
Fala, galera! Neste mês faz um ano que a coluna entrou no ar. Então, pra comemorar tomando uma gelada, vou contar uma história que aconteceu em Grumari, um dos picos que eu costumo pegar de tow-in quando o Pete Cabrinha vem ao Rio me visitar.
É verdade, depois que eu desmascarei aquela palhaçada de que ele seria havaiano, a gente até se tornou amigo. E ele nunca dispensa uma branca no bar da curvinha lá perto de casa, o pico sinistro.
Mas, voltando ao Grumari, foi lá que testemunhei umas das cenas mais aterrorizantes já promovidas pela natureza.
A galera do Rio anda pensando num campeonato de tow-in. Os big riders estão esperando ondas gigantes… Ah, é? Acho que eles vão continuar esperando.
Desculpe, mas ondas tipo 4 a 5 metros são merrequinhas perto do que eu vi, umas ondas em Grumari com pelo menos 95 metros, fácil.
O resto da galera que poderia ter visto o swell, saiu correndo de medo.
Lembro daquele dia como se fosse hoje, um sábado bem cedinho, quando peguei a minha moto e parti pro Grumari.
Ao chegar a serrinha, tive que parar. A cena era punk. Quase fui atropelado pelo povo correndo na minha direção pedindo socorro.
Todo mundo tava com aquela cara de medo e gritavam “sai fora, maluco, tá doidão?”. Era para eu dar um cutback e voltar. Mas, eu queria era estar lá e ver o que aconteceria.
Como sou um big rider de respeito – perguntem ao Sylvinho Mancusi do dia que eu resgatei ele de um sufoco na Ilha de Cabras, o pico secreto do Pete Cabreiro – eu não podia deixar de presenciar aquela loucura.
Tudo bem que sou big rider, mas pensei melhor no lanchinho à tarde na casa da minha avó; na calcinha vermelha que eu vejo pendurada na janela da minha vizinha depravada… pensei num monte de besteira e num monte de coisa ilegal que não tinha nada a ver com aquele momento de completa confusão.
Bem, quem conhece Grumari, sabe que de um trecho da serra dá pra ver as condições do mar, se tá grande ou se tá pequeno, se tá crowd ou se tá na boa.
Quando olhei para o mar, caramba, brother, que cena chocante, esporrante e descaralhante: vi um espumeiro de uns 200 metros de extensão, quebrando a uns 20 quilômetros da costa, avançando a uma velocidade média de uns 150 km/h.
Aí, dei uma amarelada normal, né, acelerei a moto e me mandei daquele inferno.
Passado o swell, a praia só foi interditada uns anos depois. Vocês sabem como é a burocracia, não é?
Cheguei antes do crowd e nossa, e vi um cenário de filme de terror, um tsunami acidental não previsto pelo Wavescheck, porque ainda não havia internet naquela época, tinha detonado o pico.
Foi o terror. As ondas passaram da faixa de areia e atingiram a mata uns 200 metros pra dentro. Quando olhei pra cima, vi um tubarão pendurado numa árvore!
Continuei dando uma banda até tropeçar num pedaço de madeira meio podre. Parecia uma placa, com um escrito escroto que dizia assim: “franz grotz long sea 1478” .
‘Que porra de placa maluca’, pensei, imaginando porque ela tinha talhado um desenho de viking. Como diria meu amigo paulista Pete Cabrinha, ‘puta troço lôco, meu!’.
Arremessei aquela placa inútil na direção de algum ambulante pentelho, e, enquanto desviava das paradas estranhas espalhadas pela areia, vi uma garrafinha maneira com aquele formato de ‘Jeannie é um Gênio’, quem não lembra daquele seriado anos 60 que a minha vó curte legal.
Mas, em vez de conter uma gênia-gatinha-do-surfe-em-miniatura bem maneirinha dentro, a garrafinha trazia um bilhete.
“Quem ler essa carta vai ganhar muito dinheiro e muita, mas muita mulher!”. Pô, brother, achei alucinante aquilo, aê, bróder, mó lance manero mêrrmo, aê. Fiquei complemente chocadão naquele lance do além, xará.
Papo do além legal meshmo, vai vendo. Mas, sei que até parece história que não tem nada a ver.
Bem, galera, a verdade é que neste momento vou dispensar mais uma loira e escalar outra morena pra digitar essa parada, mas só depois dela fazer um shiatsu relaxante na carcaça aqui do velhão.
É que eu preciso comemorar meu aniversário com toda a galera big rider de merreca aqui do meu bairro. Por mim, eu convidaria todo mundo do Fórum, até o pessoal que gosta de ficar me xingando, me chamando de mentiroso, cascateiro, casca-grossa e zé mané.
Mas, não vai dar, galera. As minhas gatas do Orkut vão estar todas lá, vai ser legal. Na próxima coluna eu vou contar como foi a balada. Aí, vocês ficam sabendo, valeu?