Parte I
Show!!! Mais uma temporada na ilha. Isso mesmo! Fernando de Noronha, o mais belo arquipélago vulcânico Brasil, isolado no Atlântico Equatorial Sul, sendo a ilha principal a parte visível de uma cadeia de montanhas submersas (Dorsal Mediana do Atlântico ? coordenadas geográficas: 03-51′ sul e 32-25′ oeste), a aproximadamente 345km do cabo de São Roque, no Estado do Rio Grande do Norte, e 545km de Recife, em Pernambuco.
Constituído por 21 ilhas, ilhotas e rochedos, a ilha principal, cujo nome é o mesmo do arquipélago e que constitui 91% da área total, possui uma área de 18,4km². A base dessa enorme formação vulcânica está a mais de 4 mil metros de profundidade.
Além dela, existem ainda as ilhas Rata, Sela Gineta, Cabeluda, São José e as ilhotas do Leão e da Viúva. Estudos realizados demonstram que a formação do arquipélago data de dois a doze milhões de anos.
A ilha é administrada pelo Estado de Pernambuco desde 88. Isso mesmo, o Nordeste do país é terra de água quente e comedores de rapadura, além de ser berço de bodyboarders sagazes.
Nesta trip, estavam os atletas Marcelo Freitas, Diego Cabral, Melk Lopes e Adauto Couto, além do fotógrafo da Pena Francisco Chagas. Logo na chegada fomos obrigados a pagar a Taxa de Preservação Ambiental (TPA), referente aos dias que iríamos ficar na ilha.
O custo fica em R$ 21,45 por dia, fora a hospedagem nas pousadas, que cobram diárias entre R$ 35 e R$ 50 ? a não ser que você possua um sítio que nem o nosso. O aluguel de um carro sai em torno de R$ 90 por dia ? atenção para a gasolina, que custa na faixa de R$ 2,87 o litro.
No aeroporto já recebemos o boletim das ondas. O mar tinha dado uma abaixada e devia ter de 6 a 8 pés fechando um pouco, mas dava para pegar e sair de vários tubos. E fomos em busca deles, o momento mágico da temporada.
Depois de nos acomodarmos em nosso sítio, fomos direto para Cacimba do Padre e estava bombando, tinha altas ondas! Estávamos cansados, mas a vontade de cair era enorme. Lá no Ceará, por não dispormos de ondas cavadas o ano inteiro, ficamos sonhando em chegar logo na ilha.
Depois da queda, fomos jantar no restaurante/pousada do Biu e o comentário que rolava por lá era os canudos do dia! Já a balada, pra quem tava na guerra, era só cair no forró do Big Dog, onde quem tinha um arrasta-pé de primeira se dava de bem com as gatas. O Bar do Cachorro fica na Vila dos Remédios, onde também é a sede da ilha, e você pode comprar varias lembranças.
No dia seguinte, como já era esperado, os canudos estavam funcionando com pouca gente e a Laje do Bode tava quebrando um cilindro cristalino. Nossa! E lá estávamos nós para mais um dia de trabalho. E o Chagas, como sempre, estava desempenhando o que sabe fazer de melhor, registrando todos os momentos da galera na temporada.
Já na parte da tarde fomos até o Boldró e não tinha ninguém caindo. O mar devia ter uns 6 pés, quebrando atrás das pedras. Lá é um pico muito forte, onde você testa o seu pulmão (Adauto que o diga: teve que tomar 10 ondas da série na cabeça). Depois, fomos recompensados pela natureza com um pôr-do-sol alucinante no mirante.
Quem estivesse a fim, podia dar uma caminhada para outros picos de alto nível, como o Sueste, Atalaia e Leão, que proporcionam um mergulho livre para observação de tartarugas marinhas e várias espécies de peixes e outros.
Por fim, quero dizer que o Abras é sem dúvida é um dos melhores reef-breaks que já surfei, uma esquerda muito forte com vários momentos e uma bancada muito rasa de pedra. É isso aí! Cabeça feita, altas ondas, vários amigos e vários canudos. Valeu Noronha!!
Agradecimentos: Emília, Dona Olívia, Pena, Dona Sônia e Marcelo Bibita.