Por trás das notas

Atletas preparam guns para guerra na Austrália

Enquanto as tropas aliadas matam a torto e a direito no Oriente Médio, os surfistas do circuito mundial preparam suas “guns” (pranchas para ondas grandes) para brigar, nas próximas duas semanas, pelos pontos e dólares em jogo na perna australiana do tour.

 

Nesta semana já esta acontecendo mais uma etapa forte do circuito WQS, em Margaret River, oeste da Austrália. Com status seis estrelas, a prova atrai os melhores do mundo, com 2.500 pontos para o vencedor, o que certamente o colocará entre os primeiros do ranking.

 

Margaret River é conhecida por suas ondas pesadas e grandes, e é comum encontrar ondas de 3 ou 4 metros abrindo paredes perfeitas. Mar pequeno lá tem um metro e meio. Os brasileiros já conhecem bem este lugar, mas para os novatos que estão investindo neste circuito, será sempre um obstáculo.

 

Um bom resultado neste tipo de onda é credencial para as outras ondas pesadas do WCT, como Fiji, Tahiti e o Hawaii. Logo depois, durante a Páscoa, acontece o Rip Curl de Bell’s Beach, um dos campeonatos mais tradicionais do circuito mundial, com mais de trinta anos e que já foi palco de alguns dos melhores momentos da história do surfe profissional.

 

Foi em Bell’s, nos anos 70, que Michael Peterson reinventou o “cut-back”, que o Simon Anderson domou ondas de 15 pés com sua triquilha e acabou com o reinado de Mark Richards e sua twin.

 

Foi lá também que Tom Currem acabou com a dominação australiana, em meados dos anos 80, e depois o jovem Nick Wood surpreendeu o mundo ganhando uma etapa aos 16 anos de idade. Mais tarde o local consagrou os backsides mecânicos de Damien Hardmam e Barton Lynch.

 

Enfim, Bell’s Beach é uma grande pista, um palco de apresentação, com ondas longas e perfeitas e bastante área para manobras, onde novas performances sempre redirecionam o futuro do surfe.

 

A praia fica em uma reserva surfística de proteção ambiental, possui uma arquibancada natural para o público e durante os dias de eventos atrai milhares de espectadores.

 

Como a Páscoa será quase no meio de abril, a proximidade do inverno certamente trará ondas grandes para o evento. Os brasileiros Peterson Rosa e Teco Padaratz já conseguiram bons resultados lá, Fabio Gouveia, Vitor Ribas, Armando Daltro e Guilherme Herdy já são veteranos, o que ajuda muito no posicionamento e na hora de escolher a prancha certa para cair.

 

Neco também já conhece bem a onda e tem tudo para se encaixar nas longas direitas. Para os outros brasileiros, Paulo Moura e Danilo Costa, a melhor alternativa é chegar antes e treinar em Bell’s e em Winkipop, praia ao lado considerada por muitos ainda melhor que Bell’s. Boa sorte.

Michelle des Bouillons desceu uma onda de quase 25 metros em Nazaré e pode entrar para a história como a mulher que surfou a maior de todos os tempos. Em entrevista exclusiva ao Waves, ela conta como chegou até aqui.

De Bells Beach a Raglan, Brasil vive quatro etapas de domínio histórico: vitórias, finais, nota 10 e os quatro primeiros do ranking mundial com a mesma bandeira.

Maior onda já surfada por uma mulher no Brasil é registrada por Michaela Fregonese durante swell histórico em Jaguaruna (SC)

Doutor Guilherme Vieira Lima, explica como a estabilidade do core define a potência das manobras e protege o corpo de lesões crônicas.