
Após alguns dias no Tahiti, verifiquei as previsões indicando alguns dias de chuva
e swell pequeno para a Polinésia Francesa.
Em paralelo, uma grande ondulação, com vento calmo e terral, eram previstos para o Oeste da Austrália.
Após seis horas de vôo do Tahiti para Sidney, mais cinco horas voando de Sidney
para Perth e outras cinco horas de ônibus, cheguei à noite na cidade de Margareth
River.
O lugar é conhecido por ter picos famosos como

North Point, The Box e a esquerda de Margareth River.
Consegui alugar um carro – por um preço bem alto (US$ 55/dia) – peguei um mapa e fui conhecer as ondas que sempre desejei surfar.
O mar estava mexido, em North Point. Uma dupla praticava tow in e as ondas ainda pareciam não ter subido muito.
As previsões indicavam um swell enorme para as próximas 24 horas. Descendo alguns quilômetros ao Sul, cheguei, a Prevelys Park, na onda de Margareth e foi fácil identificar “The Box”, ambas estavam muito mexidas.
Dormi apreensivo e no dia seguinte, acordei ainda à noite e fui checar North Point. Ao sair do estacionamento, vi um carro com um jetski na carreta, o mar devia estar bem
grande.
Em North Point, cerca de dez carros com jets nas carretas. O mar enorme e os tubos eram só o inside. Ondas gigantes varriam tudo lá de fora nas séries.
Os jets entravam pelo canal na direção de Bombs, um outer reef que suporta ondulações maiores. Nesse dia quebrava com cerca de 20 pés. O terral soprava gelado, cortando a pele. O sol não havia nascido e intensificava o frio.
Subindo nas pedras, vi alguns bodyboarders olhando o mar. O comentário era: twelve colding foot – quatro metros e gelado. Logo um grupo de três bodyboarder decidiu cair.
Nunca estive nesse lugar e me parecia insanidade pura cair no mar: poucas ondas boas e enorme dificuldade. Esperar uma onda por mais de dez minutos significava ser varrido pelas séries maiores, por cima das pedras.
##

Ainda no canal, uma série enorme varreu todos eles, mas após alguns minutos remando, conseguiram varar. Um deles pegou uma boa direita e os outros foram varridos. O mar estava nervoso e fora de controle.
Resolvi cair para pelo menos conhecer o pico e dar uma remada. As condições não eram as melhores, mas estou aqui para isso. Botei a roupa e fui preparado para um mar congelante.
Para minha surpresa a água do Oceano Índico na região é mais quente que imaginei, meu long suportou tranqüilamente.

Longa remada, muitas ondas quebrando no canal, demorei uns vinte minutos para varar, sentei para esperar a boa.
Fiquei mais no inside, esperando a onda certa e logo veio uma série varrendo tudo, quebrou muito grande uns cinco metros na minha frente, tentei furar e rodei muito. No meio do caldo decidi largar a prancha que me arrastava pela espuma.
Erro grave e senti a cordinha soltando na hora. Mais uns segundos embaixo da água, levantei bem cansado e prevendo o perrengue de nadar sem a prancha até a praia, com ondas de cinco metros quebrando por cima das pedras e contra a corrente do canal – jogando para fora. Não seria nada fácil.
Por sorte, minha prancha estava próxima, nadei forte antes que alguma espuma a levasse e cheguei a tempo. Dei um nó mais forte na cordinha e voltei para outside.
Tomei umas seis séries absurdas na cabeça e remei por duas horas sem parar, para pegar uma onda apenas. Essa foi minha primeira manhã de surf em Margareth River.
##

No fim de tarde havia mais pessoas na água. Um crowd chato de bodyboarders e surfistas experientes. North Point é raro de funcionar com tamanho.
Entrei na água e fui sugado para baixo do pico enquanto a série entrava, passei quatro ondas
muito buraco com cerca de três metros, no limite. Tudo deu certo.
No pico, encontrei o aussie Brandon Newton, que também aproveitava o swell. Logo entrou
uma boa e pude surfar a onda verdadeira de North Point, um tubo longo, com duas sessões perfeitas terminando no canal.

O crowd dificultava muito o surf nessa tarde, resolvi pegar a última para sair. Um 360 normal entrando num tubo que durou cerca de três segundos
No dia seguinte o swell mudou de direção e as ondas não estavam boas em North Point. Desci correndo para The Box. Haviam cinco pessoas na água. Ótimos tubos, ondas com cerca de dois metros.
Cheguei no final da maré cheia, começando a secar. Consegui uns quatro bons tubos antes da onda ficar insurfável, com a maré vazia.
Surfei dois dias mágicos em The Box antes do swell ir embora, no último, o mar estava insano, só eu e dois surfistas na água. As melhores e maiores sempre sobravam, hehehe.
O vento começou a mudar e a mexer um pouco o mar, a ondulação entrava
misturada, fazendo as ondas ficarem ainda mais insanas e difíceis.
Os tubos quadrados e as baforadas gigantes marcaram essa sessão, que infelizmente não foi registrada. A onda estava boa para manobras na saída do tubo, foi o dia que realizei as primeiras manobras em The Box.
As previsões indicavam uma semana de chuva e vento maral. Resolvi partir para Sidney e tentar surfar Shark Island. Ficara para trás, as fazendas, as parreiras, enormes pastos e as pesadas e sólidas ondas de Margareth River.