Por trás das notas

Bodyboard é surf; surf é bodyboard

#A rixa entre surfistas e bodyboarders é um assunto polêmico, carregado de pré-conceitos e de um histórico de rivalidades e afirmações muitas vezes mal compreendidas, que não contribui em nada para que os objetivos da comunidade surfística como um todo sejam alcançados.

As definições da língua inglesa sobre a palavra Surfing dizem algo sobre deslizar as ondas, aonde se conclui que qualquer maneira de descer uma onda é surf, não importa a prancha nem o seu material ? incluímos aí o longboard, kneeboard, bodysurf, bodyboard, skimboard, todas elas categorias da ISA, Federação Internacional de Surf.

Quando vejo algumas acusações entre surfistas e bodyboarders, percebo que a falta de respeito originada pelo pré-conceito está atrapalhando a relação entre as categorias, e ficar se ofendendo não vai levar a lugar algum.

Conheci bodyboard nos anos 80, e por causa de caras como Marcos Portinari, o Billy, comecei a entender melhor o esporte. Billy faz uma linha muito parecida com a dos surfistas e nós viajamos para Porto Rico e República Dominicana, onde pegamos ondas nas quais o surf de bodyboard se transformava, levando a prancha em pontos mais críticos do que as de surf chegavam.

#No ano seguinte fomos para uma expedição em Java, na Indonésia, com o saudoso Xandinho e o Paulo Esteves. Com a experiência adquirida no Hawaii eles dominavam o pico entrando em ondas de 10 a 12 pés com mais velocidade que a nossa remada conseguia.

Em 90, depois do mundial amador do Japão, fomos para Bali com a equipe. Em Uluwatu o Fábio Aquino foi apelidado de ?cotonete de tubo? de tantos barrels que pegou. Em 91 tive o privilégio de pegar um Padang com o Guilherme Tâmega em que três tubos na mesma onda eram o mínimo.

Quem já viu surf de bodyboard em ondas de verdade sabe do que eu estou falando. É lógico que campeonatos em marolas cheias, com spinners e rolos feitos única e exclusivamente com os braços é sem graça e não possui atrativos de uma maneira geral.

São várias as razões que originaram este pré-conceito e eu poderia até fazer uma tese comportamental. Para mim, o que realmente importa são as manobras, e nelas os bodyboarders são casca-grossas, pelo menos os que eu conheci. Presenciei tubos longos e profundos e grandes acrobacias em ondas que muito marmanjo por aí nem entraria no mar.

Devemos respeitar todos dentro da água e ultimamente tenho tido mais problemas na disputa de onda com os longboarders do que com os bodyboarders, que geralmente procuram as ondas mais buracos. Paz, amor e boas ondas.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)