Tempestade Hércules

Belharra no braço

 

Benjamin Sanchis e Shane Dorian: dose dupla em Belharra Reef. Foto: Laurent Pujol / Billabong XXL.

Jamie Mitchell desce a ladeira na bancada do País Basco francês. Foto: Billabong XXL.

Apesar de causar muito pânico e destruição, a tempestade batizada de Hércules proporcionou alguns momentos emocionantes na Europa, embora o auge do swell tenha sido na noite da última segunda-feira.

 

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Até o momento, os melhores registros da ondulação originada pela tempestade vêm de Belharra Reef, na França, e de Mullaghmore Head, na Irlanda.

 

Nazaré, em Portugal, teve imagens impressionantes no fim da tarde e a noite da última segunda-feira, quando o swell chegou ao seu ápice, mas a forte ventania e o veto da capitania dos portos à prática do tow-in deixaram o pico sem surfistas, apenas com ondas brutais e intimidadoras. De acordo com o site Surf Portugal, o franco-brasileiro Eric Rebiere fez o possível para conseguir permissão, mas não foi feliz nas tentativas.

 

Em outros países, a história foi diferente. Enquanto o luso-alemão Nic Von Rupp comandava a session em Mullaghmore na última segunda, alguns big riders que foram atrás do swell na Europa escolheram Belharra e tiveram alguns bons momentos.

 

O havaiano Shane Dorian, o francês Benjamin Sanchis, o sul-africano Grant “Twiggy” Baker, o californiano Greg Long e o australiano Jamie Mitchell pegaram algumas bombas na manhã desta terça-feira (7/1), quando o swell começava a perder força.

 

Jamie encarou uma direita insana, mas não conseguiu completar o drop. Algumas inscrições no Billabong XXL já começam a aparecer.

 

Segundo o site do jornal britânico The Guardian, Dorian pegou somente duas ondas que fizeram a sua cabeça. Depois de sair de Kona, no Hawaii, o surfista de 41 anos encarou uma longa viagem de 30 horas, passando por Honolulu, Los Angeles (EUA), Munique (Alemanha) e Bilbao (Espanha), antes de chegar a Belharra, no País Basco francês.

 

“Eu estava muito nervoso, porque havia um pouco de exaltação por trás do swell”, disse Dorian ao Guardian, logo depois de sair do mar, ainda sofrendo com o fuso-horário. “Eu senti alguns embrulhos em meu estômago”.

 

O havaiano falou também sobre a adrenalina da tempestade. “É muito, muito assustadora. Tudo em seu intestino e seu instinto lhe diz para remar por cima da onda e você tem que superar esses sentimentos e dropar com tudo. Superar isso é muito estressante, mas você se sente muito bem depois”, continua o big rider.

“É como olhar para baixo em um edifício. Há um sentimento dever cumprido em superar o que o seu corpo e sua a mente queriam fazer. No fim do dia é muito desgastante, porque você estava em uma montanha-russa emocional, mas esse é o propósito: superar seus medos”.

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