Brasileiros barrados em eventos na América do Sul

Uma decisão polêmica da ALAS – Associação Latino-americana de Surf, entidade recém-criada que organiza eventos Pro-Am na América Latina, fez esquentar o tempo entre a ASP South America, principal entidade sul-americana, subordinada à ASP (Association of Surfing Professionals) e os “hermanos” sul-americanos.

 

Em comunicado enviado à ASP South America, por intermédio de seu presidente, o venezuelano Antonio Sotillo, a ALAS informa que os atletas brasileiros estão barrados nas etapas do Circuito Latino até o final de 2005. A decisão foi tomada no final de dezembro de 2003, depois de uma assembléia composta pelos atletas e diretoria da ALAS.

 

“O principal motivo para a decisão foi o fato de o Brasil já possuir um calendário interno bastante forte”, disse Sotillo, insinuando que os brasileiros estariam tirando a chance de

atletas locais se darem bem nos eventos fora do Brasil.

 

Tudo começou quando a ALAS, mesmo ciente do calendário de provas da ASP South America para 2004, que já havia confirmado a realização do Rip Curl Pro Peru na terceira semana de fevereiro, confirmou para a mesma data uma etapa do seu circuito no Equador, forçando o cancelamento do WQS peruano.

 

Ao tomar conhecimento, Roberto Perdigão, diretor regional da ASP South America, solicitou informações sobre as etapas da ALAS, uma vez os brasileiros que iriam ao Peru ficaram com uma brecha no calendário. Portanto, poderiam aproveitar e disputar essas etapas na América do Sul.

 

A resposta, curta e grossa, enviada por Sotillo, causou certa perpelexidade em Perdigão. O brasileiro deixou claro o desacordo por parte da ASP South America. Na mensagem enviada por Perdigão à imprensa, ele também diz que os brasileiros estariam sofrendo discriminação por parte da ALAS.

 

“Independente do fato de as etapas da ALAS oferecerem premiações muito baixas e não terem nenhuma outra proposta senão o desenvolvimento do esporte na América Latina, acredito que a presença dos atletas brasileiros, por serem atualmente os melhores e mais bem preparados surfistas do continente, iria contribuir, e muito, para os objetivos da entidade, na medida em que ajudariam a elevar o padrão técnico dos nossos vizinhos e, ainda, atrair patrocinadores mais expressivos. Imagine se a ASP South America criar mecanismos para impedir que surfistas sul-americanos participem das provas do WQS no Brasil?”, questiona Perdigão.

 

A política de boa vizinhança sofre uma certa rabeada por conta dessa decisão. Afinal, os maiores prejudicados são os atletas, sobretudo os brasileiros, impedidos de participar de uma competição continental por questões políticas.

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