Campeão brasileiro em 2006 e atual líder do ranking nacional de longboard profissional, Carlos Bahia acaba de voltar do Peru, onde realizou sua primeira surf trip dedicada ao free surf e aos treinos.
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O atleta, que já viajou para diversos picos mundo afora, sempre esteve focado nas competições e nunca havia encontrado tempo para uma viagem com roteiro livre.
Ele aproveitou a barca para afiar seu backside nas esquerdas peruanas e ainda aprimorar o estilo no stand up paddle.
Carlos Bahia foi o terceiro colocado do ranking mundial da ASP de
Longboard em 2007 e atualmente está na quinta posição, depois de
duas etapas neste ano.
Confira abaixo o relato do atleta com exclusividade para o Waves.Terra.
No dia 13 de julho, um domingo, cheguei a Puerto Viejo, Sul do Peru. Esquerdas perfeitas com cerca de um metro rolavam no pico. O tempo estava nublado, mas a água azul e não acreditei na perfeição das ondas. Este era apenas o começo da viagem.
Eu estava acompanhado do meu amigo chamado Flávio Medeiros, o Ara Queto, morador da praia de Maresias, que estava em sua terceira viagem ao Peru. Nos hospedamos em San Bartolo, na casa de Manuelito, um surfista local.
No dia seguinte fomos a Caballeros. A onda é uma direita e quebrava em torno de 1 metro. Surfei a manhã toda. De tarde surfei de stand up no pico de Las Derechas, em San Bartolo.
Estive também em Peña Rosa, uma esquerda que se conecta com Huaico, um pico onde só os locais surfam. Logo que cheguei ao local me deparei com um muro e nele estava escrito: “Respeitem os locais. Brasil não”. Sentei nas pedras com meu longboard e logo um dos locais veio me peguntar de onde eu era. Respondi: Sou brasileiro!
Então ele disse que aquela praia era só para locais, mas havia outros lugares quebrando altas ondas. Eu humildemente disse: vim conhecer não quero atrapalhar ninguém, se for o caso eu vou emboral Ele me respondeu: “bom brasileiro!”, e depois disso pegamos altas ondas. Fiz amizade com todos.
Eu concordo com sua atitude. Ele não foi ignorante e pediu respeito, pois muitos vão para bagunçar e desrepeitam o pico. Ele ainda me alertou dos perigos que a onda oferece, pois acho que ao me ver de long, imaginou que eu fosse iniciante.
Em Maresias, onde eu moro, há muitos surfistas aprendizes que compram sua primeira prancha e já caem em valas de ondas perfeitas, onde tem uma galera treinando. Isso acaba atrapalhando, sem contar que alguns ainda desrespeitam os locais.
A chegada de um swell estava prevista e fomos checar. Informações confirmadas! Ondas de até dois metros entrariam ao Norte do Peru e quebrariam em picos como Chicama, uma das esquerdas mais longas do mundo.
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Começamos a agilizar nossas passagens. Levamos cerca de oito horas de viagem até Trujillo e de lá pegamos dois táxis para chegar a Chicama.
Chegamos em Chicama por volta das 11 horas da manhã. Não acreditei na perfeição das esquerdas e fui logo fazer uma queda. Me empolguei tanto que em dois bate-volta estava morto de cansaço e ainda quebrei meu long.
Depois de me alimentar e descansar um pouco voltei à praia de stand up. Todos os locais ficaram olhando e me perguntavam que prancha era aquela. Eles só tinham visto pranchas como essa em filmes. Expliquei a todos que essa é uma nova modalidade, onde surfa-se o tempo todo de pé com o remo.
Eu estou me adaptando muito bem a essa nova modalidade, que é
muito boa para o preparo físico e serve como um bom treino. O motivo maior desta viagem foi itensificar os meus treinos, já que estou em busca do meu segundo título brasileiro.
Passei dois dias em Chicama. Percebemos que a ondulação estava baixando e o Flávio estava morrendo de saudades do seu filho Renan “Tripa”, que ficou treinando em Lobitos.
Partimos rumo a Lobitos. Saindo de Trujillo, a empresa de ônibus se recusou a levar as minhas pranchas: cinco longboards e um stand up. Espantaram-se com o tamanho. Já eram 23 horas e não tinha o que fazer, pois nos avisaram em cima da hora de partida.
Entramos em um acordo e eles nos enviariam depois de dois dias. Partimos sem as pranchas para Lobitos. Depois de oito horas de viagem chegamos e nos deparamos com ondas de 1 metro. Sem as pranchas, aproveitei para descansar.
Depois de dois dias, finalmente me entregaram as pranchas e pude surfar La Piscina, com séries de até 1 metro. Percebi que este luga esse lugar é bastante proveitoso para o treino dos muleques mais novos, por ser uma onda que facilita as manobras. Encontrei na água surfistas como Ícaro, Ian Gouveia e o Renan Tripa, além de muitos outros de vários países.
Estou muito contente por ter feito minha primeira viagem como free surfer, sem nenhum compromisso de competição. Adorei conhecer esse país, do qual todos meus amigos sempre falavam muito bem. Fui muito bem recebido e alguns locais me reconheceram pelo título de terceiro melhor do mundo.
Conseguir treinar bem, pois surfo de frente para a direita e as ótimas esquerdas foram muito proveitosas para afiar o backside.
Agradeço toda a galera local pela receptividade e aos meus patrocinadores Stanley, Windbeach, Teccel, Flying Horse, HB e A Firma, que acreditam no meu potencial.
Aloha!



