Brasileiros arrepiam em Pico Alto

Na última quarta-feira recebi um e-mail do João Capilé e um telefonema do Jorge Pacelli, ambos fissurados em surfar a gelada, perfeita e pesada onda de Pico Alto, no Peru, durante o fim de semana.

 

Juntamos nossas milhagens, pranchas e equipamentos e no sábado a gang estava unida na central dos Ocean Riders, a casa-pousada do local Luisfer, no Peru.

 

Eu e Pacelli fomos para lá por três anos consecutivos no mês de maio, no final  dos anos 90, e nas três oportunidades, com a bênção de Deus, surfamos Pico Alto. Todas as vezes encontramos Luisfer no outside. O incrível é que nesse pico não tem crowd e sempre curtimos muito.

 

Nesse domingo não foi diferente, só que contávamos com a presença de mais alguns colegas. Eu, Pacelli, Formiga, Pato, Sergio Guloseima, Luisfer, Kike (irmão de Luisfer), o brasileiro radicado no Peru, Flávio Corporelli e seu parceiro de tow-in Guilhermo curtimos toda a perfeição de um Pico Alto com séries que chegaram aos 5 metros.

 

Tínhamos dois jet-skis e duas pranchas grandes (10’2 e 9’6). Eu e Pato pegamos as guns enquanto o resto da tropa se amontoou nas duas máquinas. Enquanto chegava remando pelas esquerdas com a gun emprestada por Kike, o primeiro visual que admiro é do local Guilhermo dropando um direitão de uns 5 metros com uma parede linda.

 

Remei forte para o pico e me sentei ao lado do Pato, que já esperava a série a bordo da outra gun. Nessa, o resto da tropa passava batido pelo pico rebocado pelos jets. Cada um pegava uma onda.

 

Em uma bela série que entrou, os jets estavam no canal quando Pato remou para a primeira da série. Ele a pegou e eu fui na segunda, logo depois. Quando dei a curva vi o Pato no meio de duas pranchas e iria tomar essa onda que vinha surfando bem na cabeça. Pensei: se deu mal. Caldo gelado.

 

Só depois fiquei sabendo o que havia acontecido. Quando o Luisfer chegou ao fundo, amarrou a prancha do Pato numa pedra que usava como âncora. Como a série que pegamos foi maior do que as anteriores, a galera dispersou da área e deixou a prancha do Pato ali. Quando Everaldo terminou sua onda, foi para cima de sua prancha de tow-in, mas ela estava ancorada e quando tentou agarrá-la foi aniquilado pela espuma, que o arrastou por uns bons metros.

 

Quando resgatado pelo jet, tentou pegar a prancha novamente e não conseguiu, e aí notou que estava amarrada. Uma grande doideira. Nessa, troquei a prancha de remada pela de tow e revezei as séries com toda a galera. Passei minha gun para o Formiga poder filmar a ação.

 

Falando em filmagens, a esposa do Pato, Fabiana, e o filmaker Clayton estavam também do morro registrando a session. Jorge pegou altas e a galera local (Luisfer, Kike, Guilhermo e Corporelli) demonstrou todo o entrosamento que possuíam com as máquinas e seu pico predileto – Pico Alto.

 

Pato também deu altas rabiscadas no tow-in. Tava soltinho com uma prancha 6’2 do Avelino Bastos. Incrível como a parede desse outer-reef peruano é perfeita. De tow-in dávamos de três a quatro manobras na parede. Onda longa e forte.

 

Depois de duas horas acabou a gasolina de um dos jets e fui obrigado a pedir a prancha de volta para Formiga depois de filmá-lo em duas boas ondas. Ficamos com um jet em quatro. Bateu a vontade de remar e agarrei mais uma vez a mágica 10’2. Foi quando entrou uma das maiores séries do dia e Pato e Jorge estavam no canal sentados nas pranchas de tow-in esperando a vez.

 

Pato gritava, mas eu estava muito atrás do pico da primeira onda e passei quase voltando com o lip. Na segunda, mesmo um pouco atrás, remei com toda a força, empolgado pelos berros do Pato. Animal. Dei um drop no ar e fui rabiscando a onda até a beira.

 

No final de tarde, Capilé chegou e foi rabiscar as ondas com Jorge e Formiga. Eu fiquei com a família do Luisfer vendo os brazucas surfarem sozinhos as lisas e perfeitas paredes. A galera arrepiou. Foi show.

 

Pato surfou sozinho com outro brasileiro em Punta Rocas ondas de 3,5 metros fechando o canal constantemente. Disse que a parada tava pesada na remada com pranchas um pouco abaixo de 7 pés.

 

Amanhã cedo parece que teremos mais aventuras no outer-reef peruano. E na quarta um real big swell. Fica aqui minha gratidão, respeito e amizade por essa galera que surfa essas ondas por puro amor e se amarram em ver os amigos se divertirem também.

 

Aloha Luiser, Kike, Guilhermo e Flávio.

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