Fuga do carnaval

Baianos conferem litoral chileno

Bruno Pitanga encara o power de Pichilemu, Chile. Foto: Ctssurf.com.br.

Carnaval de 2008. Mais cedo este ano, mas, como sempre, todas as atenções voltadas para Salvador, a cidade com ?o melhor Carnaval do mundo?.

 

Ruas cheias de gente de todos os cantos do mundo, muita música, ou melhor, nem tantas, mas tocadas repetidamente… e poucas ondas pra animar quem preferiu pegar uma praia.

 

Com a bênção de Iemanjá, o Centro de Terapia em Surf escolheu outro destino; preparou-se para sua primeira surf trip internacional e fez a festa em pleno Chile!

 

Há algum tempo, alunos já no nível de aperfeiçoamento vinham querendo desbravar novos picos e surfar outras ondas com a garantia de uma boa orientação, pra evitar as famosas roubadas.

Litoral chileno é repleto de ondas de qualidade. Foto: Ctssurf.com.br.

Algumas reuniões, pesquisas e telefonemas depois, estava definido o destino: Pichilemu, sul do Chile. Verão bem mais ameno que o nosso, água gelada, point breaks e previsão de boas ondas.

A ansiedade era grande para todos. Dez horas de viagem, belas paisagens andinas pelo caminho e valeu toda a expectativa: o pico não decepcionou! Ainda dia, apesar do horário de chegada, 19 horas, e a primeira caída logo mostrou o potencial das ondas.

 

La Puntilla é o pico da praia principal, Playa Hermosa. Longas esquerdas lisas e perfeitas quebrando ali, logo em frente a hospedaria. A onda tem três seções, que nos dias com mais de 1 metro já emendam e te levam quase até a praia. A remada pra voltar ao pico é um treino de resistência física.

 

Já no segundo dia, fomos conhecer Punta Lobos, pico mais famoso da região, onde, nos dias grandes, a onda quebra desde Las Tetas (grandes pedras que ficam quase por trás do morro e fazem parte do cartão postal do lugar) até a baía, uns 700 metros mais à frente.

 

Tivemos a oportunidade de registrar isso numa segunda visita ao pico. Uma seção de tubo já beirando as rochas faz a cabeça dos mais atirados. Muito surf de alta qualidade. Numa outra visita ao pico, o mar bombou de 8 a 10 pés, deixando os despreparados sem prancha para encarar um drop pesado. Show de surf.

 

##

Alunos do Centro de Terapia em Surf (CTS) curtem primeira trip internacional. Foto: Ctssurf.com.br.

Outro pico, que fica entre os dois já mencionados, é Infiernillo. Pense no que te espera… Mais um point break de lindas esquerdas, mas para chegar até elas, muita pedras, água gelada e correnteza. Nos dias em que estivemos lá, foi o pico mais castigado pelo vento.

 

Pankara foi uma surpresa. A única direita surfada na trip. Onda forte e tubular. O pico é um beach break lindo, na área da reserva de Punta Lobos.

 

Somente lá é proibido catar o cochayoyo, algas gigantes muito consumidas no costume local são vendidas aos montes por todo lugar.

 

Pichilemu vai ficar na memória não só por ser o primeiro destino internacional de uma surf trip do CTS, mas também pela constância, que fez a alegria de todos.

 

Pichilemu não nega fogo aos visitantes. Foto: Ctssurf.com.br.

A hospitalidade dos chilenos merece menção, bem como a beleza natural, os deliciosos frutos do mar e vinhos de primeira.

 

Pra quem curte temperaturas mais brandas, vale colocar o destino no roteiro das surf trips, mas fica avisado: não é uma trip para iniciantes, então pegue sua prancha, passe a parafina e ?keep surfing?!

Para o próximo ano, o Centro de Terapia em Surf já planeja em uma nova trip, desta vez pensando em proporcionar também aos alunos iniciantes a oportunidade de experimentar o feeling de surfar uma onda totalmente nova.

 

Para obter informações, visite o site Ctssurf.com.br ou entre em contato pelo telefone (0xx71) 3367-0187.

Dicas importantes

Moeda local: pesos (pp)
Conversão: $ 470 pp = US$ 1 = R$ 1,88
Como chegar: A Tam e a VARIG operam o trecho São Paulo – Santiago. Chegando lá, vá de táxi até o Terminal Alameda (cerca de $ 11.000pp) e pegue um bus Nilahue até o centro de Pichilemu (mais $ 5.000pp). Procure o COPEC ou a Municipalidad para se informar sobre hospedagem, o que fazer, mapas…
Onde ficar: Se estiver em grupo, vale alugar uma cabaña. A diária varia entre US$ 50 a US$ 100 pra grupos de 4 a 8 pessoas.
O que comer: Além do surf, Pichilemu é uma área de grande atividade pesqueira. Não vacile! Peixe fresco bom e barato é a melhor pedida. Dá pra comer salmão todo dia! Não deixe de experimentar empanadas napolitanas na praia de Punta Lobos.
Condução: A cidade é pequena, mas, se preferir, pode locar um carro por cerca de US$ 60 durante dois dias (promoção terceiro dia incluso). Pra Lobos, dá pra ir de táxi coletivo por 600 pesos cada trecho. Pra pedalar, a bike fica $1.000 pp a hora ou $5.000 o dia.
Clima: Friozinho, mesmo no verão. Pra enfrentar a água gelada, long john e botinhas. Mas o sol queima forte, não esqueça o protetor!

 

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Mais de cinquenta anos de câmera na mão: do Píer de Ipanema a Pipeline com Gerry Lopez, de Bob Marley no Havaí aos Rolling Stones no Maracanã. Fernando “Fedoca” Lima viveu e fotografou tudo isso. Agora reúne tudo em um livro.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)