
Além de inaugurar a temporada 2004 do circuito mundial com os melhores surfistas do planeta em um dos lugares mais tradicionais da Austrália, o Quiksilver Pro em Snapper Rocks, na Gold Coast, traz uma novidade que irá marcar a história da ASP (Association of Surfing Professionals) no surfe mundial.
Trata-se de uma tecnologia revolucionária desenvolvida pelo californiano Tim Denmark, pioneiro e responsável pela primeira transmissão para a TV do áudio da Nascar, tradicional circuito de velocidade automotiva norte-americano, e que agora chega ao mundo do surfe.
A idéia é proporcionar aos telespectadores a possibilidade de ouvir o som ambiente que rola durante as baterias do WCT, algo inédito na história do esporte, e até saber o que falam os competidores durante as disputas no outside.
O sistema de microfonia à prova d’água é embutido na camisa de lycra utilizada pelos atletas. “O surf nunca teve os sons e conversas entre os adversários gravados para exibição em TV, e deve ser o único esporte com essa particularidade. Esse sistema funciona muito bem na água e será possível saber o que os atletas dizem e até o som de um tubo”, explica Denmark.

O uso do sistema é opcional para os surfistas e por enquanto apenas os locutores do evento experimentaram a novidade. Um deles é o havaiano John Shimooka, ex-integrante do WCT, que agora faz parte da equipe de locutores do Quiksilver Pro.
Além dele, outro ex-campeão mundial da ASP, o inglês naturalizado australiano Martin Potter, também aprovou o sistema de Denmark, fazendo a locução das baterias direto do outside, ao lado dos atletas.
Segundo o brasileiro Guto Amorim, morador da Gold Coast há alguns anos que está acompanhando a competição, o ponto alto da tecnologia até agora aconteceu quando Potter narrou sua performance enquanto entrava dentro de um tubo.
“Foi engraçado o momento em que Potter estava dentro de um tubo e começou a falar: ‘Estou vendo uma parede verde se aproximando. E não parece pequena, estou dentro do tubo, está tudo escuro, tudo escuro…’. De repente, ele pára de falar e só se escuta o som do caldo. A galera na praia bateu palmas e se divertiu com a inovação”, conta Amorim.
Resta saber se os organizadores irão apelar para algum tipo de censura quando chegarem as fases finais do evento e o bicho começar a pegar entre os adversários, famintos pelo título e pelo prêmio de US$ 260 mil oferecido nas etapas do WCT.