Um dos finalistas do Billabong XXL 2007, concurso que premia anualmente os melhores surfistas de ondas grandes do planeta, o baiano Danilo Couto curte a satisfação de estar pelo terceiro ano entre os melhores big riders do mundo.
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Os vencedores serão anunciados no próximo dia 13 de abril durante a tradicional festa no The Grove Theater em Anaheim, Califórnia.
Único brasileiro na disputa entre os homens, Couto concorre ao prêmio de Melhor Performance geral na temporada.
Com atuações de responsa em picos como Mavericks, Califórnia, Puerto Escondido e Todos os Santos, México, e Pipeline e Jaws, Hawaii, entre outras sessions, o brasileiro está confiante em levar o prêmio de US$ 5 mil oferecido ao vencedor da categoria.
Durante um bate-papo com Bruno Lemos, correspondente Waves.Terra no Hawaii, Danilo fala sobre a expectativa para o prêmio, a rotina dele em busca das maiores ondas e como lida com o fato de não ter um patrocinador de peso depois de mostrar tanto serviço.
Qual foi sua reação ao saber que estava entre os finalistas do XXL na categoria Melhor Performance do Ano e o que você fez para ser indicado?
É muito bom quando o esforço é reconhecido. É um concurso mundial com duração de um ano e estar entre os três melhores na categoria Melhor Performace é um grande respaldo como atleta e traz uma enorme satisfação pessoal. Atribuo minha indicação por ter marcado presença em swells de responsa em diversos lugares durante o período, com destaque para os de Puerto Escondido, México, em junho passado, Mavericks, Califórnia, em dezembro, Pipeline, em janeiro, e Jaws, agora em março, ambos no Hawaii. Além da combinação de uma boa performance na remada, tow-in e tubo. Greg Long e Garrett McNamara serão fortes concorrentes também.
Como funciona sua logística para estar nos lugares certos nas horas certas?
Monitoro diariamente as ondulações nos diversos oceanos há uma década. Aprendi com o amigo Rodrigo Trajano, grande entubador, na Indonésia em 1997. Desde então me especializei e baseio minhas viagens em função das previsões, em vez de programar a viagem com meses de antecedência. Uma interpretação apurada dos mapas faz a diferença. Chegar lá a tempo que é a verdadeira missão. Diria que contei com um pouco de sorte também na escolha das viagens, no uso das milhagens e conseguindo embarcar com tempo na captura do swell.
E como você banca tudo isso sem possuir um patrocinador principal?
Quando se quer de verdade, você consegue. Sou batalhador e não desisto. As amizades e camaradagens contam muito na hora da acomodação, transporte e conexão do jet-ski para o tow-in. Tenho bons amigos mundo afora e nesta temporada tive o apoio da Sambazon / Tribal Açaí para as passagens e da Rhyno Foam, que me oferece um quiver completo produzido pelos shapers Victor Vasconcellos e Ricardo Martins.
Você e Rodrigo Resende possuem muito carisma no Brasil e uma imagem muito positiva na mídia. Como encaram e lidam com o fato de estarem sem um patrocinador de ponta?
Muito boa a pergunta…
Esta é a terceira vez que você chega entre os finalistas do XXL. Acha que tem chance de ganhar este ano?
Claro, estou acreditando. Tive uma boa temporada e acho que o fato de ter sido finalista nos últimos anos também deve pesar. O reconhecimento é bom, mas desta vez o título seria melhor ainda.
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Quem são os favoritos na sua opinião?
Em geral, achei justa a escolha dos finalistas este ano. A controvérsia sempre existirá, mas este ano os possíveis campeões estão bem nítidos. Desde o ano passado a organização do concurso montou uma espécie de conselho de votação, incluindo opiniões de muitos surfistas, fotógrafos e especialistas no big surf, aumentando a credibilidade do evento. A categoria Remada, juntamente com Performace, serão as mais disputadas. Na minha opinião, Greg Long, da África do Sul, levará o prêmio de Maior Onda e Andrew Marr, conterrâneo dele, o de Melhor Onda, atração principal este ano. O tahitiano Manoa Drollet o de Melhor Tubo,
em Teahupoo, e Ben Andrews o de Maior Onda na Remada, em Mavericks.
Comente o tubo que você pegou em Pipeline e como ele repercutiu.
Acho que foi um presente divino. Uma onda daquelas é raridade. O bom desse tipo de onda que vem lá do segundo reef de Pipeline, é que você pode pensar e se posicionar bem no tubo, com bastante profundidade. A repercussão foi imensa aqui, pois Pipeline é ?a onda? do North Shore. Até hoje sou cumprimentado pelos surfistas locais, principalmente depois da aparição no programa de surf local, com o título de tubo do ano. Na verdade achei que o tubo seria finalista na categoria Melhor Tubo do concurso. Mas, pelo visto o tubo deverá pesar a meu favor na decisão da Melhor Performance. A baforada foi muito nervosa e a sensação de começar o ano assim, a melhor possível.
E essa loucura de remar em Jaws, qual foi a repercussão entre os locais de Maui? Você tentará repetir a dose?
Acho que Jaws tem os dias de tow-in, mas também tem os de remada. Porém, são poucos os candidatos. Sem dúvida é umas das ondas grandes mais difíceis de pegar na remada, pois ela não quebra em apenas um lugar. Tem a característica de outside reef, de quebrar em lugares diferentes da bancada. É um bom lugar para colocar em prática todo o aprendizado no big surf. Foi uma sessão muito clássica, com dois grandes amigos e sem dúvida pretendo ir lá num dia maior. A repercussão foi boa e os locais nos apelidaram de “mad dogs”.
Duas brasileiras concorrem ao prêmio de Melhor Performance entre as mulheres. Será que teremos uma campeã brasileira?
Sem dúvida. A Andrea Möller e a Maria Bela estão treinando forte e evoluindo em Jaws. Andréa foi nomeada finalista exclusivamente pela atuação dela lá. A Maya (Gabeira) representou muito bem com atuações convincentes em Todos os Santos, Mavericks e Waimea. Acho que será a campeã. Parabéns para as meninas que elevam o moral da nação.
Quais são seus planos para o futuro?
Continuar treinando forte, focado na busca dos maiores swells, tubos e competições de ondas grandes, sempre de olho nos títulos. Também quero desbravar novas ondas grandes no litoral brasileiro, em bancadas oceânicas que já sabemos da existência.
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Não desistam dos sonhos. Nada melhor do que as dificuldades no caminho para nos fortalecer. Continuem surfando e deixem uma boa imagem por onde passarem, pois a boa conduta rende frutos que dinheiro nenhum compra.

