No terceiro dia de competições do Quiksilver ISA World Surfing Games 2002, que está sendo realizado em Durban, África do Sul, os brasileiros mantiveram boa performance em ondas de até meio metro.
Nesta segunda-feira, Neymara Carvalho (ES) venceu sem dificuldades suas adversárias e avançou para a semifinal da fase principal do bodyboard feminino.
A surfista Yries Pereira, também capixaba, passou por Rosaura Alvarez, da Venezuela, e Sarah Whiteley, do Reino Unido.
No mesmo momento, o carioca Marcelo Freitas, atual campeão mundial do ISA World Surfing Games de longboard, confirmou seu favoritismo e seguiu adiante.
Para fechar a bela atuação das brasileiras, Tais de Almeida (RJ) liderou sua bateria do início ao fim contra uma inglesa e uma venezuelana.
Enquanto o júnior Simão Romão (RJ) dava duro no japonês Akira Nakaua, o kneeboarder Eduardo Machado (RJ), tentava se encaixar no pico certo para tentar correr atrás dos pontos necessários para passar a bateria.
Naquele momento, as ondas estavam melhores no pico de Bay of Plenty. Porém, Eduardo Machado não conseguiu seguir adiante no kneeboard, caindo para a primeira repescagem.
Do outro lado, Simão administrou bem as ondas de New Pier e passou para a próxima fase.
O palanque do sul, em New Pier, é o local dos confrontos da categoria Júnior e foi nas ondas da maré enchente que Jean da Silva (SC) se reergueu na competição, despachando com tranqüilidade um marroquino e um israelense na primeira repescagem.
Depois de algumas baterias a organização decidiu cancelar as atividades em New Pier por conta das condições ruins que se apresentavam.
Entre os bodyboarders da categoria masculino, somente Paulo Barcellos (RJ) entrou em cena, desta vez para mostrar o surf de campeão mundial de 2001.
Mais adaptado às condições do palanque norte, em Bay of Plenty, Paulo venceu seus adversários da repescagem.
No palanque central, localizado em North Beach, os atletas da Open eram a maior atração, com atenção especial para o paranaense Jihad Khodr. Ele deu um show à parte nas difíceis e pequenas condições.
O primeiro da lista Open a disputar uma vaga na terceira fase foi Bruno Moreira, segundo colocado atrás de Patrick Beven, brasileiro naturalizado francês.
Três baterias depois, Wilson Nora (BA), capitão do time, encarou Eric Rebiere, mais um franco-brasileiro, o inglês John Buchorsky e o neo-zelandês Zennor Wernham.
Desta vez, Nora não se conectou e acabou perdendo sua bateria, indo para a repescagem. ?Agora na repescagem não vai ter nem graça. Vou entrar instigado e vencer todas?, disse brincando Nora, sem perder o alto-astral.
Logo em seguida, Gustavo Fernandes (RJ) entrou em cena muito concentrado e carimbou sua vaga para a próxima fase.
?Guga está se saindo muito bem e é um dos destaques da equipe?, disse Jordão Bailo, técnico da equipe.
Para encerrar a participação brasileira no dia de hoje, Jihad Khodr (PR) reuniu um grande público para ver seu surf veloz e agressivo nas pequenas ondas de North Beach.
Jihad não deu chance e logo na primeira onda fez 9,47 pontos, com direito a rasgadas, batidas e um aéreo. Em seguida, fez mais duas ondas regulares e tirou aplausos de toda a equipe e rivais.
?Não sei de onde apareceu àquela onda! Fui dando nela e quando deu voei perfeito… Bem que podia ter saído um 10!?, disse Jihad, 19 anos, e a maior revelação do campeonato.
Água-viva ? Centenas de águas-vivas gigantes vêm infernizando a vida dos competidores durante as baterias do Quiksilver ISA World Surfing Games.
?Ela queima, dói pra caramba e deixa uma cicatriz feia?, disse Jean da Silva, depois de queimar a perna direita.
?Elas são tão grandes que é possível enxergá-las da areia quando a onda se forma?, informou Jean.
?Dói somente na hora, depois fica um vergão?, concordou Marcelo Freitas, também atingido pela ação dos tentáculos do terror dos surfistas no evento.