O atleta de Ubatuba (SP) Gabriel Adisaka continua sua aventura no Peru, onde treina para aprimorar seu surf.
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Em sua primeira surf trip internacional, o garoto de 16 anos faz um diário completo com detalhes desta nova experiência.
Confira abaixo o relato da segunda semana de Adisaka, no qual ele aborda as perfeitas esquerdas de Puerto Viejo e conta como se recuperou do tremendo mal-estar da primeira semana.
8º dia Estes últimos dias foram bem parecidos. Para mim não houve surf, pois ainda estava mal por causa da comida ou da água. Mas tranquilo, internet ajuda o tempo passar. Para quem vir ao Peru aviso: vômito e diarréia são de lei! Faz parte (risos)!
9º dia Acordei tranquilo, mas muito fraco porque só comi sopa nos dois últimos por causa do estômago. Foi a primeira vez que o mar me decepcionou.
Tinha 1 metro na série, porém a ondulação vinha toda picada, bem estranho. Mesmo sendo fundo de pedra quebrava ruim, não surfei muito, estava cansado. Ainda fui testar o surf de botinha e foi horrível! Surfar de botinha não é como eu pensava.
Almoçei novamente sopinha. Fiquei injuriado com os cozinheiros, mas eles foram muito legais comigo e cuidaram de minha alimentação, cuidam de todos! É muito engraçado isso!
À tarde fui ao mercadinho comprar umas bananas, um suco. Comprei também dois decks Gorilla Grip (muito barato) e voltei para a pousada quase no final de tarde. O mar não estava animador, eu estava mole, sem forças e resolvi guardá-las para o próximo dia.
Fiquei resolvendo umas coisas, fazendo contas, planejando a trip para o Norte (Lobitos), pesquisando pousadas, preços e passagens.
Fiz uns alongamentos com a bola de Pilates para desenferrujar e finalmente comi comida! Aleluia! Arroz carinha e cebola já foram o suficiente para me satisfazer. Tomei banho e fui para uma festa aqui perto, a festa do ‘japa’, ”ja pá cama” (risos)! Até amanhã.
10° dia Acordamos com a dúvida de onde surfar, já não aguentávamos mais Punta Rocas e decidimos fazer diferente.
Tomamos café e fomos para Puerto Viejo, foi o local! Juntamos uma galera, fizemos um rateio e fomos pra lá. Foi bom, na ida vimos uns visuais, uns desenhos nos morros, coisas muito diferentes.
Chegamos lá por volta das 11 horas. Demorou um pouco, mas quando chegamos tinha meio metrão irado! Abria muito, ela não fechava. Colocamos as roupas e fomos.
A onda é fácil de surfar, você entra por trás do pico beirando as pedras. A onda é tranquila também, com sessões gordas e cavadas. A gente pegava ela gorda e ela virava na bancada mais embaixo e ficava muito boa, umas dez manobras, sério! Depois tinha que sair e voltar andando, pois se voltássemos remando cansaria demais.
Muita onda, muita manobra, saía no meio da praia com as pernas tremendo. O crowd era tranquilo. Os peruanos não surfam muito bem, não sei como, nestas ondas tão perfeitas. Saí do mar morto e fui filmar um pouco o Itamar. Assim que saí, apareceu um monte de golfinhos do nada.
Voltamos cansados de tanto surfar e à noite vimos as imagens. Tinha onda de vinte segundos. Sem palavras, surfar assim não tem comparação. Era floater, rasgada, cutback, batida, rabetada, aéreo, base trocada, dava pra fazer tudo! Depois de ver as imagens dormimos!
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11º dia Acordamos e mesmo esquema, Puerto Viejo! Fomos mais cedo para voltar para o almoço. De novo a mesma galera e mais uns. Já que sabíamos da perfeição da onda, só queríamos ver o tamanho e as condições.
Chegando lá vimos uma fumaçinha vindo lá dos quiosques. Quando chegamos mais perto, vimos que era o quiosque do Tiozinho que tinha sido queimado! Deu dó porque no dia anterior comemos lá e era a casa dele também.
As ondas estavam menores. Mas sem problemas, bora pra água! Estava demorando um pouco, mas ela abria muito mais e estava mais paradinha, muito boa para o treino, de leitura de onda e de pernas! Eram umas três ondas no máximo, depois aquela corridinha até o canto e tudo de novo!
Fiquei muito cansado e a sinusite já tava começando. Saí e me troquei. Estava um ar muito gelado. Filmei um pouco a galera na vibe e fomos embora. Dei um cochilo na van e chegamos.
O prejuízo foi grande na cozinha. Imagine doze caras com muita fome. À tarde minha cabeça latejava um pouco por causa da sinusite e resolvi me preservar. O sol não apareceu e o frio tomou conta. Jantamos, comemos bem, graças à Deus.
Depois a ”renca” toda foi ver as imagens, foi muito engraçado. Todo mundo comentava as ondas naquelas: “ó”, “caraca”, “ô loco”. Foi muito divertido, resolvi umas coisas e depois dormi!
Gabriel Adisaka viaja com o apoio da Oakley e da Lightning Bolt.