
Feeling, muito feeling!
Depois de 10 dias de viagem estamos novamente no querido Brasil para compartilhar todos as aventuras da Expedição Surfando na Selva – Mascaret, em que a primeira equipe brasileira desbravou a pororoca francesa.
Vários meses de correria fizeram com que eu, o cinegrafista Vinicius Sguarezi e o fotógrafo Likoska pudéssemos abrir uma nova corrida de aventura no planeta água, desbravando fenômenos de marés.
Depois do convite dos especialistas da Mascaret, a pororoca francesa, Fabrice Colas e Bruno Boue, uma longa jornada teve início para a captura de patrocínios. Atravessar o Atlântico com uma equipe, não é nada barato, ainda mais por saber que a moeda principal é o Euro.
Para cada Euro desembolsávamos R$ 3,66! Salgado… Uma baguete recheada de hambúrguer, queijo, presunto e batatas fritas custa mais de R$ 20. Bom, mas isso não vem ao caso.
Três meses de batalha e a Rede de Comunicação EcoTerra Brasil, por intermédio do engenheiro Rubens Slaviero Filho, assinou contrato como patrocinador principal, agregando ao projeto informações sobre o meio ambiente e colaborando para a difusão da educação ambiental.
Também se juntaram a nós o grupo americano Jack Link’s, que garantiu durante a viagem proteína pura com as carnes desidratadas, a Goofy, meu patrocinador desde 1999, junto com a Red Beach, a Hot Buttered e a Photon – Tecnologia KWK, a comando de um grupo japonês que nos trouxe os raios infravermelhos longos ajudando em nossa performance para percorrer grandes distâncias, sem que houvesse a fadiga e stress muscular.
Mesmo com todas estas empresas, tivemos que investir em nosso potencial para tornar viável a expedição que marca a história no surf brasileiro e mundial, ao desvendar os mistérios das ondas mais longas do mundo, recheadas de obstáculos e perigo!
Saindo de Curitiba, Vini e eu encontramos Likoska e Rodrigo Dornelles em São Paulo. Pedra estava a caminho do SuperSurf e nós a caminho da Mascaret na cidade de Bordeaux, região sul da França.
Foram 14 horas de avião para fazer escala em Amsterdã, na Holanda, e chegar em Paris onde pegamos um TGV, um trem de alta velocidade para viajar por mais cinco horas até a estação central de Bordeaux. Maratona vencida e nossos anfitriões, Fabrice e Bruno, que até então só nos conhecíamos pela internet nos deram as boas vindas.
A expectativa era grande, praticamente a mesma quando estamos na Amazônia a espera da pororoca. A única diferença é que estávamos na França, numa região repleta de vinícolas, castelos e paisagens completamente diferentes da nossa! Fabrice mora na cara do gol, na margem do rio Dordogne, na vila St. Pardon, local onde famílias, curiosos e aventureiros conferem a pororoca francesa.
No primeiro dia, a equipe foi aquecer as turbinas em Lacanau, uma hora de carro de Bordeaux. Lá surfamos ondas irregulares de meio metro. Deu para pegar uns tubos, desenferrujar e questionar os amigos franceses sobre a onda mais longa da Europa.
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Na tarde do dia 13 de outubro, todos estavam vestidos com roupas de borracha, botinha e até luva para encarar Mascaret.
O único problema, segundo Fabrice e Bruno, era que estava chovendo demais e isso não era bom para a onda que surgiria no rio.
Mesmo assim, pensamento positivo para nos deparar com boas ondas e principalmente para que a chuva parasse!
Por conselhos dos experts em Mascaret, fui obrigado a aceitar um pranchão, já que o meu foi aconselhado a ficar no Brasil! Todos a postos e aceleramos para o primeiro point, chamado de “pont”, pois fica a poucos metros de uma enorme ponte.
