Marcelo Scaranari, repórter fotográfico e tatuador, já passou pelas redações de grandes jornais brasileiros, como Folha de São Paulo, O Estado de São Paulo e agência Estado, além de já ter publicado fotos em outros veículos de grande prestígio, como Diário de São Paulo, Metro, Destak, Correio Popular, Veja, Época, Exame e Istoé, entre muitos outros trabalhos.
Ele reside na Irlanda há cerca de um ano e agora ingressa em uma nova jornada rumo ao Marrocos, de onde também mandará notícias para a nação brazuca do surf. No texto abaixo, Scaranari apresenta um panorama geral sobre o surf na Irlanda e conta sua trajetória no país.
Irlanda e o surf Conhecida como ilha Esmeralda, a Irlanda é a terceira maior ilha da Europa e ganha este apelido pelos fortes tons de verde que compõem as paisagens de grandes pastos divididos por muros de pedras e enormes “cliffs” por toda a costa.
O primeiro surf na Irlanda foi feito em 1949 por Joe Roddy, porém o esporte só foi descoberto e reconhecido em 1962 por Kevin Cavin, fundador do primeiro surf club irlandês, o “Bray Island Surf Club”.
Hoje a Irlanda tem aproximadamente 50 mil surfistas segundo a ISA – Irish Surf Association e um número considerável de surf shops e escolas. Existem inúmeros picos ao redor de toda a ilha que quebram constantemente em diferentes condições de ondulação, vento e maré sobre fundos de pedra, proporcionando um surf de altíssima qualidade.
A melhor época é entre os meses de setembro e maio, começando no outono, quando as ondulações de Noroeste e Oeste atingem a costa, porém ainda não tão fortes e geladas quanto no inverno, em que facilmente as ondas atingem os 10 metros em condições pesadas e muito frias, porém perfeitas.
A primavera também é uma boa época, porém não tão constante e tão gelada quanto o inverno. Wetsuits de 5 ou 4 mm e botinhas são bem-vindos para essas águas geladas e fundo de pedras, porém não é necessário remar muito pois todos os picos têm canais que te colocam “de cabelo seco” nas ondas.
Pranchas de 6’2″ a 6’5″ são ideais para a maioria dos dias, mas se o objetivo forem as morras que constantemente quebram por aqui, um boa “gunzeira” ou até mesmo um jet-ski para um clássico tow-in são indispensáveis.
A costa da Irlanda é muito recortada e cheia de reefs e point breaks virados para todas as direções, o que proporciona uma grande quantidade de picos quebrando nas mais diferentes ondulações e ventos. Os mais conhecidos são Lahinch, Alieens Point (uma das maiores ondas e um visual de tirar o fôlego), Doolin, Crab Island, Kilcummim, Easky e Bundoran.
Mudança de vida Sou tatuador há nove anos e foi da arte de fotografar desenhos na pele é que surgiu a grande paixão pela fotografia.
Em 2008 eu e minha namorada decidimos morar no exterior. Decidimos viver uma vida nova, uma língua nova, outra cultura, outras pessoas e lugares, foi quando decidimos vir para a Irlanda.
Chegamos aqui como estudantes com permanência para um ano, e como eu estava vivendo uma crise dentro de mim em relação à fotografia depois de participar do projeto “Brasil pelo Buraco da Agulha”, não queria mais voltar ao fotojornalismo, mas sabia que a fotografia que me dava prazer, não me daria dinheiro, pelo menos não a curto prazo. Optei pelo prazer e procurei um bom estúdio de tatuagem em Dublin.
Estabilizado (emocional e financeiramente), comecei a viajar bastante pela Europa antes mesmo de descobrir o surf por aqui. Foram 10 países visitados em menos de um ano, fotografando aquilo que me dava prazer. Foi quando mudei para uma nova casa onde um dos caras era surfista e então comecei a ter acesso ao surf na Irlanda.
Sem pranchas nem wetsuits, Michael me emprestou tudo e começou a me levar para o surf periodicamente todos os finais de semana. Foi um encontro com os deuses, há aproximadamente 10 meses sem surf me deparei com ondas que nunca havia visto tamanha perfeição em toda a minha vida, linhas e mais linhas marchando em séries em direção à praia, como uma máquina de fazer ondas, sempre perfeitas, sempre abertas, absolutamente lindas.
Meu único arrependimento é que perdi muito tempo sem saber das ondas que me esperavam e só pude surfar por aproximadamente quatro meses, pois estou voltando para o Brasil, mas pelo menos altas peguei e registrei.
Dedico esse material ao meu grande amigo Michael Kelleher. Thanks for everything you’ve done…
Para conhecer mais sobre o trabalho do fotógrafo acesse Marcelo Scaranari.


















