E aí leitores ruidosos! Esta semana trago uma pequena amostra do que rolou no Festival Abril Pro Rock aqui em São Paulo, além de pedradas maravilhosamente triturantes. Ah! Já que muitos leitores pediram, aí vai o mais recente trabalho do Bad Religion e na seqüência não deixem de ler e ouvir McLusky, meu destaque da semana. Aguardem mais novidades em breve!
Promoção Relâmpago McLusky!
Esta semana a Promoção Relâmpago traz compilações da Sum Records com as bandas The White Stripes, Stereophonics, Sneaker Pimps, Echo And The Bunnymen, além de muitas outras. Para participar basta responder a seguinte pergunta: ?Qual é o nome por trás da produção do álbum ?McLusky Do Dalas? da banda McLusky ??.
#Você já sabe, a dica está logo abaixo na resenha do disco ?McLusky Do Dalas?!
Corra! Apenas cinco sortudos (as) levarão as compilações consagradas da Sum Records! Não percam as ?Promoções Relâmpago? que faremos ao longo do ano. Boa sorte!
Agradecimentos ? Sum Records.
Ganhadores da Promoção Salako:
Lucas Rodrigues (RS)
Andréa X. Z. (SP)
Anselmo Candido Alves Neto (PE)
Ana Florença G. de Oliveira (RJ)
Jose Ricardo de Freitas e Franca (BA)
PAVEMENT | Slanted And Enchanted e Crooked Rain, Crooked Rain
Em uma homenagem mais do que singela ao Festival Abril Pro Rock, em sua versão paulista, venho com dois discos da banda lo-fi mais cultuada da veia mais alternativa da música americana: o Pavement! Foram mais de 10 anos de estrada, representando a essência do indie-rock com muito feedback de guitarras, caóticas muitas vezes, além da pegada incrivelmente pop de composições abarrotadas de vocais lá-lá-lá…
Gosto bastante dos dois discos lançados agora no Brasil pela gravadora Trama. Os dois primeiros trabalhos do Pavement são discos básicos para uma coleção de respeito. O primeiro, ?Slanted And Enchanted?, de 91, é visceral e traz verdadeiros clássicos da ironia, com letras absurdamente espirituosas, muito humor e o mais legal: eles cantam fora de tom sem nenhuma cerimônia.
Destaque merecidíssimo para as faixas que abrem este maravilhoso álbum, ?Summer Babe (Winter Version)? e ?Trigger Cut?. São canções que fazem o rock valer a pena, a trilha sonora da vida! O que vem depois, são pedradas atrás de pedradas, na mais pura levada despojada, que só Pavement saberia fazer. ?Conduit For Sale!? é vigorosa, difícil será destronar este disco…
#E não é que eles conseguiram?! Outro petardo maravilhoso, o álbum na seqüência magistral, ?Crooked Rain, Crooked Rain?, de 94, cuspindo 11 de seus melhores momentos registrados em faixas imperdíveis. Bem mais pop, sem perder a forte característica espontânea do Pavement de sempre. Um disco de rock classicão bem no meio dos anos 90… Não perca ?Stop Breathin?, a grudenta ?Cut Your Hair?, além das preciosas ?Range Life?, ?Gold Soundz? e as borbulhantes ?Unfair? e ?Fillmore Jive?.
Seria mais que óbvio dizer que o centro nevrálgico da banda mais cultuada do indie-rock é, nada mais nada menos, do que Stephen Malkmus. Um figura com cara de ?nerd?, que faz gracinhas bobas em palco, mas contém o âmago rock?n?roll mais poderoso da última década. Ao vivo é fodidaço, emocionou a todos que foram na Choperia do Sesc Pompéia, no último dia 25 de abril. Vi pessoas extasiadas, olhando e adorando aquilo que estavam vivendo. Um grande show, uma grande banda, um grande nome!
Clique aqui e ouça a faixa ?Trigger Cut? do álbum Slanted And Enchanted.
E aqui para ouvir a faixa ?Cut Your Hair? do álbum Crooked Rain, Crooked Rain.
