#Neste ano, a equipe brasileira de surf defende o título de campeã mundial por equipes no final de maio, em Durban, África do Sul. Após 16 anos perseguindo o título, conseguimos ser campeões na última edição do ISA World Surfing Games, as Olímpiadas do Surf, realizado em 2000 na Baía de Maracaípe, em Porto de Galinhas, Pernambuco.
Na África do Sul, tentaremos garantir por mais dois anos o troféu perpétuo da International Surfing Association (ISA), onde foi gravado para sempre o nome do Brasil.
Nada acontece por acaso. Para sermos campeões, muitas ondas foram surfadas em quase 15 anos de trabalho para organizar o surf brasileiro, com o objetivo de que nossos resultados fossem mais do que simples coincidência ou decorrência do talento sobrenatural de alguns surfistas.
Desde a primeira aparição na Inglaterra em 86, o Brasil surpreendeu com o quinto lugar e uma boa equipe composta por alguns de nossos melhores valores na época, como Sérgio Noronha, Ricardo Tatuí, e o jovem Teco Padaratz, que mostraram potencial e muita vontade.
Em 88, chegamos com um time muito forte em Porto Rico e conseguimos, ao final de três eventos, ter o melhor surfista na categoria Júnior, o Teco, além do segundo melhor na Open, Fábio Gouvea.
Como na época as finais zeraram os resultados, as posições se inverteram e no final da competição fomos vice na Júnior com Fernando Graça e campeões na Open com Fabinho. Por equipe, ficamos em terceiro lugar, atrás dos EUA e Austrália.
No Japão, em 90, com outra equipe muito forte, ficamos em terceiro depois de liderarmos dois terços do evento. Perdemos nossas chances nas ondas buraco da ilha Nijima. Terceiro lugar de novo.
Já em 92, chegamos à França cheios de moral com uma equipe Júnior que prometia. Mas, quem mandou bem foram os integrantes da Open que conseguiram quinto, sexto e sétimo lugares. No geral, fomos irregulares, mas mesmo assim ficamos em segundo, por causa de um caso de doping de um americano.
O Rio de Janeiro, em 94, foi palco da competição que quase ganhamos. Perdemos o título por uma mínima diferença de pontos, só decidida na última bateria do campeonato, quando os australianos liderados por Sasha Stocker e ajudados pelo havaiano Kalani Rob tiraram nosso tão sonhado título.
Na Califórnia em 96, a história se repetiu e perdemos o título na última final por causa de um 10 que Taylor Knox conseguiu até hoje ninguém sabe como. Vitor Ribas fazia de tudo e levava no máximo 8,66. Pelo menos, ficamos em segundo e pela primeira vez na frente da Austrália.
Já em 98, em Portugal, não conseguimos deter os australianos que com quatro profissionais não encontraram dificuldades para levar o título. Os americanos decepcionaram, ficando em quinto e o Brasil foi vice mais uma vez.
Finalmente, em 2000 fomos campeões sem deixar dúvidas, apesar de alguns brasileiros afirmarem que nossa equipe era mais preparada e melhor acostumada às ondas nordestinas.
O engraçado é que quando perdíamos para os gringos, ninguém falava que a equipe deles era melhor, que aproveitaram o fato de jogar em casa. Agora, teremos a grande prova de fogo: sermos campeões fora de casa e segurar o caneco por mais dois anos.
O Circuito Brasileiro começa em março e em abril a equipe estará definida. Toda a molecada está treinando para integrar a equipe brasileira, passo importante e quase que necessário para um futuro membro do WCT.