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| Aos 33 anos, Fábio Gouveia mostrou que ainda vai dar trabalho à nova geração. Foto: Pierre Tostee/ASP. |
A temporada européia do surf profissional sempre foi favorável aos brasileiros. Neste ano já temos duas vitórias em dois eventos seis estrelas pelo WQS, circuito classificatório para o WCT, primeira divisão do surf mundial.
A primeira aconteceu em Anglet, com o paraibano Fábio Gouveia, e a outra rolou na última segunda-feira (19/08) em Lacanau, com o catarinense Flávio ?Teco? Padaratz. Não por acaso, são dois dos maiores surfistas brasileiros da história, veteranos do circuito que estão mostrando aos mais novos que, com seriedade e cuidados físicos, é possível manter a carreira após os 30 anos.
Estas vitórias foram muito importantes e mostram a supremacia brasileira em águas européias, pois ganhar um seis estrelas nesta altura do ano pode dar a tranqüilidade necessária para uma classificação ao WCT 2003, tirando o peso de ter que marcar pontos de qualquer maneira nas próximas etapas do Grand Slam na Europa.
É bem verdade que os brasileiros não estão bem no WCT este ano, mas ainda há tempo de reação. Tivemos problemas de contusões e até malaria, no caso do Teco, além do que, o formato deste ano favorece àqueles que se adaptam melhor aos point-breaks (fundos de pedra).
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| Depois de ficar 3 meses parado por ter conraído malária, Teco Padaratz voltou com tudo e levou o caneco em Lacanau. Foto: Pierre Tostee/ASP. |
Nossos surfistas precisam melhorar a performance em ondas como Jeffrey?s Bay, Bell?s Beach, Teahupoo, entre outras. Em beach-breaks não precisamos provar mais nada, seja na África, na França ou na Califórnia. Já conquistamos vitórias em quase todas as praias de fundo de areia, mas precisamos quebrar as barreiras dos fundos de pedra.
O curioso é que estas provas faziam parte do antigo circuito WCT, e agora estão no WQS. Sei que não é fácil, pois os gringos já nasceram em cima e conhecem muito bem o caminho das pedras, aprenderam a surfar em ondas longas e perfeitas e nós precisamos corrigir nossas deficiências.
Surfistas como Teco, Fabinho, Peterson, Renan e Vitor já têm horas de vôo suficientes e plenas condições de ganhar em ondas perfeitas, mas os mais novos devem ralar muito no Hawaii, no Tahiti e em outros paraísos para este novo formato do WCT de ondas perfeitas.
Arrisco dizer, inclusive, que este novo formato foi criado para adiar a ascensão do surf brasileiro. Pode até adiar, mas não impedir.