STEPHEN MALKMUS | Stephen Malkmus
Em homenagem a essência musical deste último Festival Abril Pro Rock, que contou com a ilustríssima presença de Malkmus, trago o disco homônimo de Stephen que requer apenas uma palavra… Pavement! Simples obrigatoriedade no mundo visceral alternativo. ?Stephen Malkmus? foi o mentor, guitarrista e vocalista dessa banda seminal sinônimo do lo-fi rock americano.
Há milhões de meses lancei este disco em minha coluna aí pela rede, mas depois do show que vi lá no Sesc, não tem como não falar de novo de Malkmus e seu disco solo… é minha obrigação. É impossível separar seu passado da nova carreira solo. Isso não é nenhum demérito, muito pelo contrário, ainda mais se tratando de um nome representativo como Malkmus, obviamente a máxima suprema se torna mais uma vez evidente: grandes momentos de boa música!
Joanna Bolme no baixo, John Moen na bateria, além, é lógico, do próprio Malkmus na guitarra e voz, fazem desse primeiro trabalho solo do ex-Pavement uma obra que já podemos considerar como marcante. São 14 músicas, que primam pela autenticidade latente e pela criatividade de suas múltiplas camadas sonoras.
Stephen Malkmus ousando sempre, faz de seu disco uma obra cheia de timbres de guitarras lisérgicas, mescladas com sua voz singular. Soa como algo nunca antes experimentado ou ouvido. Um disco excelente em todos os sentidos. Supera qualquer clima tenso ou repetitivo, invadindo com muita categoria a cabeça tanto de fãs antigos, como dos que ainda serão cativados.
A aura mítica de Malkmus faz com que comparações com sua antiga banda aconteçam, porém, são estancadas com gazes limpas, através de petardos como ?Jo Jo?s Jacket? e ?Black Book?, faixa que abre o disco.
Os climas vão se sobrepondo, passando por viagens gratificantes como ?Trojan Curfew?, chegando a portos mais distantes, como na sentimental ?Church on White?. ?Discretion Groove? é uma porrada com muitas guitarras acidificadas junto a um baixo bem marcante.
E por falar nisso, foram retiradas desse primeiro single intitulado ?Discretion Groove? as faixas ?Sin Taxi? e ?Leisurely Poison?, as duas canções finais do álbum, uma exclusividade da edição brasileira.
?Stephen Malkmus? mostra em seu primeiro álbum carreira solo o que é fazer música de qualidade em meio aos tubarões. Como dito no próprio encarte do CD: ?I Gave You a Continuous Present…? Thanks Malkmus!
Clique aqui e ouça a faixa ?Black Book?.
Se você gostou de Pavement e de Stephen Malkmus, ouça também: Lou Barlow, Guided By Voices, Sebadoh, The Apples In Stereo, Yo La Tengo, Liz Phair, Superchunk e Neutral Milk Hotel.
KARSHE KALE | Realize
Outra belíssima atração do Festival Abril Pro Rock foi o compositor, percussionista e DJ Karsh Kale. Este ?Realize? de 2001 é seu primeiro álbum solo. Considerado como expoente importante do movimento Asian Massive, Karshe Kale usa a música indiana como ponto inventivo, em um mosaico de re-interpretações das vivências musicais, tratando-as do mesmo jeito que os músicos indianos fazem tradicionalmente. ?Todas as músicas deste disco foram criadas para serem interpretadas e re-interpretadas?, diz Kale. ?Então bhajan (canção folclórica) pode ter uma levada nervosa de drum?n?bass, por exemplo?, completa.
Olhando para o repertório do disco, ?de cabo a rabo? encontramos mais do que a simples mistura de elementos da cultura clássica e folclórica com a música eletrônica. Kale faz a fusão do Oriente com o Ocidente, o velho com o novo, fundindo tudo em um único momento, em um único mundo… Ao vivo surpreende, tem vigor, força, atitude… É a inventividade levada às últimas conseqüências.
Kale, filho de pais indianos, cresceu nos Estados Unidos tocando música clássica indiana na Tabla (instrumento tradicional da música indiana). Desde então já trabalhou com o lendário produtor Bill Laswell no projeto Tabla Beat Science, assegurando seu posto de elitista na cena eletrônica mundial. Toca em algumas casas de renome por lá, como ?Paisley? e no ?Joe?s Pub?, fazendo de seus dias de discotecagem os mais disputados da cena nova iorquina.
