A vitória de Mick Fanning no Brasil foi divulgada com um dia de atraso pelos jornais australianos, devido à diferença do fuso de 13 horas.
Para compensar o atraso, estamparam o campeão na capa do The Bulletim, com os dizeres “The Coolie Kid” (Coolie é referência a Coolangatta, bairro que revelou Fanning). A notícia mexeu com a cidade.
No Brasil, quando os times de futebol ganham algum campeonato local ou nacional, os jornais impressos estampam a foto oficial da equipe num pôster gigante. Pois é, aqui ocorreu o mesmo, mas foi com o surfista de Coolangatta.
Nas rodas de conversa pelas ruas, no trabalho ou na escola, o assunto não poderia ser outro se não o WCT. Com a vitória australiana, isso se tornou mais visível e audível.
Como a maioria da população australiana vive na costa, a ligação deles com o mar é algo que vem de berço; imagino que já está no DNA aussie.
Na chegada de Mick ao aeroporto Coolangatta, a euforia foi geral. O campeão mundial foi recepcionado por cerca de 300 pessoas, incluindo sua mãe Liz Osborne e sua namorada, a modelo Karissa Dalton.
A festa tinha itinerário certo: o bairro de Coolangatta, onde estão localizadas as famosas ondas de Kirra e Snapper Rocks, e também a casa do campeão. A comemoração não poderia ser em outro lugar.
A chegada do herói local coincidiu com a chegada do primeiro bom swell, depois de dois meses de espera. Sorte de campeão.
Um perfeito dia australiano: muita ondas, cerveja e chicks (gatas). As celebrações continuaram e a festa se estendeu até a noite para 600 convidados que já aguardavam no Kirra Beach hotel.
A euforia era tamanha, que especula-se até a construção de uma estátua do campeão na praia de Kirra. O jornal local The Bulletin especulou a construção de uma estátua para homenageá-lo. O título da notícia foi “Should we have a statue for Mick?? Exagero ou não, isto é decisão deles.
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Com o retorno do aussie Fanning pra casa, presenciei a paixão australiana pelo surfe, com a chegada do novo campeão mundial de surfe.
Desde 1999, com Mark Occhilupo, que os australianos não sentiam o gostinho da vitória. Os aussies adoram beber, e esse era mais um ótimo motivo.
Os goldy boys comemoraram pelas ruas e pubs de Coolangatta, sempre regados a muito “suco de cevadis”. Eles extravasaram.
Aqui na terra do surfe, o esporte é assunto de domínio público. Todos têm algo a acrescentar. Eles debatem o surfe com conhecimento de causa. Em meu local de trabalho, o assunto principal da semana foi o WCT.
Trabalho em um grande Surf Club na praia de Burleigh Heads, sou funcionário do North Burleigh Surf Club, onde posso presenciar diariamente o envolvimento dos australianos com os esportes náuticos.
Vejo, diariamente, o treino forte deles. Faça chuva ou sol, eles estarão treinando forte.
Trabalho com alguns campeões nacionais nas categorias board paddling e sempre trocamos algumas palavras sobre o treino e as próximas competições.
Continuo aprendendo e admirando a cultura dos Surf Clubs e o amor pelo oceano. O próprio Mick surfava pelo surf club de Kirra Beach.
Percebo a influência dos esportes náuticos na vida da australiana. É notório o poder das gigantes surfwears perante nós, meros consumidores. Rip Curl, Quiksilver e Billabong são multinacionais que dominam o mercado, inovando-o e lançando tendências para o resto do mundo.
A Rip Curl, depois da vitória de Fanning, estará mais agressiva e vai fazer de tudo para aumentar sua fatia do mercado. É o que imagino depois de ver duas novas megalojas abrirem perto da minha casa. Agora é esperar pra ver a reação do mercado e a guerra entre as marcas.
A força de marketing dessas empresas é algo que impressiona e impulsiona gerações a continuarem surfando. Por aqui, somos bombardeados com suas campanhas de markenting para começarmos a surfar e depois para nunca pararmos de surfar.
E por que não ser um novo campeão? Por estes e outros motivos a Austrália tem uma superpopulação de surfistas. Esta deve ser a explicação, porque todas as ondas aqui têm, no mínimo, 6 pés (dois pés surfáveis e quatro pés humanos).
Imagino meus conterâneos que destróem as ondas lá na favela do Titanzinho, no Ceará. Se eles tivessem o suporte técnico e financeiro de uma grande surfwear aussie, imagino o estrago que fariam nos circuitos locais ou internacionais.
O futuro mostrará a mudança do mercado das surfwears e dos caminhos do surfe. Por aqui, especula-se novos campeões, o break de Kelly Slater e novos formatos para o WCT. O tempo trará as respostas para tais perguntas. Keep going and good waves.
Nota da Redação O cearense Sérgio Lustosa é publicitário e tem um blog maneiro. Clique aqui para conferir.



