Big swell deixa Hawaii em alerta

“It’s absolutely uncontestable”. Com essas palavras o havaiano Sunny Garcia definiu as condições de Pipeline na última segunda, quando a competição chegou a ficar em espera por algumas horas antes de ser oficialmente adiada por Randy Rarick, diretor da Tríplice Coroa Havaiana.

 

Sem dar muita atenção ao comentário de Garcia, prossegui normalmente e comecei a montar meu equipamento de vídeo, pois estaria fazendo uma das câmeras ao vivo para a internet.

 

Logo depois percebi que Sunny estava entrando na água novamente com a ajuda do jet-ski. Imaginei que ele poderia talvez estar indo dar uma última conferida antes do evento começar, para quem sabe ter uma segunda opinião sobre as condições do mar.

 

Mas, para minha surpresa e de muitos outros, ele rapidamente saiu da água com as camisas dos competidores da primeira bateria na mão, falando que não haveria competição, pois o mar estava muito perigoso e fechando, com muita areia na bancada.

 

Segundo ele, os surfistas tinham achado melhor adiar o evento. Sem querer desrespeitar a autoridade de Sunny, representante oficial dos surfistas do WCT, os organizadores do Pipe Masters decidiram deixar o evento em espera até as 9:30 horas, com uma possível chance de rolar depois das 10.

 

Para a maioria dos espectadores isso foi um choque, pois as ondas estavam lindas, grandes e algumas delas perfeitas. Mas, a grande maioria dos competidores aplaudiu a atitude de Garcia.

 

Para Victor Ribas, que tem vários Pipe Masters nas costas e tinha acabado de sair do mar, a situação estava realmente perigosa e Sunny tinha razão, mas se o evento rolasse ele levaria certa vantagem, pois iria enfrentar dois surfistas que surfariam de costas para a esquerda.

 

O australiano Toby Martin a princípio achou ridícula a decisão, mas sem perder muito tempo entrou na água para ver de perto e logo saiu também concordando com a decisão.

 

Veja mais imagens na galeria de fotos do Pipe Masters.

 

##

O tempo passava e entre várias séries fechando, às vezes vinha aquela perfeita e aqueles que tiveram mais sorte percorreram salões incríveis.

 

Entre os poucos brasileiros, Stephan Figueiredo, que estava na água desde que o sol raiou, estava botando pra baixo e representando muito bem.

 

Paulo Moura demorou mas pegou dois bons tubos, Guilherme Herdy também remou lá pra fora mas não surfou nenhuma onda de expressão, ao contrário de Bernardo Pigmeu, que entrou um pouco mais tarde mas surfou o tubo mais longo e mais difícil do dia.

 

Entre os gringos, Kelly Slater, Jamie O’Brien, Tamayo Perry e muitos outros estavam quebrando. Kelly inclusive pegou um belo tubo de base trocada. Tom Curren estava impossível, surfando à vontade com uma prancha bem grande e indo tanto para a direita como para a esquerda, com um surf impecável. Mas, foi para a esquerda em Pipeline que ele pegou um tubão com muita classe, quase ajoelhado, levando a praia ao delírio.

 

Já eram quase 9:30 horas quando a organização decidiu esperar até às 11:30 para um possível início ao meio-dia. Realmente as ondas estavam cada vez maiores e perigosas, CJ Hobgood tinha acabado de sair apenas com a rabeta da prancha quando o local Randall Paulson veio na onda do dia, ou quem sabe na onda do ano, e colocou para dentro do salão enorme, sumiu… E conseguiu sair alguns segundos depois da baforada. Se fosse bateria teria tirado nota 10 unânime, sem dúvidas.

 

Depois dessa onda fiquei imaginando que eles iriam tentar colocar o evento para rolar, mas por volta das 11:30 horas Rarick anunciou que, analisando com calma e cronometrando o tempo das séries e das ondas que abriam, não era suficiente para os 30 minutos de bateria e não havia realmente condições para o evento rolar, mas eles iriam colocar a Expression Session na água.

 

Pouco depois do meio-dia entrou um forte vento maral e as ondas entravam com direção mais de norte, fechando tudo. Mesmo assim os surfistas entraram na água, mas ninguém conseguiu pegar sequer um tubo decente e aos poucos o público e a mídia foram embora, deixando claro que o dia não era para competições e sim para o free-surf, que talvez tenha sido um dos melhores do ano até o momento, grande, pesado e perigoso…

 

Pelo que tudo indica o mar vai ficar maior ainda nesta quarta e deve rolar um dos maiores swells da história, provavelmente com boas chances para que aconteça o Eddie Aikau – isso se não estiver muito grande e fechando a baia de Waimea.

 

Alguns surfistas já estão em Maui na expectativa de surfar ondas imensas em Jaws. Agora é só esperar para ver e conferir as imagens e notícias aqui no Waves.

 

Veja mais imagens na galeria de fotos do Pipe Masters.

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.