?Realize? traz uma aura pacífica, aditivada eletronicamente, em recriações modernas dos hipnóticos ritmos da música tradiça da Índia. ?Satellite? impressiona pela vivacidade, pela magnífica levada e pelo vocal etéreo da sensação do pop etíope Gigi. ?Distance? é o hit sem dúvida, onde Falguni Shah expele o veneno mágico das cobras Naja, em uma verdadeira linha vocal hipnótica. ?Saajana? é escrita no estilo bhajan, progride em ondas verdadeiramente modernosas e autênticas.
Em momentos quase que espirituais, ?Realize? não peca na entrada nem na saída, surpreende pela beleza sonora dos arranjos, nas composições classudas, na invenção e na re-interpretação, trazendo ainda mais substância ao conceito do movimento Asian Massive, que agora vai despontar muito além das fronteiras do underground londrino ou nova iorquino, passando a conquistar o mundo, voando leve, muito leve, porém, com muito poder!
Clique aqui e ouça a faixa ?Distance?.
Se você gostou de Karsh Kale, ouça também: Tabla Beat Science, Talvin Singh, Nitin Sawhney, DJ Spooky e DJ Krush.
NEIL HALSTEAD | Sleeping On Roads
Não tenha dúvida, ?Sleeping On Roads? definitivamente não é um disco do Mojave 3. Neil Halstead conclusivamente é a cabeça desta excelente banda, porém, consegue soar diferente em seu mais recente álbum solo. Depois de passar pelo Slowdive nos idos de 90, Halstead acabou se tornando um dos compositores / cantores mais respeitados da Grã-Bretanha.
A história deste álbum é no mínimo curiosa. Em algum ponto da caminhada do lançamento do terceiro disco do Mojave 3, ?Excuses For Travellers?, de 2000, Halstead acaba ficando sem ter onde morar e se tranca sozinho em estúdio. Durante uns dois meses, aproveitando-se da situação em que se encontrava, tira tremenda vantagem gravando algumas canções órfãs do disco do Mojave para um futuro disco solo. Bum!
Está aí… ?Sleeping On Roads?. Quer título melhor para o álbum? Nem… Ele deixou o estúdio depois disto, para se instalar em sua atual residência. Mesmo assim acabou voltando para terminar o trabalho juntamente com seu companheiro de banda Ian McCutcheon, além do amigo de longa data Mark Van Hoen (Locust) e Nick Holton (Coley Park). Fazendo deste recente álbum, lançado aqui pela Sum Records sem muito atraso ? lançado em 28 de janeiro deste ano lá fora ? um disquinho magistral e contemporâneo.
Na mesma levada, a sonoridade de ?Sleeping On Roads? acaba constatando um sintetizadorzinho aqui e ali, uma pegada um pouco mais hospitaleira, mas, ainda assim, devemos ponderar… De duas uma: ou realmente Halstead não queria deixar de gravar as canções que sobraram de ?Excuses For Travellers?, ou Halstead é o Mojave 3. Portanto, por que não fazê-lo sozinho? Resultado final: Neil Halstead em ?Sleeping On Roads?.
?Seasons? começa animando, ?Driving With Bert? é contagiante e prima pela beleza no arranjo instrumental e sua intencionalidade épica. Gosto também de ?See You On Rooftops? e da faixa ?High Hopes?. A embalagem é caprichada para os moldes brasileiros, tem capa externa em papelão com a caixinha cristal protegida em seu interior. A arte do disco todo é hiper bonita, daquele jeitão característico dos lançamentos da gravadora 4AD. Dêem graças, já que podemos esperar muita coisa ainda. Desde o quarto álbum do excelente Mojave 3, como também um segundo disco solo de Halstead! Foda demais!
Clique aqui e ouça a faixa ?Driving With Bert?.
Se você gostou de Neil Halstead, ouça também ? Mojave 3, Red House Painters, Joe Pernice e Belle & Sebastian.
BAD RELIGION | The Process Of Belief
Que tal um pouquinho mais de gás nesta coluna? Depois de inúmeros pedidos dos leitores ruidosos, trago para vocês o mais recente álbum dos tarimbados punk-rockers do Bad Religion. Nem vou ficar aqui no blá-blá-blá, porque todo mundo já está careca de saber quem são, o que foram e o que os caras representam para o mundo da música, certo?