Como sempre, nunca sabemos com exatidão o tamanho da onda de maré. Apenas temos como referência a tábua de marés para saber qual o coeficiente e a amplitude do deslocamento das águas. Isso nos deixava adrenados! Até que a maré começou a bater nas margens e na própria ponte. Na primeira seção na Mascaret, Fabrice dividiu comigo a sensação de deslizar e conhecer a pororoca francesa depois de muita batalha!
Emocionado, peguei logo a bandeira do Brasa e finquei em território estrangeiro! Foi alucinante! Mesmo não tendo um tamanho como a nossa onda de maré, só a sensação de estar aproveitando de um fenômeno da natureza, num visual muito louco, totalmente diferente do que estamos acostumados a ver já valia a pena.
Não podemos subestimar ninguém e nada neste mundo, pois quando menos esperamos podemos levar um rodão e morder a língua! Acho que foi o nosso caso com a Mascaret. Abusamos demais e após surfar Asques, a segunda seção, e Mousse, a terceira, acabamos naufragando a pequena lancha de Fabrice.
No impacto com as ondulações, fui arremessado para fora da lancha, Likoska e Vini estavam apavorados com seus equipamentos, avaliados em aproximadamente R$ 50 mil, e Fabrice, agoniado, procurava salvar sua lancha, após o primeiro naufrágio daquele tipo.
Situação controlada, Fabrice queria mais e tocamos a milhão, atrás da próxima seção: Izon, para chegar no ponto mais badalado da pororoca francesa, o pico de Saint Pardon. Ali muitas pessoas impregnavam a onda com seus caiaques, pranchões e até tandem.
Valia até colocar em risco a vida dos filhos, para deslizar e compartilhar a emoção de estar na Mascaret. Foi e é o caso de Hervé Coperet, que leva seu caçula Pierre Antoinne de apenas cinco anos, junto em sua prancha protegida apenas por um colete salva-vidas.
A vibração é gratificante, ainda mais por saber das muitas loucuras que acontecem no rio Dordogne. Nosso companheiro local Bruno Boue aprendeu a surfar de pranchão na Mascaret, pico escolhido para aperfeiçoar suas técnicas de plantar bananeira, caminhar de frente para a rabeta da prancha, dar cutbacks e outros truques no pranchão, que por incrível que pareça entrou na água salgada umas três vezes. Ah! Sem contar que ele próprio construiu sua embarcação, nome mais apropriado às gigantescas pranchas que vimos na Mascaret.
Em meio a tanta vibração, passamos por Saint Pardon em busca das duas últimas seções, La petit droite e La petite gaughe, esta uma esquerda de fundo de pedra, que rodava perfeita e com seções rápidas. Pura diversão e risco, pois as margens estão repletas de troncos, pedras, galhos e detritos naturais que podem estragar o sonho de surfar o rio.
A expedição Surfando na Selva – Mascaret foi literalmente abençoada, a energia positiva foi tanta, que conseguimos registrar excelentes momentos, na melhor Mascaret do ano passando por diversas situações.
Realizamos também pela primeira vez o surf rebocado para entrar de pranchinha na onda, surfando por mais de três quilômetros e muito rente à perigosa margem. Isso sem contar no visual dos castelos na beira do rio, sem noção!!!
O intercâmbio foi tão maneiro, que pudemos passar vídeos e fotos da nossa pororoca para a comunidade de surfistas de maré da França, observar olhos curiosos e aterrorizados pela capacidade do maior fenômeno fluvial da Amazônia e saber que iremos receber a equipe francesa no próximo ano no Brasil.
É por estas e outras, que o surf significa um símbolo de união, amizade e companheirismo. Fiquem espertos que em breve estaremos lançando um vídeo documentário da expedição e uma exposição de fotos nos principais picos do Brasil, mostrando além do surf na Mascaret, o surf em Biarritz, Anglet, Lacanau, as vinículas, chateaux, castelos, confrarias e muito entretenimento da Expedição Surfando na Selva – Mascaret.
Aloha!
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