberdade para pegar uma onda e virar o resultado com uma nota duvidosa.
A partir daí, o que se viu foi uma seqüência de ofensas e ameaças ao brasileiro, que teve uma atitude tranqüila e procurou se afastar e pegar uma onda para tentar reverter a situação.
No final, Aaron venceu a disputa, e nem comemorou. Quem realmente comemorou foi Virs, que demostrou no mínimo uma atitude muito estranha.
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Poucas pessoas aplaudiram a vitória do floridiano, pois a maioria das outras que assistiam da praia foram cumprimentar Jadson pelo surf e pela atitude dentro d?água.
“Procurei fazer meu surf e tentar a vitória. Mas todos viram o que aconteceu. Sei que isto vai ser muito importante para mim como experiência para o futuro. O importante é que viemos aqui com um objetivo e o cumprimos?.
?Mesmo com tudo o que rolou estou muito feliz, pois todos viram meu surf e quem sou eu. Fora o fato de termos feito muitos amigos aqui. Este lugar é muito legal e as pessoas são bastante amigas, com certeza voltarei mais vezes”, disse Jadson.
“Este evento é muito tradicional na América, todo mercado olha para ele com atenção. Pois neste evento vários atletas foram descobertos, os últimos mais conhecidos são os irmãos Hobgood. Portanto é uma vitrine e uma grande oportunidade de uma garoto conseguir destaque e um bom patrocínio”, finaliza Jadson.
O que posso dizer é que os dois simplesmente quebraram em todos os aspectos: estavam bem concentrados, sabiam da importância do evento e mostraram uma força impressionante dentro da água, e conquistar o respeito e a amizade das pessoas.
Mesmo a atitude patética dos caras na final do WQS, não estragaram a semana. Nosso objetivo de fazer um bom trabalho e chegar à final de todas as categorias, para depois buscar a vitória foi alcançado.
Outra coisa legal foi a presença de Salvador Parisi, presidente da Oakley na America do Sul no dia da final. Parisi estava acompanhado pelo irmão e viu com os próprios olhos as performances e atitude dos moleques, além de sentir mais uma vez o feeling de um grande evento de surf internacional fora do Brasil.
Vale lembrar que foi neste evento em 2002 que o Adriano de Souza, o Mineirinho, ficou conhecido em toda América. E a partir daí as coisas começaram a fluir para ele internacionalmente.