O campeão brasileiro de surf profissional Renato Galvão faz um balanço do ano que está prestes a terminar.
Ele conta como foi importante a estrutura oferecida pela South to South para correr o WQS de 2008, lamenta a contusão do tornozelo e fala das expectativas sobre a temporada e a perna havaiana do Tour de Qualificação.
Apesar de não ter mais chances para ingressar no World Tour do ano que vem, Galvão garante presença e determinação nos eventos de Sunset e Haleiwa, onde acredita ser o começo de uma nova safra de conquistas.
Comente sobre a temporada de 2008: desempenho, resultados e dificuldades.
Vinha de uma seqüência muito boa de resultados e conquistas em 2007. Havia acabado de fechar com a South to South o contrato para correr o WQS 2008. Estava me programando para começar o ano em um ritmo forte no WQS e no SuperSurf, quando em uma sessão de surf em Noronha torci meu pé direito e fui obrigado a ficar dois meses sem surfar.
Foram dois meses sem competições e sem treinamento. Isso, sem dúvida, me atrapalhou muito. Acabei perdendo um pouco da pegada e não tive tempo de testar minhas pranchas novas e nem de me preparar antes das competições. Conseqüentemente acabei não obtendo bons resultados no WQS e SuperSurf no início do ano.
E o SuperSurf? Depois da vitória em Itamambuca você se tornou recordista profissional com o maior número de etapas vencidas.
No SuperSurf acabei não indo bem nas primeiras etapas, estava surfando bem mais não estava conseguindo manter o ritmo durante a bateria. Pegava uma onda legal e acabava não conseguindo uma segunda.
Ubatuba foi o evento chave para mim. Fui campeão em casa e entrei na briga pelo título brasileiro. Na última etapa, no Rio de Janeiro, surfei bem as primeiras baterias e acabei perdendo em uma por não conseguir achar ondas com potencial.
Esperei mais de 15 minutos, mas ela não veio. Fiquei em nono e terminei em oitavo no ranking final. O fator positivo foi que depois da última vitória em Ubatuba, me tornei o recordista em número de conquistas no SuperSurf.
A parceria com a South to South ajudou muito? Sem ela, seriapossível correr as etapas do WQS fora do Brasil? Comente sobre essa estrutura de patrocínio e quais foram as conseqüências da falta dela?
Sem dúvida. Para mim foi uma benção e eu só tenho que agradecer a Jesus e a família South to South (Mauricio, João, Binho, Daniel e meu amigo Lucinei Mallas). Essas pessoas me ajudaram muito e me deram a oportunidade de mostrar meu trabalho, representando a marca mais surf do Brasil.
Isso foi um grande estímulo para mim e fico amarradão quando subo ao pódio e levanto a bandeira South to South. Sempre ressaltando que sem esse tipo de apoio, ficaria inviável correr as etapas do WQS fora do país e sofri isso na pele o ano passado.
Vai para o Hawaii? Quais suas expectativas? Pretende correr as etapas do WQS mesmo sem chance de classificação para o ASP World Tour?
São dois campeonatos muito importantes para mim, não no sentido de brigar por uma vaga, mas sim de melhorar no ranking e buscar um resultado no Hawaii que é um lugar de ondas incríveis. Estou feliz em voltar a competir lá, já passei várias baterias com caras de peso e espero que os bons resultados venham e que sirvam de incentivo para que em 2009, possa ser minha melhor temporada no surf profissional.
Qual o foco central para o próximo ano? Vai correr mais etapas e dar um gás maior no WQS? Vai continuar correndo o SuperSurf?
Estou determinado e esperançoso. Se Deus quiser, vou começar o ano com bons resultados no WQS e ir com tudo atrás da tão sonhada vaga no ASP World Tour. Mas não vou deixar o SuperSurf de lado. Vou correr todas as etapas e brigar por mais um título nacional.
Entrar no ASP World Tour não é uma tarefa fácil?
Nada é fácil nessa vida. Entrar para o World Tour também não, mas estou disposto a lutar e fazer o que for possível para realizar este sonho. Determinação não vai faltar.
Preparação física, tática e psicológica são atualmente imprescindíveis para surfistas profissionais atingirem alta performance. Como você está se preparando?
Já estou me programando para a próxima temporada. Nos últimos dois anos fiquei sem treinador e sei da importância desse trabalho.
Por isso irei recomeçar o trabalho com o Carlinhos, meu técnico. Quero preparar meu quiver e pretendo encomendar várias pranchas e separar as melhores para começar o ano. Estou também planejando com meus amigos, Saulo e Diego de fazer uma trip em janeiro para algum lugar com ondas perfeitas.
