Rodrigo Koxa

Relatos de Nazaré

A temida onda de Nazaré, em Portugal, foi novamente palco de sessões históricas no fim de novembro. O paulista Rodrigo Koxa estava entre os corajosos dispostos a encarar verdadeiras montanhas de água. “Eu estava no Brasil monitorando os mapas de ondas grandes, quando vi um swell gigante e muito perfeito para o dia 29 de novembro. Falei com o havaiano Kealii Mamala, que já estava em Portugal, e fui convidado para surfar com ele”, afirmou Koxa. 

O brasileiro levou uma vaca sinistra logo na primeira queda. “Surfei algumas ondas muito boas, mas na última delas tentei surfar mais próximo ao lip, e a onda acabou me pegando”, conta. “Fui atropelado e ainda acabei levando mais de dez ondas na cabeça até a praia. Passado o sufoco, saí do mar andando e olhando para o céu agradecendo a Deus. Os jet-skis não conseguiram me resgatar”. 

Antes de embarcar de volta para o Brasil, um nova ondulação pintou no mapa. “Fiquei um bom tempo na dúvida se mudava ou não a passagem por causa da direção do swell, que desta vez era de norte. Com esta direção as ondas para a esquerda estariam perigosas e com forte correnteza em direção às pedras. Como eu já estava lá, resolvi ficar”. 

Koxa e o big rider chileno Rafael Tapia participaram da equipe de resgate da dupla de portugueses Ramon e Antônio Silva. Tiveram muito trabalho. “Antonio pegou a primeira da série, que era gigante e varreu o outside. Neste momento começou nossa missão de resgatá-lo”, explicou. “Eu vi um ponto se movendo colado às pedras e sabia que era o Antonio. Ele estava machucado e precise puxar ele para cima do jet-ski”. 

Passado o susto, Koxa seguiu com Rafael Tapia para uma sessão casca-grossa. “Eu estava preocupado. As ondas tinham pelo menos 80 pés e passavam de um lado para o outro, e naquele momento estávamos sem moto de apoio. Mas, depois de ser puxado em duas ondas, comecei a me sentir mais confiante”. 

Infelizmente, o big rider tomou um caldo nervoso em uma das ondas. “Depois de correr uma onda por um tempo, decidi sair para meu parceiro me pegar, mas ele não me acompanhou. Assisti de camarote a uma montanha de água que estava sendo surfada por Benjamin Sanches. Ela veio bem na minha direção. Nunca irei me esquecer daquela onda explodindo na minha frente, aquele barulho, parecia que estava tudo em câmera lenta”. Koxa continuou a tomar ondas na cabeça. “Quando consegui subir da segunda onda vi o Rafael Tapia vindo com muita velocidade, mas estava tudo muito bagunçado e ele passou por mim sem conseguir me resgatar. Nisso tomei mais uma”.

Apesar de calmo, o big rider estava sendo lançado cada vez mais próximo às pedras. ”Nessa hora comecei a nadar para longe. De repente veio uma onda de oeste na minha direção, que poderia me mandar em direção à praia. Foi um caldo bizarro, porque ela quebrou em mim, mas me jogou para as pedras”, relatou. “Quando consegui subir, vi que o Rafael estava na mesma situação que eu. Ele havia perdido o jet-ski tentando me salvar. As ondas continuaram nos jogando para a praia, e quando chegamos no inside, Garrett McNamara apareceu para nos ajudar. Somos uma família nesse mundo de ondas grandes, arriscamos nossas próprias vidas para tentar tirar nossos amigos dos piores momentos”. 

Koxa aproveitou a experiência para desenvolver equipamentos de ondas grandes junto com a Wave Giant, seu patrocinador. “Mandei fazer roupas com flutuadores mais grossos para dias gigantes como esse. Além da flutuabilidade, elas ajudam a absorver o impacto da onda”. O surfista também conta com os patrocínios da Tent Beach, Etnies, TravelAce, Bullys, Delírio Natural, FlexAcademia, Cefig, AkiwasSurfBoards, SilverSurfLaminações. 

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