Redes no Sul

Audiência promove diálogo

Surfistas, pescadores e autoridades discutem questão das redes na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. Foto: Xandão / Ondas do Sul.com.br.

Uma audiência com forte presença de surfistas e pescadores mobilizou a capital gaúcha na última segunda-feira, mostrando finalmente o interesse de ambas as partes envolvidas para busca de uma solução para o problema das redes no litoral do estado.

 

Logo no começo da audiência realizada na Assembléia Legislativa, o senhor Rosito, pai de Julia Rosito, falecida numa rede em Cidreira, pediu para que o tema fosse ?harmonia? entre pescadores e surfistas e não ?conflito? como estava sendo divulgado no local.

 

Várias autoridades do governo, brigada militar, representantes dos surfistas e pescadores falaram sobre o assunto, apontando problemas e sugestões para a situação que já contabiliza 48 mortes de surfistas em redes de pesca.

 

Os pescadores explicaram que às vezes mais de uma família sobrevivem de apenas um cabo e que no verão, época de piracema, recebem do governo apenas um salário mínimo, o que os obriga a trabalhar em outras funções, como reparar redes de pesca de veranistas, para poder garantir a sobrevivência de suas famílias. Também criticaram a irresponsabilidade de vários surfistas que surfam em dias de forte ressaca do mar, o que em nosso estado é impossível.

 

O professor Nelson, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, destacou que a ?equação está errada?, conforme suas próprias palavras, e que a pratica da pesca predatória em alto-mar e pirataria, assim como em outros países, está diminuindo muito a quantidade de peixes na costa.

 

Segundo ele, uma ótima solução para ambas as partes seria a criação de fazendas de criação de peixes da região, o que aumentaria muito a renda dos pescadores e não seria mais preciso a pesca de cabo e sim a criação de cooperativas de pescadores com apoio da iniciativa privada e do governo estadual.

 

Capitão Canto, diretor do projeto Surf Salva da Brigada Militar / Bombeiros, relatou que no verão está sendo feito um trabalho de cortar as bóias que sinalizam as poitas (tipo de âncora que fica na linha do inside ou outside) para que os surfistas não se prendam nestas bóias, aumentando a quantidade de âncoras soltas no fundo do mar. Ele informou que já está sendo sugerido um tipo de bóia em formato cilíndrico para que não seja mais necessária a retirada e não ofereça riscos aos surfistas.

 

Depois de uma longa audiência, foram combinadas visitas a cada município, para que possa ser feito um acordo entre surfistas e pescadores de cada região e assim definir áreas de pesca e surf para cada um dos municípios visitados. Estas visitas serão agendadas e os surfistas serão representados pelo deputado Sandro Boka e o presidente da FGS (Federação Gaúcha de Surf) Orlando Carvalho, os quais representam o projeto ?Praia Segura, Surf Legal?, mas ainda não ficou definido qual órgão será responsável pela fiscalização destas áreas.

 

 

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