
Até que não podemos reclamar do ano que está terminando. Tivemos altos e baixos tanto no WCT quanto no WQS, com várias vitórias, mas sem muita regularidade.
A adaptação dos brasileiros ao novo formato do circuito mundial de surfe está sendo digerida aos poucos e só três se garantiram pelo ranking principal. Como conseqüência, teremos em 2003 a menor participação tupiniquim dos últimos anos, tanto no masculino como no feminino.
Não acho que foi um ano ruim. Pelo contrário, tivemos grandes momentos no WQS, em Durban, com Beto Fernandes e Jacqueline Silva; na Europa, com as vitórias de Fábio Gouveia e Teco Padaratz. Todas em eventos seis estrelas e que, no caso do Beto e do Teco, mesmo com 2.500 pontos em um só evento, não foram suficientes para garantir a classificação pelo WQS.
No WCT tivemos a meteórica reação do Neco Padaratz que, com uma vitória e um segundo lugar, pulou várias posições no ranking e mostrou que temos um franco atirador. E isto a qualquer momento pode ser fatal.
Em Sunset, Neco mostrou seu potencial para o Hawaii, quase fez outra final, finalizando o ano entre os top 28 da ASP. Peterson Rosa foi o brasileiro melhor colocado no ranking mundial.
Apesar de não ter feito nenhum pódio, ele foi regular ao conseguir excelentes quintos lugares em Teahupoo, Tavarua e Sunset, mostrando ser o surfista brasileiro mais preparado para este circuito de ondas pesadas.
Ainda tivemos a reação emocionante do Teco Padaratz que, com um nono lugar em Pipeline classificou-se para 2003, o que certamente dará um novo ânimo para o ano que vem, já que este ano uma malária o fez perder pontos e tempo no ranking.
Pelo WQS, tivemos a volta do Armando Daltro e a classificação do único estreante brasileiro para 2003, o potiguar Danilo Costa, que depois de bater na trave algumas vezes finalmente se garantiu na elite do surf.
O pai dele deve estar sorrindo lá em “cima”. Paulo Moura e Fábio Gouveia também se classificaram pelo WQS, sendo que o primeiro parece ser um dos únicos que realmente investe em sua carreira, sempre procurando surfar as ondas perfeitas para ganhar experiência.
O Fabinho é um fenômeno e consegue se manter na elite mais uma vez, sempre se renovando para vencer a garotada. A ASP convidou o Guilherme Herdy para ser Wild Card no ano que vem, devido ao problema nos tímpanos que o afastou de algumas provas.
No feminino, alternamos o vice-campeonato histórico de Jacqueline Silva com a desclassificação precoce da Tita Tavares. Nossas meninas não estão investindo no WQS. Estão deixando o bolo todo para as gringas.
Houve as vitórias de Jaqueline no WCT e no WQS, mas poderíamos levar muito mais se Tita, Andréa Lopes e a Silvana Lima estivessem investindo na divisão classificatória.
No Mundial da ISA tivemos boa participação. Ficamos em terceiro lugar por detalhes do último dia de competição. Mas, nossos surfistas foram destaque durante todo o evento.
Tivemos Jihad Khodr e Bruno Moreira na final Open e Adriano Mineirinho na final Júnior, além de vitórias do Marcelo Freitas, no LongBoard, e da Neymara Carvalho no Bodyboard.
Não acho que podemos reclamar este ano, mas com certeza podemos melhorar nosso desempenho, principalmente nas etapas australianas e na África.
Nossos surfistas deveriam ir logo para a Austrália treinar para o começo do circuito. Ficar por aqui não vai ajudar em nada. A melhor pré-temporada será no Gold Coast, não em Fernando de Noronha.
Aliás, eventos quatro estrelas só servem para quem faz a final, e, mesmo assim, se o atleta ficar entre os dois primeiros. É melhor treinar na terra do canguru para começar bem o ano e não ficar dependendo do WQS.
Ah! se eu pudesse… Boas entradas para todos.