Brasileiros confirmam presença no Tow In World Cup

Carlos Burle, Eraldo Gueiros, Rodrigo Resende e o estreante Sylvio Mancusi confirmaram presença no Tow In World Cup, campeonato mundial de ondas grandes, que acontece em Jaws, Hawaii.

 

A prova, marcada para rolar entre os dias 20 de dezembro e 28 de fevereiro, oferece US$ 100 mil à dupla vencedora, maior premiação por um título na história do surf. 

 

Burle e Gueiros formam a dupla 100% nacional. Já Rodrigo Resende, atual campeão do evento, tem como companheiro o havaiano Garret McNamara e Mancusi, de 27 anos, compete com Manny Carabello, também do Hawaii.

 

?Fiquei muito feliz com o convite para disputar o evento. Sinto muito orgulho de hoje estar ao lado de surfistas que eram meus ídolos. Eu os acompanhava em revistas e hoje estou participando do maior campeonato de ondas gigantes do mundo com eles?, comemorou Mancusi. 

 

Em função do fenômeno El Niño, a expectativa é de que o mar esteja grande, podendo superar a marca de 35 pés (cerca de 13 metros) alcançada na primeira edição do evento.

 

Rodrigo Resende não esconde sua ansiedade em relação à competição. ?Sem dúvida, foi o campeonato com as maiores e melhores ondas surfadas no mundo. É muito bom estar participando novamente. Minha expectativa é que as ondas estejam tão grandes e boas quanto as do ano passado?.

 

Devido à escassez de ondas grandes no Brasil, Burle, Rodrigo, Eraldo e Mancusi tiveram de viajar para outros países, como o Chile e Peru, para treinarem. No Brasil, eles têm de recorrer a outros esportes para aprimorar o condicionamento físico, enquanto no mar trabalham mais a parte técnica do Tow In. 

 

?Na realidade o nosso treinamento é feito desde sempre, não é de agora. Eu prezo muito meu lado psicológico e para estar tranqüilo no campeonato pratico ioga. Aqui no Brasil eu e o Burle treinamos a parte técnica aprimorando o resgate e as puxadas. Me condiciono fisicamente, principalmente, com natação?, disse Eraldo.

 

Local de Jaws, Manny Carabello tem um modo inusitado de se preparar para as competições.

 

?Eu tenho a sorte de ter nascido em Jaws e também de viver lá. Estou sempre me mexendo, surfando as ondas de lá e corro muito no ar rarefeito dos vulcões de Maui. Trabalho a minha parte psicológica nadando em meio aos tubarões?.

 

Carabello acredita que a rivalidade entre surfistas de diferentes nacionalidades, além de ser saudável, eleva a competitividade e, conseqüentemente, o nível do esporte.

 

?A rivalidade entre diferentes países no surf é comum, acontece. Isso tem um lado que é bom. Estimula as equipes e tem feito o nível do surf crescer. Os brasileiros já provaram que são tão bons quanto os havaianos e isso não vai parar com o passar dos anos?.

 

?A vitória do Rodrigo foi muito boa para a gente. Aumentou o nível do surf brasileiro e fez com que a grande mídia se voltasse para o esporte. Qualquer coisa que agregue valor à imagem do surf é positiva para o esporte em geral, não só para a modalidade tow in?, explicou Burle.

 

As imagens da primeira edição do evento poderão ser conferidas no longa metragem Billabong Odyssey, que está sendo finalizado em Nova Iorque e tem previsão de lançamento mundial para abril de 2003.

 

O documentário, produzido pelo Estúdios Mega em associação com a produtora Arenaplex, mostra os surfistas mais corajosos do planeta viajando pelo mundo em busca da onda de 100 pés (cerca de 33 metros).

 

O filme exibe ondas surfadas no Tahiti, França, Austrália, Espanha, México e Califórnia, além de Jaws, onde foram registradas as maiores, justamente na Tow In World Cup 2001.

 

Rosaldo Cavalcanti, organizador do campeonato, acredita que o Billabong Odyssey pode ser um dos melhores filmes de surf da história.

 

?As imagens que o Estudios Mega captou em Jaws atraíram a atenção do diretor do filme. Isto foi o que levou a produtora a se associar à Arenaplex para fazer um longa metragem que tem tudo para entrar na história como o melhor já produzido do gênero?.

      

?A Tow In World Cup deu outra dimensão ao surf. Estou muito feliz em ver empresas brasileiras patrocinando um evento desse porte lá fora. Os surfistas brasileiros sempre se destacaram em campeonatos de ondas grandes, mas normalmente o investimento nesse tipo de competição era feito por empresas americanas ou australianas. O Estúdios Mega está demonstrando uma enorme preocupação do Brasil com o surf ao patrocinar o evento novamente?, afirmou Resende.

 

As duplas serão divididas em baterias de três e entrarão na água duas vezes. Não haverá eliminação e as seis melhores ondas de cada dupla serão levadas em consideração, durante a avaliação no fim do único dia de disputa. É obrigatório que os dois integrantes da parceria surfem e pilotem o jet-ski.

 

 

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