
No inicio do ano, fui fazer a cobertura de dois WQS 6 estrelas Prime, em Durban, África do Sul, e Trestles, Califórnia (EUA).
Clique aqui para ver a entrevista produzida por Bruno Lemos
Meus companheiros de viagem eram Jadson Andre, Simão Romão e Rodrigo Dornelles, três atletas com o surf e a personalidade totalmente diferentes.
O primeiro, mais novo de todos, dono de um surf ultramoderno com suas rabetadas e aéreos, vinha de ótimos resultados e apesar de o ano estar apenas começando, Jadson chegou a Durban confiante e muito concentrado para alcançar o seu objetivo, entrar para o World Tour 2010.
Simão já não é mais apontado como promessa e sim como realidade. Seu surf competitivo, suas patadas de backside e seu jeitão único de ser já o tornaram um personagem do surf brasileiro. Em 2008, Simão não entrou no WT por pouquíssimas posições, e chegou a Durban também com fome de vitória.
Já Rodrigo Dornelles, o mais experiente de todos e o único que já integrou os top 45, estava chegando para a sua primeira participação do ano em provas do WQS.
Mais calmo e quieto como de costume, senti que o “Pedra” não estava tão instigado como os outros dois e em sua bateria de estreia acabou perdendo e sendo eliminado de cara.
Mais tarde, no hotel, ele me confessou que estava pensando em não correr o circuito inteiro em 2009, pois a falta de patrocínio, o cansaço de vários anos de Tour e as saudades da família estavam pesando muito. Ele não sabia se teria condições financeiras para continuar e nem estava tão instigado quanto a molecada mais nova.
Pedra continuou em Durban até o fim do campeonato. Vimos a espetacular vitória de Jadson, que assumiu a ponta do ranking do WQS, e partimos para Trestles.
Na Califa, Pedra reencontrou seu amigo Neco Padaratz, que se recuperava de uma contusão que o deixou quase um ano fora das competições. O gaúcho sentiu-se mais em casa, com as longas direitas de Trestles, onde ele podia aplicar a sua forte rasgada de frontside, que na minha opinião é uma das melhores e mais redondas do Brasil.
Rasgada por rasgada, bateria por bateria, Pedra foi até as oitavas-de-final, somando 1925 pontos e injetando muita confiança para ganhar mais uma chance no Tour, correndo outros eventos no ano, onde acabou conquistando ótimos resultados.
Pedra esté hoje em 12o lugar no ranking, o segundo melhor brasileiro, faltando apenas as duas etapas havaianas, onde seu surf de linha se encaixa perfeitamente. Ele tem chances reais de integrar a elite do surf mundial e encher de orgulho todos os brasileiros com seu surf polido, de linha e forte, sempre com seu estilo calmo e humilde.
Depois de ter vivenciado estes momentos e ver que Pedra deu a volta por cima e está indo para as cabeças, resolvi fuçar os meus arquivos e fazer um clip para que ele possa se instigar ainda mais antes das baterias e garantir a sua clasificação, e quem sabe algum empresário pare de contar os lucros e abra os olhos para patrocinar mais este ícone do surf brasileiro que está sem patrocínio, o que infelizmente está ficando cada vez mais comum no Brasil.
Representa, Pedra, estamos torcendo por você.