Brasileiros caem na terceira fase

Nenhum brasileiro passou da terceira fase do Rip Curl Pro, que acontece em Torquay, Austrália. Nesta quarta-feira, o grande destaque na praia de Woolamai Beach foi a atuação do aussie Joel Parkinson, atual campeão da etapa, na bateria contra o carioca Victor Ribas.

 

Não foi desta vez que os brasileiros voltam da Austrália com bons resultados na bagagem.

 

Marcelo Nunes foi derrotado pelo australiano Luke Egan na primeira disputa por uma vaga nas oitavas-de-final do Rip Curl Pro.

 

E o potiguar em sua primeira onda abriu com uma nota 7,67. O veterano Luke Egan respondeu com um 7,5 e recebeu 6,33 pontos em sua segunda apresentação, com o brasileiro continuando na frente com uma nota 7,70. Só que o australiano quebra uma longa esquerda e recebe nota 9,60 dos juízes.

 

Os brasileiros protestaram, achando que supervalorizaram mais uma vez as ondas do australiano, assim como já haviam feito para o mesmo na última onda que ele pegou para virar o resultado contra o catarinense Jean da Silva na repescagem.

 

PROTESTOS E ABANDONO – Os dois vieram numa outra boa série que entrou faltando 8 minutos para o fim da bateria. Nunes continuou variando as manobras para cumprir o novo critério utilizado no julgamento e com batidas, floaters, rasgadas, recebeu 8,60 pontos, mas na onda de trás Luke Egan usou sua característica força nas manobrar e ganhou 8,37 pontos.

 

O potiguar não se conformou, gesticulou com sinais de protesto para os juízes, jogou sua prancha no mar com raiva e abandonou a bateria, que acabou definida por uma pequena diferença: 17,97 x 16,30 pontos.

 

Marcelo Nunes teve que se contentar com a 17.a colocação no Rip Curl Pro, recebendo US$ 4.5 mil e 410 pontos, enquanto Luke Egan seguiu para completar a primeira oitava-de-final.

 

?O critério de julgamento mudou, mas parece que não mudou, porque a gente dá batida, floater, rasgadas, aéreos e os gringos só vem dando batida e tiram notas maiores?, protestou Marcelo Nunes, momentos depois em entrevista transmitida online.

 

?A gente até comenta que parece que o critério só mudou para nós brasileiros. Eu acho que existe muita discriminação contra nós. Estou só há quatro anos no WCT e já vejo isso, imagina como sofreram os outros brasileiros que está há muitos anos nessa batalha. Só que não adianta reclamar mais, tem que jogar o jogo deles. O Renan Rocha virava a bateria contra o Sunny Garcia na repescagem na última onda dele, mas os juízes também não deram. Estou há quatro anos no circuito e não consigo passar da terceira fase? Quer dizer, até ganho, mas eles não me deixam passar, como fizeram hoje aqui com as notas que deram para o Luke Egan?, lamentou Marcelo Nunes.

 
Peterson Rosa, que teve boa participação na segunda fase ao eliminar Kirk Flintoff, não achou as ondas contra Dean Morrison e foi desclassificado por 15.40 a 9.00.

 

Victor Ribas mostrou um bom surfe e lutou até o fim contra Joel Parkinson, que desequilibrou o confronto com uma direita que valeu 9.80, a melhor onda do campeonato.

 

Vitinho tinha um 8 e um 6.17, mas a segunda nota do australiano era um 7.67, e o resultado acabou 17.48 a 14.17, com o brasileiro precisando de uma nota praticamente impossível de obter – 9.80.

 

A bateria de Neco Padaratz contra o aussie Taj Burrow também teve um final polêmico. Restando poucos segundos para o término do confronto, Neco precisava de uma nota 8.83 para reverter a vitória do local.

 

Eis que Neco pega uma boa direita, dá dois rasgadões com muita pressão, estica um floater, pega muita velocidade pra finalizar com um belíssimo aéreo e… nota 8.07.

 

Deu para notar toda a frustração do catarinense. Frustração aceitável, uma vez que ficou a impressão de que a nota foi subvalorizada. Final, 15.33 a 14.57 a favor do australiano.

 

Entre as surpresas da etapa, as desclassificações de três campeões mundiais, o australiano Mark Occhilupo, o havaiano Sunny Garcia e o norte-americano Kelly Slater.

 

Já o havaiano Andy Irons e o aussie Mick Fanning, atual líder do WCT, avançaram sem problemas para a quarta fase da segunda etapa do mundial 2005.

 

Confira mais detalhes sobre o Rip Curl Pro em nossas próximas atualizações (Colaborou João Carvalho).

 

Rip Curl Pro – Terceira fase

 

1 Luke Egan (Aus) 17,97 x 16,30 Marcelo Nunes (Bra)
2 Richard Lovett (Aus) 16,77 x 11,34 Michael Lowe (Aus)
3 Cory Lopez (EUA) 18,63 x 6,67 Phillip MacDonald (Aus)
4 C. J. Hobgood (EUA) 18.34 x 14.40 Shane Beschen (EUA)
5 Damien Hobgood (EUA) 16.73 x 16.60 Taylor Knox (EUA)
6 Dean Morrison (Aus) 15.40 X 9.00 Peterson Rosa (Bra)
7 Mick Fanning (Aus) 15.56 x 12.27 Tom Whitaker (Aus)
8 Andy Irons (Haw) 16.63 x 11.23 Jamie O?Brien (Haw)
9 Joel Parkinson (Aus) 17.47 x 14.17 Victor Ribas (Bra)
10 Daniel Wills (Aus) 14.00 x 9.70 Chris Ward (EUA)
11 Darren O?Rafferty (Aus) 14.83 X 13.76  Sunny Garcia (Haw)
12 Jake Paterson (Aus) 16.57 X 15.46 Frederick Patacchia (Haw)
13 Bede Durbidge (Aus) 17.23 X 17.16 Kelly Slater (EUA)
14 Trent Munro (Aus) 15.50 X 14.04 Kalani Robb (Haw) 
15 Taj Burrow (Aus) 15.33 x 14.57 Neco Padaratz (Bra)
16 Troy Brooks (Aus) 13.10 X 12.50 Mark Occhilupo (Aus)  

 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)