Ben Harper chegou emocionando multidões e levou daqui um choro emocionado e, certamente, a lembrança de um contato inesquecível com o público brasileiro.
Depois de duas horas de muita música e vibração positiva, ao término show em São Paulo, ele batia as mãos com punhos fechados no peito, em um gesto de agradecimento. E seus olhos lacrimejavam.
Talvez porque em sua última apresentação no Brasil, durante o Freejazz Festival em 1998, ele não tenha tido uma recepção tão calorosa.
Mas o fato é que o público lotou a casa de show Via Funchal, nos dias 22 e 23 de janeiro, e uma multidão de fãs, formada principalmente pela tribo do surf, foi ao delírio quando ele subiu timidamente ao palco, ao lado dos membros da banda Innocent Criminals.
Como sempre sem muita pretensão, Ben sentou no banquinho e começou a dedilhar sua guitarra havaiana.
Abriu com ?Ground on Down?, música de 1995, e por três canções permaneceu assim, sentado, debruçado sobre o instrumento.
Californiano de pouca fala, Ben é adorado pelos surfistas. Mas seu som eclético, que mistura folk, blues, rock, reggae, gospel e soul, acabou atraindo uma enorme legião de adoradores para as pistas, de todas as idades, para conferir seu talento e diversidade musical.
A turnê era do álbum Both sides of the Gun, mas 6 mil pessoas pagaram caro por um ingresso para estar mais perto de Ben e conferir bem mais do que isso.
Em uníssono, músicas mais antigas, como Fight for your Mind, Gold to me e Forgiven ? além da feliz versão de Sexual Healing, hit de Marvin Gaye ? foram ecoadas pela platéia entusiasmada, que mostrou conhecer bem mais do que seus últimos sucessos.
Quem esperava ver e ouvir de perto o forte baixo de Juan Nelson em Diamonds on the Inside, e o solo do percussionista Leon Mobley em Burn one Down, não se decepcionou. Eles entregaram.
E o cantor californiano também mostrou suas aptidões no vocal. Em um momento único, resolveu deixar o microfone de lado para soltar o gogó e falar de Deus na música Where Could I Go.
Pediu que todos ficassem em silêncio e surpreendeu a platéia diante de imagens de vitrais de uma catedral projetadas no palco.
Ben cantou com a alma, mostrou o que sabe fazer sem o microfone e, em seguida, foi amplamente aplaudido.
No bis, as baladas ?Walk away? e ?Another Lonely Day? não ficaram de lado. Mas a energia era tão boa, que ninguém queria deixar a casa, nem mesmo Ben. Ele volta para o segundo bis e chama Donavon Frankenreiter, que havia aberto o show, para cantar com ele, em clima de festa.
Juntos, os dois surfistas americanos encerram então a apresentação com o hit Diamonds on the Inside.