Tiago Pires

Atleta anuncia aposentadoria

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Tiago Pires anuncia aposentadoria. Foto: Divulgação Quiksilver.

 

Considerado o maior ídolo da história do surfe português, Tiago Pires anunciou oficialmente a sua aposentadoria.

Durante uma coletiva de imprensa em Ericeira, o ex-top da elite mundial comunicou sua decisão. Agora, o surfista de 35 anos vai dedicar-se a novos projetos e dar uma atenção especial à família. O nascimento do seu primeiro filho é um dos principais motivos do afastamento das competições.

Tiago Pires passou sete temporadas na elite mundial e deu adeus ao circuito em dezembro de 2014. Foi o primeiro e único português na história a chegar ao Championship Tour.

Em entrevista à assessoria de imprensa da World Surf League (WSL), o atleta falou sobre a sua aposentadoria. Confira.

O que te levou a tomar esta decisão de aposentar-se?
 
Apesar de tudo, acabou por ser um processo natural. O ano de 2014 foi o meu último no Tour, depois de ter lutado arduamente contra uma lesão no joelho que aconteceu em 2013. Pode ser um pouco estranho dizer isto, mas, antes de me lesionar, em maio de 2013, estava passando por aquele que acreditava ser o melhor momento da milha carreira em termos de forma. Pensei que iria recuperar rapidamente e que reencontraria aquela forma novamente, mas as coisas nunca mais voltaram a ser as mesmas.
 
Em 2014 regressei à competição e foi um bom ano, mas, infelizmente, não me qualifiquei no fim da temporada. Em outubro deste ano soube que ia ser pai, algo que já sonhava ser há algum tempo. Penso que depois disso, a minha mente acalmou automaticamente do modo competitivo e comecei a pensar cada vez mais na possibilidade de me retirar. Em 2015 decidi dar-me uma última oportunidade no WQS apenas para provar a mim mesmo que o conseguiria fazer. Realizei a maioria dos Primes e tudo ficou claro para mim. Já não tinha o mesmo foco competitivo como havia tido nos últimos 15 ou 16 anos.
 
Qual foi a melhor parte de ser surfista profissional e qual o melhor momento da tua carreira?
 
Tive tantos momentos bons que não posso escolher apenas um. O fato de ter tido a oportunidade de viver uma vida com a qual sonhei desde criança, é realmente a melhor parte de tudo. Habitualmente via filmes de surfe com os mesmos surfistas com quem depois competi no Tour. Algo que antes parecia bem distante da realidade. De repente, estava no meu ano de rookie e vencendo Kelly Slater em condições perfeitas em Uluwatu. Isso é algo difícil de igualar.

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Tiago foi o único português a chegar à elite mundial. Foto: Divulgação.

 
Qual foi o momento mais complicado e a maior barreira no surfe profissional?

A minha última bateria em Pipeline, em 2014. Sabia que precisava de ir às semifinais para ficar no Tour, o que era uma tarefa complicada para qualquer um. Mas surfar em condições completamente descontroladas e não conseguir sequer uma nota decente foi doloroso. Gostaria imensamente de ter uma boa lembrança do meu último confronto no Tour, mas isso não aconteceu. Vou ter de saber lidar com isso.
 
Você é considerado um pioneiro do surfe em Portugal. Como enxerga o teu legado e o impacto que teve no surfe profissional?
 
Penso que fui um felizardo por ter crescido cercado de bons surfistas em Portugal. Mesmo que não fossem famosos, eles eram os melhores que eu tinha para ver e para surfar. Mas isso me fez querer mais. Sempre fui uma pessoa muito competitiva e nunca aceitei o não como resposta. Por isso, sempre dei tudo para ir o mais longe possível. As coisas começaram a dar certo no fim da minha carreira Junior, e antes disso ganhei eventos do QS, o que na ocasião era algo impensável para surfistas portugueses.
 
Vejo-me como um bom exemplo para as gerações futuras e espero ter um impacto positivo nos mais novos. Atualmente há um caminho e um exemplo a seguir e sinto-me muito orgulhoso por estar associado a isso.

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Tiago Pires e Andy Irons durante uma visita à redação do Waves / Fluir, em 2010. Foto: Fernando Iesca.

 
O que o surfe ainda precisa para crescer mais, sobretudo em Portugal?
 
Penso que o surfe tem crescido muito em Portugal e gostaria muito de vê-lo tornar-se ainda mais profissional. No futuro gostaria de ver sessões de treino dedicadas para os surfistas que competem, evitando que lutem por ondas, por exemplo. Também poderia existir alguma melhoria nos palcos do WQS, para termos cada vez mais certezas de que os surfistas que se qualificam são mesmo os melhores e os mais indicados para o desafio.
 
Quem foi a pessoa mais influente na tua carreira?
 
Definitivamente foi o meu treinador e amigo de longa data, Zé Seabra. Foi a primeira pessoa a me dizer que eu poderia chegar lá, quando tinha 16 anos e ainda estava na escola. Na época pensei que ele estava um pouco doido. Mas depois de começarmos a trabalhar juntos como uma equipe, tive noção de que ele estava certo.
 
Quais os teus planos?
 
Sou um sortudo por ainda ter mais cinco anos de contrato com a Quiksilver, por isso penso que anda há muito espaço para mim no oceano. Tenho um grande projeto em andamento neste momento, que me vai ocupar grande parte do ano. Mas vou estar, definitivamente, atento às oportunidades que surgirem para fazer viagens e explorar ondas.

Algum ressentimento?

Sim, gostaria de ter vencido uma etapa ou duas do CT. Penso que estive perto em algumas ocasiões e isso teria selado completamente o negócio, mas, acima de tudo, sou um soldado muito orgulhoso do que fiz.
 
Que conselho deixas aos surfistas que estão chegando ao mundo dos profissionais?
 
Nunca parem de sonhar porque as suas carreiras vão ser mais longas do que imaginam. Sejam humildes e respeitem todos em volta. A WSL é uma grande família que vai tratá-los muito bem. Por isso, sejam felizes e desfrutem do melhor estilo de vida que há no Mundo.

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