
O inverno deste ano tem sido surpreendente. Nunca vi as ondulações chegarem tão cedo e com tanta perfeição a costa catarinense.
Na real, a primeira delas entrou um pouco antes do natal, água clara e quente, bancada rasa com tubos e mais tubos.
Em janeiro não deu onda, mas em fevereiro voltou a bombar e não parou mais. As correntes de sul estão muito constantes e deixam a água clara.
Muitos dias de sol e várias sessões de surf. Tudo isso me lembrou os mares mais clássicos

que peguei em lugares alucinantes como Ilhas Canárias, Pipeline e Off The Wall.
Lembrou outras que apenas assisti nos vídeos do esporte:The Box e outras perfeitas bancadas australianas. Ondas extremamente tubulares.
Esse foi o melhor presente que um cara apaixonado por tubos poderia receber em sua casa.
São até agora quatro meses de ondas tubulares. Nunca vi um ano tão constante em Santa Catarina quanto esse.
Infelizmente não estamos filmando, nem registrando as sessões. Porém, algumas fotos estão aí pra a galera ver um pouquinho do que rolou nesse outono mágico.
O dia 4/6, marcou a história do surf catarinense com um swell super consistente. A laje da Joaquina, que raramente espuma – apenas nos dias muito grandes – quebrava sem parar.
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Quando a série subia, o horizonte sumia para quem estava na areia. Desde o costão até depois da pedra careca. Muralhas de água e no meio da praia tubos gigantes quebravam solitários para direita.
Obeservei o mar até o meio-dia e não aguentei mais. Coloquei a roupa de borracha e fui pra beira do mar pegar uma carona até o outside. André Barcelos me levou de jet até lá fora.
Pedi para ficar nas direitas, buracos absurdos quebrando sozinhos. Lá, a adrenalina subiu, estava praticamente sozinho no mar bem grande. Mais pro costão Dê da Barra e Paulo Moura faziam a mala nas esquerdas mais

cheias.
Dentro da água a laje espumava sem parar, as ondas intermediárias quebrando muito para beira. Queria pegar uma direita e da serie que olhando de fora, abriam bastante.
O mar estava muito grande e era muito difícil se posicionar. Depois de uns 20 minutos entendendo a situação, de olho onde as ondas quebravam, subiu um triângulo grande e percebi que ia dar uma espumadinha, matando o risco de remar e não entrar.
Iniciei o drop e uma grande parede crescia na minha frente. Na hora da cavada, a prancha pulava muito, comecei a ficar atrasado. Coloquei as pernas abertas na água para estabilizar, e pensei: “Tenho que conseguir aturar.”
Passei a sessão mas não rolou o tubo e a junção não aconteceu o momento bom para a manobra. E foi isso. O pessoal do tow in fez a mala, se tivesse um jet pra galera do BB, teríamos destruido as direitas que estavam muito mais cavadas. Dava pra voar muito nas maiores. E pegar tubos insanos.
Fui varrido depois dessa onda. Ficou uma sensação de satisfação. No fundo, permaneceu a vontade de pegar mais umas muralhas perfeitas e tubulares, mas era impossível varar remando.
Saí da praia e fui ver meu filho Bernardo e passar um pouco da energia positiva que rola por ter surfado o maior mar que vi no quintal da minha casa.