
Os resultados do sexto campeonato Pan-americano de Surf, encerrado no último fim de semana em Salinas, Equador, confirmou mais uma vez a liderança do Brasil na região e nosso potencial em nível mundial.
Em seis edições do Pan, nós ganhamos quatro, sendo que nas outras duas a equipe brasileira não competiu. Desde a primeira edição, em 93, os países latino-americanos evoluíram muito, com destaque para as ilhas francesas do Caribe, Guadalupe e St Barth, que ficaram em segundo no evento, seguidos da revelação Costa Rica, onde o surfe é popular e com potencial de ondas muito grande para se desenvolver.
A produção de novos talentos no Brasil está a todo vapor, e também cresce uma consciência da importância das viagens no desenvolvimento da carreira de um surfista profissional. Descobrir novas ondas, novas dimensões, diferentes fundos, correntes, culturas e línguas diferentes têm de ser o objetivo para um surfista em formação.
Posso afirmar que fazer parte da equipe brasileira e representar nosso país em competições no exterior é um dos melhores caminhos para se tornar um ídolo do nosso esporte. Não é à toa que a maior parte da elite brasileira no circuito mundial passou pela equipe em competições internacionais, é como se fosse um termômetro do surfe em nosso país.

O crescimento que se alcança ao participar de um campeonato longo como o mundial ou um Pan-americano fica para o resto da vida, a discussão tática, o jogo de equipe entre outras coisas.
A vivência com um grupo de quinze campeões cria um clima de troca mútua e união que só quem participa entende. O orgulho com que nossos atletas estão representando nosso país é fundamental para a criação de um produto bom de marketing e forte tecnicamente.
Na Austrália, fazer parte da equipe nacional é importante na carreira dos atletas e eles têm muito orgulho de competir por seu país. No Brasil, fazer parte dos mundiais impulsiona todo o desenvolvimento do surfe, geração após geração. Têm sido assim desde que Fábio Gouveia se sagrou campeão mundial amador, na ilha do Porto Rico em 88.
Já nos Estados Unidos, as federações estão divididas: tem a USSF e a NSSA e não existe um nacional por equipes, e aí não se cria um bom produto que seja resultado do trabalho das associações regionais e locais. Talvez seja por isso que os resultados dos americanos têm deixado a desejar nos últimos mundiais.
Este ano ainda terá o mundial mirim e júnior na África do Sul, em agosto, e tenho certeza que o nosso time será dos mais fortes e favorito ao título.
Parabéns para toda equipe e boa sorte.