Autoridades agridem novamente a mãe natureza

Dias antes do feriado, como a maioria dos paulistanos, me preparei para sair da grande metrópole e seguir rumo ao litoral norte, mais especificamente para a praia de Camburi. Já com os ânimos exaltados para sentir o gosto de água salgada, recebi o comunicado que teria de trabalhar na quinta-feira (02/11). Ciente de que um bom swell rolava nas praias, toda vez que olhava no relógio, durante os afazeres, as horas pareciam não andar. Cada segundo era uma eternidade. Mas agüentei firme, pois sabia que em pouco tempo iria curtir as maravilhas da natureza e eliminar as chateações que tinha em mente.
No final de tarde, após ter cumprido a missão do dia, peguei minha namorada e finalmente caí na estrada. Parecia mentira, nem acreditava. Uma sensação de liberdade já tomava conta de mim. Quanto mais me distanciava da capital, maior era a alegria de deixar para trás a poluição e o trânsito da cidade.
Já no litoral e com os pés na areia, era só curtir o feriado. Conferir o Hang Loose Pro Contest, 28a etapa do WQS, na praia de Maresias, pegar muita onda e, claro, reservar um tempinho para a namorada e família. São Pedro não ajudou e o sol não apareceu, fazendo com que muita gente acabasse antecipando a volta aos seus respectivos lares. Mas no quesito ondas, Netuno abriu as comportas oferecendo boas condições tanto aos competidores quanto aos free-surfers.
No domingo, como Camburi estava fechando, fui para a praia da Baleia e me deparei com um mar clássico. Direitas e esquerdas perfeitas faziam a cabeça dos poucos surfistas que estavam na água. Entre uma onda e outra, agradecia a Deus pelos momentos de prazer que a natureza me oferecia. Com meus próprios olhos, podia ver o vento terral batendo contra o lip, enquanto o pôr-do-sol construía lentamente um cenário de despedida. Com a entrada da noite, voltei para Camburi e arrumei as “tralhas”. Estava prestes a cair na realidade: Fantástico, pizza, Sai de Baixo e trabalho.
Na segunda-feira, de cabeça feita e pronto para encarar a semana, fiquei indignado ao abrir o jornal e ver mais um acidente com um navio petroleiro. Foi como se tivesse levado “um tiro no peito” ao saber que 12 praias em São Sebastião já estavam contaminadas com o vazamento de 86 mil litros de óleo. Só este ano foram mais de oito acidentes nas praias da região. Constatado o fato, resolvi desenvolver esses parágrafos pela minha indignação e revolta para com esses incompetentes da Petrobras. Digo isso porque só de lembrar do meu feriado, fico triste em pensar que a mãe natureza está sendo agredida brutalmente. Ela que nos oferece condições para praticarmos o “esporte dos deuses”. Ela que nos livra de coisas ruins, deixando nossas mentes limpas. Não podemos ficar apenas observando. Vamos lutar para que fatos como esses não se repitam, caso contrário, esses irresponsáveis irão danificar o nosso playground, afetando a energia indescritível que contemplamos no ato de surfar.

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