Brasileiros buscam o tubo no Hawaii

A busca pelo maior tubo deve ser a filosofia de alguns bodyboardes brasileiros.

 

No último fim de semana rolou o melhor Pipeline do ano, e a seleção brasileira, comandada pelo capitão Paulo Barcellos e Hermano Castro, se soltou em Pipe.

Barcellos tem sido o melhor na água. Em Pipeline não foi diferente, e com seu novo modelo “black belt” de nadadeira, ele atrasa e entuba profundo, em quase todas as bombas que entram para ele.

 

Já entrou para o clube dos super heróis do esporte, aqueles que brincam em qualquer condição numa das ondas mais temidas do mundo.

Hermano Castro vem na cola e também coloca para dentro nas maiores. O cara já está na porta da sala da justiça. Presenciei de camarote uma série de uns 4 metros quebrando “bem na fonte”. Hermano me contaria depois que essa teria sido sua pior cacetada até hoje.

Roberto Bruno é uma surpresa. Não o conhecia bem e achava que pelo seu desempenho em ondas pequenas, não seria ousado em ondas como as de Pipe… Ledo engano.

 

O maluco botou muito para baixo. Infelizmente, ainda não tenho as fotos prontas, mas em breve todos poderão ver as bombas que fotografei do Roberto Bruno por aqui.

Luis Gustavo Villar, o homem elétrico, conseguiu a proeza de pegar umas quatro ondas em Pipeline em 30 minutos, e ainda encontrou tempo para rabear o mascote e comentarista do fórum Waves BB, Guiga, que pegou uns bons tubos junto com o “atitude boy”, Felipe Perusin.

 

O baiano Uri Valadão está quebrando e impressiona muito pelo seu estilo superagressivo, muito parecido com o “painho” Guilherme Tâmega.

 

Ricardo Motta botou pra baixo até onde não dava. Despencou em uma bomba animal, foto que guardarei para a edição especial da Ride it! Já tenho 280 fotos, só dos brasileiros.

 

O Guiga também arrepiou ao lado de Boto, que mostrou que faz em fundos de pedra o mesmo que faz em fundos de areia. Jorge Baggio está sempre esparando uma bomba, pegou a sua e saiu da água com um sorriso de orelha a orelha.

Um dos novatos que na minha opinião merece um comentário à parte é Magno de Oliveira, ou Maguinho. Não desmereço os outros, que estão de parabéns, mas na primeira queda do rapaz, vou contar um pouco do que vi: “primeira onda do maluco em Pipe, drop atrasado e tubão; segunda onda, drop, cavada e manda um rollo absurdo na boca do tubo, chegou a ficar em pé fora da onda, no ar. Despencou e completou a manobra; terceira onda, tubo atrasado para o Backdoor, saindo de invertido aéreo.”

 

Realmente me impressionei com o surf do Maguinho. Seu jeito caladão, não revela tudo que ele pode fazer com um pouco mais de experiência aqui no Hawaii.

Cenas engraçadas, como a do bodyboarder gaúcho Maurício, que deslocou o ombro e no hospital deu o nome de Tony Ramos, ficarão guardadas na história desta, que foi uma das melhores semanas aqui no Hawaii. 

 

A galera continua se divertindo e para quem acha que só fiquei fotografando, na semana passada peguei uma onda só. Um expresso no Backdoor, com direito a baforada e tudo.

 

Agora é esperar um novo swell, previsto para domingo, e continuar contando o que rola com a seleção brasileira de bodyboard aqui no Hawaii.

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)