Atitude no outside

Big riders impõem respeito

 

Carlos Burle encara swell pesado em Ghost Trees, Califórnia (EUA). Foto: Towsurfer.com.

Ondas grandes, enormes e para todos os gostos. Assim podemos definir os últimos swells que bombaram no Hawaii, Califórnia, Portugal, Espanha e Irlanda.

 

O começo de ano foi desastroso para o big surf. A temporada havaiana foi recheada de altas ondas, mas nada acima dos 18 pés.

 

Inclusive a primeira etapa do circuito mundial de tow-in rolou em ondas de cerca de 10 pés no Hawaii e as segunda e terceira etapas foram canceladas no Chile e México por falta de ondas grandes durante o período de espera.

 

Agora, este fim de ano foi histórico. Histórias dignas de um roteiro de filme. Tudo começou no Tahiti, no dia 1 de novembro, época totalmente atípica para big swells.

 

Peter Mel esbanja atitude em Mavericks. Foto: Towsurfer.com.

As ondas não atingiram o tamanho XXL durante todo o ano e quando ninguém mais imaginava, “boom”, fui testemunha de um swell plástico que fez a cabeça de todos os big riders presentes.

 

No primeiro big swell da temporada no Hawaii, que, diga-se de passagem, chegou atrasado, Waimea quebrou digna de seus épicos dias dos anos 80 e 90, com séries chegando ao limite na baía, com 20 pés plus.

 

Mas foi em Maui que o swell pegou de ?chapa?. A declaração do argentino radicado em Maui, Daniel Silvagni, que mora no local e pratica o tow-in ali há cerca de 10 anos, simplifica bem o grau do power dessa ondulação.

 

?Eu nunca havia visto ondas tão grandes em Jaws. Além de gigantes, elas quebravam uma em cima da outra devido ao curto intervalo entre as ondas e séries. O vento também era meio lateral, dificultando qualquer esperança de surfar aquelas monstras??.

 

O swell ganhou as capas dos jornais no Hawaii depois que Laird Hamilton e Brett Lickle foram os únicos a entrar no mar durante o dia todo na bancada conhecida como Spreacksville.

 

Depois de Laird cair em uma onda, Brett Lickle foi infeliz no resgate e acabou caindo em cima da prancha que estava ao lado do jet-ski, cortando a perna e tomando cerca de 50 pontos. ?Eu coloquei o Laird em uma onda de cerca de 40 pés havaianos e no resgate acabei me machucando?, diz Lickle.

 

Vale ressaltar que uma onda de 40 pés havaianos equivale a cerca de 80 pés de face ? imaginem o tamanho das ondas em Jaws, sendo que Spreacksville é um pico alternativo e sempre quebra menor do que Jaws.

 

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José Gregório doma big swell em Portugal. Foto: Vasco Caracol / Surftotal.com.

Laird ainda conseguiu reaver o jet-ski e chamar o resgate. Lickle foi resgatado por um helicóptero.

 

Nas manchetes,  ?Ondas de 80 pés nas costas da Ilha de Maui??. O fato ganhou notoriedade na mídia internacional.

 

Enquanto isso alguns big riders como Danilo Couto, Mark Healey, Greg Long, Garret McNamara e Kelli Mamala surfaram três locais em um único swell.

 

Esse tipo de storm bate primeiro nas ilhas havaianas, no dia seguinte na Califórnia e no terceira dia na Baía de Todos os Santos.

Long e Healey surfaram Waimea e durante à noite foram a San Francisco fazer tow-in no dia seguinte em Ghost Trees, na companhia dos brasileiros Carlos Burle, Everaldo Pato, Maya, e Formiga.

 

Adur Letamendia desce a montanha em Playa Gris, Espanha. Foto: David Gonzales.

Burle pegou uma das maiores ondas da sessão, rebocado por Pato. Na mesma noite, depois de Ghost Trees, dirigiram para o México, onde na manhã seguinte surfaram ondas magníficas em Todos os Santos com Danilo Couto e seu parceiro Rodrigo Resende.

 

Danilo também havia surfado em Waimea e se juntou a Rodrigo, McNamara e Kelli em Mavericks. Uma foto de Resende no site Surfline.com, descendo uma bomba em Todos, lembrou seus dias áureos, quando foi tricampeão do extinto prêmio Big Trip, destinado a quem surfava a maior onda na remada da temporada.

 

Um detalhe marcou todas essas sessões: a vontade dos big riders em surfar essas bombas na remada, pois muitos deles, como Garret McNamara, Kelli, Healey e Long, surfaram Waimea e Todos na remada.

 

Alguns anos atrás eles teriam dado um jeito de praticar e treinar o tow-in em algum outro pico. O espírito da remada voltou forte a bater nos corações da galera.

 

Ainda no tow-in, Ross Clark Jones pegou boas ondas com seus amigos portugueses antes de atacar Mavericks e alguns surfistas irlandeses também curtiram altas bombas em um swell inóspito naquelas águas.

 

O ano de 2007 começou mal no quesito ondas grandes, mas fechou o ano com chave-de-ouro. Vamos ver o que nos aguarda em 2008?

 

Ficam aqui os pesâmes à família e aos amigos do big rider Pete Davi, que faleceu em Ghost Trees quando tentava surfar na remada com seu parceiro Anthony Tasnick.

 

Aloha.

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