Por trás das notas

Azarão australiano atropela na Califórnia

Se alguém apostou forte no azarão australiano Richard Lovett, a banca foi quebrada na última segunda-feira, quando o atleta surpreendeu a todos e ganhou a etapa californiana do WCT.

 

Na final Lovett derrotou um dos favoritos ao título do evento, seu compatriota Taj Burrow, mostrando que todos podem ter seu dia de glória. O brasileiro Victor Ribas ficou em terceiro, empatado com o californiano Taylor Knox.

 

Acompanhei várias baterias do evento ao vivo, e havia uma grande expectativa pelo confronto Andy Irons x Kelly Slater, mas o líder do circuito perdeu no segundo round para seu irmão Bruce. Aliás, esta rivalidade está sendo um prato cheio para a mídia e para o interesse do público em geral.

 

As ondas estavam inconsistentes com até um metro e meio, o que tornou a competição muito imprevisível. Algumas baterias com ondas boas e em outras, grandes períodos de calmaria. Pequenos detalhes no posicionamento e na escolha das ondas foram fundamentais para ter sucesso na competição. Com medo de boiar, alguns surfistas ficaram no inside e perdiam as séries de direitas.

 

Outra coisa que percebi foi que, por contarem apenas duas ondas, várias baterias estão sendo decididas nos segundos finais. É nesta hora que o preparo psicológico decide, e aqueles que caem nas ondas decisivas certamente não agüentaram a pressão ou tentaram uma manobra arriscada. Ficou claro que para conseguir virar resultados a frieza e/ou muita experiência são armas fundamentais.

 

Com está vitória, o australiano pulou do trigésimo para o décimo sétimo lugar no ranking – até então não havia passado do terceiro round. Foi com certeza uma vitória de um azarão, pois Lovett já tem 29 anos e nunca havia vencido uma etapa do WCT, o que demonstra um nivelamento entre os surfistas da elite mundial.

 

Temos que levar em consideração que ele é um excelente competidor de baterias de quatro surfistas, formato adotado no WQS, onde ele já tem três vitórias, uma inclusive no Hawaii. Como as ondas estavam escassas, ele usou toda sua estratégia competitiva para se posicionar e escolher certo, durante toda a etapa de Trestles, na Califórnia.

 

Para os brasileiros foi um evento de recuperação e de afirmação. No momento, existem seis brasileiros entre os 28 primeiros que se classificam direto para o circuito do ano que vem, e ainda teremos uma etapa em Florianópolis. O excelente terceiro lugar de Victor Ribas pode possibilitar uma reação do atleta no ranking, e com mais uma boa colocação nas próximas duas etapas na Europa o cabofriense poderá ter o estímulo para competir no Brasil praticamente classificado para o WCT do ano que vem.

 

Tirando a pressão de competir em casa na antepenúltima etapa do ano, Neco Padaratz confirmou a boa fase e foi muito bem no evento, perdendo somente para um Kelly Slater inspirado. Mas, com um nono lugar Neco se garantiu como o melhor brasileiro no ranking.

 

Outro que faz um excelente ano é o pernambucano Paulo Moura, que ficou em nono na etapa e está vigésimo segundo lugar no ranking. No final do mês tem outro capítulo, agora na costa basca. Boa sorte.

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