
Criado nas ondas perfeitas de Maresias, litoral Norte paulista, o freesurfer Mauro Bianco aproveitou as férias entre setembro e outubro para explorar ondas internacionais.
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Apaixonado por tubos, o paulista partiu para sua segunda trip em Puerto Escondido, México.
O objetivo era surfar as ondas que não encarou na primeira vez em que esteve lá devido à uma contusão no joelho.
Em um breve relato, o freesurfer de 26 anos conta como foi o reencontro com as famosas ondas da Pipeline mexicana.
“Cheguei em Puerto no dia 16 de setembro e fui direto para a pousada do brasileiro Vandielle, que mora lá e oferece o melhor custo/beneficio da região. Quartos com ar-condicionado custam apenas US$ 6 por dia.
A previsão era animadora, a semana prometia um swell de Sudoeste com ondas de 6 a 9 pés, com período relativamente curto, de 11 segundos no início e aumentando gradativamente para 15 a 16 segundos depois do quarto dia.
Depois de uma primeira queda sem muito sucesso em Zicatela, onde as ondas de 6 a 8 pés já mostravam a força do Oceano Pacifico, decidi partir junto com Pedro Oliveira e mais alguns brazucas para um secret localizado a algumas horas de Puerto.
Chegamos lá e a visão foi de enlouquecer. Fundo de areia, direitas de 3 a 4 pés lisas, com algumas séries maiores e com formação que nunca havia visto.
Sem pensar duas vezes, peguei minha prancha 6’3” mágica e pulei na água. A onda rodava um tubo perfeito desde a ponta da pedra.
Para mim, que surfo direitas de frontside, parecia um sonho. A primeira sessão era um drop seco – sempre elevador – e depois da cavada rolava um primeiro tubo muito longo.
Ao sair lá na frente, a onda armava uma segunda sessão de duas a três manobras, em seguida ela enroscava na terceira bancada, bem rasa, com a água na altura dos joelhos e começava a rodar um tubo muito seco, extremamente longo e perfeito.
Era impressionante como a onda não parava de rodar e assim seguia por muito tempo até fechar bem no inside. Assim foram os três dias seguintes. Até que voltamos a Puerto com o corpo bem desgastado das sessões épicas.
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Ainda escuro, ao acordar no dia seguinte, peguei minha 7´11 zerada, passei parafina e corri para o mar.
No outside, me deparei com séries de 6 a 8 pés e algumas perdidas de 9 pés, com intervalo de 17 segundos entre as ondas.
Para completar o cenário de sonhos, Sol e vento terral. As primeiras ondas serviram de base para sentir a prancha.
Já havia passado um tempo e, depois de algumas tentativas, me concentrei para pegar uma bela bomba.
Foi aí que o horizonte ficou escuro: uma onda pesada vinha em minha direção, e parecia que ela abriria. Remei forte e, numa fração de segundos, lembro do local Oscar Moncada gritar para eu ir.
Entrei na onda quase no limite. Ela era muito pesada! Acertei os pés no meio da prancha, cavei e botei para dentro. Estabilizei o corpo e comecei a andar no que seria um dos tubos mais pesados da minha vida.
Passei a primeira placa e a segunda sessão já começava a jogar bem larga. Andei bem dentro dela. Até que estiquei o corpo e fiquei apenas curtindo aquele momento.
Saindo da segunda, uma terceira placa armou bem lá na frente. Já não tinha mais o que fazer. Firmei os pés na gun e esperei ela me pegar.
Voei para frente e bati com as costas na água. Tomei uma vaca insana, mas levantei amarradão e com um grande sorriso na cara. Saí para pegar a prancha e depois de alguns segundos comecei a cuspir sangue. Foi sinistro!
Por um momento fiquei preocupado. O fator psicológico tomou conta do meu corpo. Mas, ao mesmo tempo estava amarradão de ter andado naquele supertubo. Não foi nada grave, mas só parei de cuspir sangue duas horas depois.
Vi muita gente se machucar ali. Realmente as ondas cobram caro pelo mínimo erro cometido por qualquer surfista. Durante duas semanas as ondas não pararam de bombar. Água quente, vento terral e tubos de 5 a 10 pés todos os dias. O resto fica na memória”.