Por trás das notas

Brasil sempre no pódio

Mais um mundial da ISA terminou. E mais uma vez a equipe brasileira disputou o título até o final. Perdemos pontos preciosos nas finais, que acabaram nos levando ao terceiro lugar por equipes ? por uma diferença mínima para a Austrália, segunda colocada, e um pouco distante da África do Sul, que ocupou um confortável primeiro lugar.

Desde o primeiro dia de competição nossos surfistas foram destaque. Tivemos as melhores médias na Junior, com nossos jovens surfistas (três com até 16 anos). Tivemos uma regularidade impressionante na categoria Open, onde colocamos dois atletas na final, e fomos muito bem na Bodyboard Feminino e na Longboard, categorias que conseguimos o ouro e fizemos o máximo de pontos possíveis.

Na Feminino fomos além do que esperávamos, pois nossas jovens meninas ainda não tinham experiência internacional. Na Bodyboard Masculino tivemos uma boa participação colocando um atleta na final, que acabou ficando em quarto por não conseguir achar as ondas com potencial.

Na Kneeboard, não conseguimos manter a tradição de chegar na final, ficando um recado para que as federações voltem a incentivar esta categoria para que nós tenhamos um representante competitivo.

Não quero arranjar desculpas, nem tampouco tapar o sol com peneira, mas devido às estruturas das equipes que ficaram na nossa frente, tenho que reconhecer que seria muito difícil ganhar dos países que investiram cerca de dez vezes mais para levar o time para o mundial.

Levando este fator em consideração, nossa participação foi excelente, porque mesmo sem recursos fomos até o último dia com chances e perdemos o título e o segundo lugar por diferença de colocações nas baterias finais.

Se tivéssemos ficado em segundo na Open, ou na Junior, ou na Bodyboard Masculino, teríamos ficado em segundo lugar por equipes. Se tivéssemos ganhado estas três categorias e na Open uma dobradinha de primeiro e segundo, lutaríamos pelo título.

Nós já sabíamos que este mundial seria muito difícil por vários fatores, começando pela vantagem dos sul-africanos de competir em casa e pela quantidade de profissionais que eles e os australianos tinham em seu time. Apenas Brasil e Hawaii levaram equipes renovadas sem nomes do WCT ou profissionais experientes.
O julgamento da competição foi muito ruim, com alguns surfistas tendo que desempenhar o dobro para conseguir a mesma nota de outros. Nas finais foram computadas 4 ondas, quando a ASP está contando apenas duas.

Com a maré bem seca e séries demoradas, as finais da Open e das meninas acabaram favorecendo aqueles que optaram pela quantidade no lugar de qualidade. Bom para aprender.

Mas, de uma forma geral, fizemos um grande mundial e mostramos ao mundo porquê somos uma potência no surf, além de termos uma nova geração que certamente vai dar muito o que falar nos próximos anos.

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