De qualquer maneira, a tentativa de ?The Process Of Belief? de retomar o velho e bom som do Bad Religion acaba quase que escapando pelos dedos. Ainda assim é bom de ouvir e traz aqueles ganchos característicos de Mr. Brett e sua trupe. O disco é bom, sim, é bom. Porém, passa longe dos antigos ?No Control?, ?Suffer?, ?Against The Grain? e ?Recipe For Hate?.
É rápido e bem gravado. E por falar em gravação, uma das boas coisas que este disco retoma é a antiga fórmula musical e o retorno à antiga gravadora Epitaph, sinônimo de punk nos Estados Unidos. Sabem quem é o proprietário da parada, né? Sim… claro que sabem… Semana passada falei da moçada do The Distillers e contei um pouco sobre Mr. Brett Gurewitz e sua gravadora…
?Sorrow? é daquelas faixas que fazem você levantar de onde estiver para dar uns bons chutes no ar, contagiante e enérgica entra pelos poros da pele e não te deixa mais em paz. Destaque também para a faixa de abertura ?Supersonic?, rápida e certeira. Boa pegada também em ?Can?t Stop It?, além das ótimas ?The Lie? e ?You Don?t Belong?. Encarte caprichado com as letras e boas fotos. Discão promissor, que deixa os fãs contentes e com vontade de mais um pouco do universo Bad Religion… vida longa ao punk!
Clique aqui e ouça a faixa ?Sorrow?.
Se você gostou de Bad Religion, ouça também: Rancid, Minor Threat, Fugazi, Bad Brains, 7 Seconds, Agent Orange, Hüsker Dü, NOFX e The Adolescents.
McLUSKY | McLusky Do Dalas
E por falar em vida longa ao punk… Ou talvez, vida longa ao rock?n?roll de uma maneira geral… Pro diabo com qualquer rótulo… Ouça McLusky, já! Ouça e compreenda o que poder e distorção juntos podem fazer com os ouvidos mais cálidos. Quer experimentar um pouquinho? Então se prepare, porque ?McLusky Do Dalas? contém fortes doses de barulho e um vasto carregamento de atitude radicalmente original.
Não é à toa que um dos nomes mais importantes da produção musical mundial está por trás deste álbum poderoso. Nada mais, nada menos que Steve Albini. Em parcas palavras… É fodido, é fodido e é fodido! Pedradas desmedidas desde o começo do disco. Energia que transpira por todos os lados. Força e rigidez não estão só em revistas de sacanagem… E por falar em sacanagem, os únicos no mundo que ainda não gostaram do som do segundo álbum deste trio foram as (os) fãnzocas do Bon Jovi…
?Fuck This Band? diz a sétima faixa deste álbum de Andy Falkous (vocais e guitarras), Jon Chapple (baixo) e de Mat Harding (bateria), além de ?To Hell With Good Intentions? trazendo uma letra forte e verdadeira. Eu desafio alguém que nunca tenha ouvido McLusky a ouvir e dizer que é ruim! Impossível, a banda é muito boa, rouba a cena, traduz nossas angústias de maneira clara e vital. Baixo, bateria, guitarra e vocal, simples assim, puro assim, maravilhoso assim!
Ouça também ?The World Loves Us And Is Our Bitch? e ?Chases?. As letras do álbum são sacanas, irônicas e sem rodeios. Sempre diretas no ponto, cutucando a ferida e jogando álcool por cima sem dó nem piedade! Já falei, fodido demais! Nada de amenidades, porradaria boa de se ouvir, procure o hit que estourou os miolos lá fora, ouça ?Whoyouknow? que depois de seu final volta em uma ghost track aos 3 minutos, é de matar!
Todas as letras no encarte, para cantar, entender e apoiar… Quer saber: quem estiver procurando energia, autenticidade e muito rock?n?roll, pare e corra atrás deste segundo trabalho dos caras do McLusky. Sem sombra de dúvida um dos melhores destaques da semana. Como eu já falei… É de foder qualquer caneco!
Clique aqui e ouça a faixa ?Whoyouknow?.
Se você gostou de McLusky, ouça também: Fugazi, Sonics, The Hives, Nirvana, Sonic Youth, PJ Harvey e Pixies.