Eduardo Bagé é um dos destaques do longboard brasileiro. Morando entre a França e o Brasil, o carioca de 29 anos conseguiu seu espaço no surfe mundial correndo atrás de seus objetivos além mar.
Como resultado de sua empreitada internacional, Bagé hoje figura na equipe da tradicional marca francesa Oxbow, patrocinadora da principal etapa do Circuito Mundial de Longboard.
Atualmente ele não tem compromisso de competir. Entretanto, terminou o ano de 2006 na sétima colocação no ranking brasileiro (mesmo não participando de uma etapa).
Bagé ainda venceu o Festival Petrobras de Surfe, uma etapa da Associação Paranaense de Longboard, foi vice-campeão da última etapa do Petrobras Longboard Classic e da primeira etapa do Paulista Profissional de Longboard, em Santos.
Resumindo: disputou 13 competições e chegou a 9 finais! E é com essa disposição que este ano ele promete lutar pelo título brasileiro.
Faça um balanço da última temporada.
O ano de 2006 foi irado. Teve o nascimento do meu filho Raony, que pra mim foi um presentão dos céus! Nos campeonatos, consegui excelentes resultados.
Participei de 13 competições e fiz final em 9. Ainda consegui dois terceiros, fui três vezes vice-campeão e venci quatro etapas, fechando o ano com chave-de-ouro com o título do Festival Petrobras de Surf. Na mídia, fui capa do DVD Surfex Mieux (Surfando Melhor), na França. Esse vídeo foi veiculado em toda a Europa e foi o maior sucesso. Também saí nas revistas Vizoo, Venice, Black Water, algumas revistas na França, um livro alemão, Jornal do Brasil. Na TV, fiz ?Oi Mundo Afora? – com a Mel Lisboa -, ?Brazucando? – programa exibido pela RBS -, Sportv, ESPN ao vivo, entre outros.
Você deixou de competir em uma etapa do circuito brasileiro e terminou o ranking em sétimo lugar. Qual seu objetivo este ano no circuito?
Ano passado eu não consegui vaga nos aviões para a terceira etapa em Pernambuco. Mas este ano vou me organizar melhor pra poder competir em todas as etapas. Já tenho treinado para a primeira etapa, em Santos. Acho que começar o circuito com um bom resultado é injetar uma dose extra de motivação logo no início do ano. Vou continuar concentrado pra tentar ser campeão brasileiro. Depois, tenho uma trip com o pessoal da ?Zuma Productions? e dois fotógrafos franceses. Ainda pretendo fazer algumas outras trips para lugares que ainda não conheço. Além de dar sempre aquela atenção especial pra minha família… Eles são a minha vida!
Como você está se dividindo atualmente (França, Brasil)?
Procuro aproveitar o que cada país tem de melhor: o clima, os melhores momentos para trabalhar, descansar, alimentação, tudo… Normalmente fazemos 6 meses aqui 6 lá… E o bom é que os melhores momentos nunca caem juntos, são sempre em épocas diferentes.
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Como é sua atuação no conselho dos longboarders profissionais?
Eu não faço parte do conselho, pois moro seis meses na França e acho que seria
interessante ter alguém mais presente fisicamente. Tenho tentado organizar a galera, mesmo não sendo tarefa fácil, a gente tá sempre tentando. Este ano, meus principais objetivos serão mostrar aos organizadores que os astros são os atletas e dar as devidas condições para os atletas competirem; reverter as inscrições em premiações das categorias Legends e Super Legends; organizar reuniões entre atletas e juízes antes e / ou durante as competições. E mais algumas coisas que podem ajudar na evolução da categoria.
Quais as suas expectativas em relação ao esporte?
Evolução. Acho que com a união dos atletas, juízes, organizadores, patrocinadores e staff – todos com o mesmo objetivo -, ver o esporte crescer. O futuro é bastante promissor.
O que você tem aprimorado em termos de manobras? Algum truque novo na
manga?
Os truques são segredos (risos!) que serão revelados no momento exato. Ou então
durante uma session de free surf, mas, claro, o mais discreto possível pra que tenha bastante impacto na hora em que for utilizado.
O que você acha do atual critério de julgamento do longboard?
Acho que todos unidos vamos conseguir reduzir os poucos erros de arbitragem.
Quem são os atletas brasileiros nos quais você apostaria suas fichas para o futuro?
Acho que existem grandes atletas aqui no Brasil. O Roger Barros, o Caio Teixera e o Caio Husadel são grandes talentos. Lá no Sul existem pequenos prodígio, que ainda vão dar muito trabalho.
Para um surfista profissional, qual a principal diferença de se morar em um país de primeiro mundo como a França?
São as oportunidades de mostrar o trabalho. Lá, todo mundo consegue um espaço, mesmo que seja pequeno. Já aqui, são sempre os mesmos que aparecem.
Você acredita na consolidação de um circuito mundial de longboard, a exemplo do que acontece entre as “pranchinhas” – com uma elite formada através de uma série qualificatória?
Com certeza, pode começar ano que vem ou daqui a 50 anos. Lá fora existem várias categorias de base que dão um gás em muitos marmanjos. Por isso, o que falta mesmo são as empresas olharem um pouco mais para o longboard, dar chances pra esses prodígios serem surfistas profissionais nas pranchas que eles escolherem.
O quê você diria a um empresário que pretende investir no longboard?
Demorô! hehehe… Pediria pra ele assistir a um dos eventos de longboard para
que ele veja a ?Mina-de-ouro? em que estará investindo, para que ele possa ver com
os próprios olhos a verdadeira imagem da confraternização, da alegria, da lição de vida que é uma competição de longboard. Nós preservamos os valores éticos, o que é primordial! E que ele está investindo em um esporte que reúne todas as gerações, etnias, sexos…


