Scardy vira na base de uma das grandes em Uluwatu. Foto: Darcy.

A última semana em Bali aconteceu a combinação perfeita para quem gosta de ondas grandes, denominada Monsoonal King Tide.

 

Clique aqui para ver as fotos

 

É a mistura do swell de Sudoeste virando para Sul, vindo lá do Oceano Índico, junto com uma maré bem alta e lua crescente.

 

O resultado foram ondas grandes, perfeitas e alguns estragos na orla balinesa. Na quarta-feira 16, tínhamos ondas boas, porém pequenas.

 

Os barcos invadiram as ruas de Jimbaran em busca de refúgio durante a ressaca. Foto: Darcy.

Séries de 1 metro com boa formação faziam a alegria do pessoal que, já sabendo do swell, aproveitava para se preparar.

 

Na quinta, já acordamos apreensivos para saber como estava o mar, e quando chegamos em Jimbaran para sair com o barco, o que podíamos ver eram ondas quebrando no horizonte, fechando quase que totalmente a baía de Jimbaran.
 
Nunca em 18 anos de Indonésia eu tinha visto a baía quebrando assim. As linhas deformavam o horizonte aonde normalmente nada acontece. Bom, mesmo apreensivos, colocamos o barquinho na água e lá fomos nós.
 
Logo na saída da baía de Jimbaran já encontramos dificuldades para varar a arrebentação, me fazendo retornar com o barco diversas vezes, acelerando para fugir de ondas de 6 pés nas costas. Fato também inédito nas minhas seis temporadas usando o inflável.
 
Depois da primeira dose de adrenalina partimos para Balangan. Antes de dobrarmos a ponta de Cekot Reef a quantidade de espuma e as linhas no outside não nos dava mais dúvida alguma de que o mar estava realmente grande.
 
Por ser na entrada do swell e pela maré muito cheia, Balangan que foi nosso primeiro check point, estava com uma formação um pouco estranha.

 

Tocamos para Padang, que tinha boas ondas, mas ainda não era aquela formação perfeita conhecida do pico. Alguns pros na água garantiam um show e tanto. Ficamos uma hora por ali, até que resolvemos dar uma olhada em Uluwatu.

 

Melhor decisão impossível. Chegamos e nos surpreendemos com o que vimos, ondas de 2,5 a 3 metros quebrando perfeitas, paredes galssy, totalmente glassy, bem longas e com bastante pressão, com apenas uns dez caras no pico. Era o dia de Uluwatu Corner, nenhum outro lugar tinha ondas tão consistentes.

 

A previsão era para dar uma subida na noite de quinta pra sexta, mas como o cansaço era tanto, dormimos e ninguém viu nada, somente quando acordamos com meu skype berrando após a notícia aí no Brasil do Jornal Nacional, fomos verificar o que estava acontecendo mais para o meio da praia da baía.
 
(Fiquei pensando: nós aqui do lado sem nos preocuparmos e a galera no Brasil ligando por causa do Jornal Nacional)
 
Sexta de manhã, a uns 500 metros de casa, já no caminho pudemos ver o tamanho do estrago. Barcos de pescadores destruídos e outros estacionados nas calçadas e ruas (o que parecia ser o lugar mais seguro, mas nem tanto, pois muitas ruas tanto em Jimbaran como em Kuta foram atingidas pela maré).
 
O lugar onde usamos para colocar nosso barco na água estava completamente modificado, o mar levou toda a areia, deixando as arvores com as raízes à mostra. Nesse ponto a adrenalina já havia substituído qualquer desejo de serenidade interior.
 
As pontas de raízes já seriam nosso primeiro obstáculo na próxima saída de inflável; o segundo, as ondas da saída da baía que estavam ainda maiores. E de fato foi, com muita sorte e alguma perícia, passamos um trabalhão para varar a arrebentação do Indicators da baía.

 

##
 

Bodyboarder compõe o quadro no barrel de Padang. Foto: Darcy.

Outra vez chegando em Balangan, vimos altas ondas, quebrando talvez no terceiro reef, sem ninguém na água. Nem pensamos, tocamos direto pra Padang. Que início de fim de semana foi esse.
 
As ondas estavam maiores, de 3,5 a 4 metros, com Padang mais perfeito que o dia anterior.

 

Vimos ondas muito boas quebrando por lá, com bodyboarders e surfistas se revezando nos tubos verdes e com lips assustadores espancando a bancada rasa.
 
Muitas pranchas perdidas e quebradas, muitas vacas tipo knock out (aquela que o cara toma

O experiente local Ketut mostra conhecimento do pico em Ulus. Foto: Darcy.

a vaca e tem que sair da água), o canal muitas vezes fechando totalmente, o que nos adrenalizava a cada série que vinha, mas acima de tudo um grande espetáculo.
 
Mas o melhor ainda estava por vir, fomos a Ulus e mais uma vez Uluwatu Corner era o pico.

 

Ondas ainda maiores exigiam muita experiência dos surfistas para conseguir dropar e dar aquela cavadona para pegar a velocidade na base da onda e passar esta primeira sessão da onda que estava bem forte e rápida, depois de ultrapassada, a onda virava uma grande pista sem fim.
 
Sem falar naquela remadeira pra voltar pro pico que levava em torno de 30 minutos quando não mais, servia para cansar e refletir sobre o que estava acontecendo. Era com certeza um swell histórico.

 

No sábado, nada de trégua, o mar continuava grande, a essa altura, já estávamos ficando acostumados com a adrena em passar as ondas no horizonte da baía com o barco. O mar estava apenas um meio metro menor, mais virado de Sul, e com todos os secrets de dentro da baía quebrando ao mesmo tempo, e os picos já conhecidos estavam quebrando com menos pressão d’água.
 
Ótimas ondas vinham em séries um pouco mais demoradas do que nos outros dias. No fim de tarde a cena era grotesca, com galera já exausta, tentando buscar o resto de energia que ainda restava para surfar as ondas que rolaram até o finalzinho do dia.

 

E que final de tarde! Parecia que a adrena do swell grandão já tinha passado e as linhas entravam grandes, perfeitas e fáceis de serem surfadas. Fizemos a cabeça e voltamos pra casa felizes da vida.
 
No domingo, com tudo já bem mais calmo, participei de uma sessão de fotos e vídeos de Rizal Tanjung, Dede e Pat O’Connell, atletas do Hurley Team em Bingin. Ulus recebia o swell e ajeitava tudo para Padang, Impossibles, Bingin e Balangan.
 
Vale lembrar que no sábado, do barco, vi um cara pegar uma onda em Impossibles lá no primeiro pico, vizinho de Padang, e varar tudo pegando vários tubos na mesma onda até sair no canal da direita de Bingin, se não me engano, pelo estilo, foi Tim Watts o autor desta façanha.
 
Conclusão deste swell, Uluwatu Corner estava comandando o balé mágico das ondulações gigantes que entraram. Ulu rolando grande e perfeito é uma das coisas mais lindas do mundo.
 

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)