
Surpresa, choque, admiração, reconhecimento incontestável: essas poderiam ser algumas das palavras que melhor sintetizariam o editorial do Billabong Pro Junior sobre os resultados das oitavas de final e as primeiras baterias das quartas de final.
Com cinco dos seis competidores australianos eliminados, restaram aos donos da casa ceder à inegável superioridade dos brasileiros e reconhecer em público que os brazucas estão um nível acima dos atuais competidores australianos.
Numa sinceridade e transparência raramente vista em editoriais estrangeiros, o site da Billabong afirma que ?os brasileiros fizeram uma inequívoca demonstração de que estão

levando sua determinação e sua técnica a um nível jamais visto?.
Segundo o editorial, a distância colocada pelos brasileiros frente aos australianos claramente coloca em cheque a até então certa soberania do surfe australiano sobre o resto do mundo.
O site chega a afirmar que a antes incontestável herança australiana do surfe está ameaçada pela nova geração de brasileiros.
É como se pele primeira vez os australianos formalmente reconhecem que sua supremacia como força hegemônica do surfe mundial estivesse sendo ameaçada pelas futuras gerações de atletas brasileiros.
O texto rasga elogios às performances de Adriano Mineirinho, classificado como o melhor surfista que o Brasil já produziu dando especial destaque à sua eletrizante bateria contra Josh Kerr.
Jean da Silva, Diego Santos e Pablo Paulino também foram alvo de muitos elogios. Jean da Silva, em particular, inclusive menciona em entrevista que a forte estrutura de circuitos no Brasil além dos exemplos dos nossos atletas internacionais (Peterson, Teco, Vitor Ribas, etc) seriam o motivo do bom nível dos atletas tupiniquins.
Numa proporção bem menor, também são mencionadas as interessantes performances dos demais surfistas que se classificaram para as próximas fases. Curiosamente há um alemão entre eles, Marlon Lipke, que mora há 20 anos em Portugal. Os japoneses também atraíram comentários como uma força a se destacar nos próximos anos.
É como se o surfe mundial estivesse passando por um ponto de inflexão onde o mundo se curva ao nosso talento e, numa escala (bem) menor, ao de outros países fora do eixo EUA ? Austrália.
Mário Pereira Carneiro, 52 anos, primeiro presidente da OSP, Organização de Surfistas Profissionais do Brasil, criada numa época em que Mineirinho nem era nascido, não esconde a emoção de ver o Brasil no topo do mundo.
?Vemos que as sementes plantadas pela nossa geração na base do mais puro idealismo estão dando frutos maravilhosos?, exclama. Que venham muitos frutos, nosso país merece.