Surf seco

Brasileiro sim!

Depois de muitos anos de influência gringa, o brasileiro começa a valorizar um pouco mais nossos produtos e valores.

 

Não estou falando somente de surf e sim do geral. Mas, ainda está bem longe de rolar o  patriotismo ideal.

 

Isso também ocorre porque muitas vezes nossos tapetes são puxados por pacotes, planos, alta do dólar, falta de emprego e oportunidades.

 

Não existe ninguém que fique muito feliz no contexto geral deste país. Quando rolam grandes ‘barbarizos’, seguidos de impunidade, então nem se fala.

 

Mas, tomando o surf como exemplo…

 

A última dobradinha no Japão, com Raoni e Nunes já diz tudo. Quer sentimento mais legal ?
 

Alguns vão me atacar, dizendo que sou da ABOG, ou que andei falando num texto anterior sobre uma idéia inovadora e futurista lançada (Surf Game), que só poderia vir dos gringos (além de gringo, a idéia veio de um surfista, Brad Gerlach que apesar de gringo é um ser semelhante a nós, do surf).

 

Tá certo. Falei, me contradisse e, no final, não expliquei nada. Podem atacar, sei que esse fórum é bem agressivo, ainda que a maioria se aproveite para soltar o verbo nestas circunstâncias ‘fáceis’. Os textos lançados aqui são para isso mesmo, para gerarem críticas e opiniões.

 

Mas, gostaria de quando me xingassem, fizessem isso pessoalmente, tipo olho no olho, para não ficar uma parada de ‘cuzão’ rolando. Só por recadinho.

Continuando neste assunto, os gringos são bons mesmo (sempre foram) nas idéias, inovações e, principalmente na fabricação de produtos.

 

Observação pessoal: Imaginem eu sem essa cadeira motorizada made in EUA, ou dependendo de produtos made in Brasil, que infelizmente são ‘esfola-pica’?

Nós, brasileiros (e muitos outros povos) fomos durante anos influênciados pela gringolândia (sou da época que só rolavam Surfer e Surfing aqui no Brasil).

 

Antigamente, as imitações brasileiras eram grotescas. Hoje, está bem melhor (algumas).

A mídia poderosa que foi feita, não só no surf, mas em tudo como TV e jornais, foi nos iludindo mostrando como é legal usar jeans, automóveis, hambúrgueres, Coca-Cola, cigarro, cerveja ou vodka (cadê a cachaça?) dos gringos.

 

Alguns surfistas dos anos 70 chegavam a parafinar o cabelo para parecerem gringos. Foi uma lavagem cerebral de décadas. Tem que haver seqüelas mesmo!

 

Eles têm um mérito: Na verdade, quase tudo foi inventado por eles. Pense bem…

 

O próprio surf, que significa balanço do mar, tem todas as manobras com nome em inglês. E o skate também. Veja quem inventou o kite, windsurf, snowboard e o skysurf.

 

As marcas gringas aqui também vendem bem. Pagamos ‘royalties’ para eles para podermos ter e usar marcas dos ‘Kelly Slater’,’Andy e Bruce Irons’ e ‘Mick Fanning’ da vida.

 

Antes eram Tom Carroll e Tom Curren, bem antes Mark Richards. A coisa mais ridícula que já escutei foi um garotão na night do Sirena, em Maresias, com uma camiseta da Volcon falando: “Sou tipo Bruce Irons…”

 

É por isso que os profissionais ganham dinheiro. Isso é marketing gringo profissional. Devemos aprender com eles e aplicar aqui, como sempre.

Só que, infelizmente, para os fãs do Bruce, na final do último WQS seis estrelas do Japão, Raoni e Marcelo Nunes apagaram o brilho do ‘fulaninho’, que gosta de uma birita, fuma uma nicotina e apavora os brasileiros lá na ilha deles.

 

Será que vocês já sentiram a falsidade de alguns ‘deles’ quando estão no Hawaii?

 

Daí pode-se entender o que estou falando. A diferença de comportamento de alguns ‘deles’ no Brasil e no Hawaii é bruta, além de uma verdadeira discriminação. Tá certo, muitos de nós falamos alto, andamos em bando, rabeamos e ainda roubamos em supermercado.

 

Gerações já queimaram bem nosso filme, porém muitos já representaram com digna personalidade. É triste, mas nos anos 80 e 90 isso acontecia.

 

Acredito que até hoje isso ainda rola (pelos comentários dos que hoje viajam, está tudo igual). Já rolaram tantas loucuras, principalmente com brasileiros no Hawaii. Mas, também já rolaram loucuras com eles aqui.

 

A verdade é que nós, devagar, estamos derrubando as barreiras de achar gringo tão legal. Eles estão na frente na tecnologia, mas antes estavam muito mais.

 

Agora, nós temos os surfistas, as pranchas, que estão com bons materiais e shapers de nível top do mundo (competidor australiano faz pranchas aqui e se dão bem). Sempre tivemos as mulheres, que foram e serão sempre as melhores.

 

Geograficamente, aqui é show e o  clima também. Fora os amigos brasileiros que nós só temos aqui. E o Brasil está querendo mudar até politicamente. E aí teremos orgulho total de sermos brasileiros, sem ficar pensando que a ‘gringolândia’ é melhor que nossa terrinha maravilhosa. Problemas existem e são diferentes em cada lugar.

Para quem está morando 20 anos nos EUA, a declaração comparativa mais inteligente e realista que já ouvi entre Brasil e EUA é a seguinte:

 

“…Na América é bom, mas é ruim. No Brasil é ruim, mas é bom”.

 

É nóis… Brasil.
  
 

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